Estaremos preparados para levar esta luta até às últimas consequências?

por João Mendes 0

O concelho de Felgueiras vai ter uma nova variante. O acordo, firmado recentemente entre a autarquia socialista e o governo liderado por António Costa, prevê que o estado central assuma 85% do valor total da empreitada, ficando a cargo da autarquia os restantes 15%, bem como os encargos decorrentes da aquisição de terrenos para o efeito.

Aqui pela Trofa, que aguarda por uma nova variante há décadas, acordo nem vê-lo. Promessas têm sido mais que muitas, primeiro para a tão aguardada variante, depois para uma alternativa-remendo que não resolve o problema do congestionamento no centro do concelho. Promessas que surgem em contexto pré-eleitoral, com calendarizações que trazem água no bico, como aquela última encenação que trouxe à Trofa Pedro Passos Coelho, a poucos meses das Legislativas de 2015.

Suspeito que não tenhamos sido bafejados pela mesma sorte que abençoou os felgueirenses, porque o executivo camarário trofense não partilha a mesma cor que o governo da nação, como acontece com Felgueiras. É triste, eu sei, mas é o país que temos, com os políticos que temos. Um país onde cores e cartões partidários têm mais peso do que as necessidades reais das pessoas.

Não conheço a necessidade que o concelho de Felgueiras tem da anunciada variante, há quanto tempo espera por ela ou as implicações que isso terá para aquela zona. Mas sei que o concelho da Trofa espera por ela há décadas, e que a espera sufoca a população, aqueles que atravessam diariamente a EN14 e o denso tecido empresarial existente entre Porto e Braga. E bastava cortar uns milhões no dízimo que todos os anos entregamos à banca falida para que chegasse e sobrasse para duas ou mais variantes. Não havendo, porque o governo centralista não quer nem se importa, acaba sempre por se lixar quem não joga na sua equipa. Nada de novo.

20 anos depois da conquista da independência, talvez esteja na altura de regressar a Lisboa para dois dedos de prosa com o poder centralista. Talvez esteja na altura de colocarmos de lado as diferenças que nos separam, unindo todos os trofenses debaixo de uma mesma bandeira, a bandeira do concelho da Trofa, com o objectivo único de exigir a quem nos governa e gere os nossos impostos que solucione, de uma vez por todos, este problema que teima em adiar o nosso futuro e condicionar o nosso presente.    

A meu ver, aguardar diplomaticamente por uma solução que não chega, mais não nos trará que um novo Metro, que chegava na primeira fase, mas que se perdeu pela via estreita da política. Será que ainda temos a mesma força que demonstramos na década de 90? Ou seremos agora um concelho de conformados, moles demais para nos levantarmos pelo bem da nossa terra? Eu não me conformo e estou disponível, como sei que muitos outros trofenses também estarão, para levar esta luta até às últimas consequências. Está na hora de nos organizarmos, acima de orquestrações político-partidárias, e voltar, se necessário, a invadir o largo da Assembleia da República. Se há dinheiro para manter bancos falidos ligados às máquinas, tem que haver para solucionar os problemas daqueles que os mantém com os seus impostos. Seremos capazes?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.