A história (real) de uma Mãe Natal trofense

por João Mendes 0

Há umas semanas, fui visitar a casa da Marisa Pinho. A Marisa, para quem não a conhece, é uma das três voluntárias da AUAUA. Uma espécie de Mãe Natal real para vários cães e gatos abandonados, que tiveram a sorte de se cruzar com o seu trenó. E sim, são apenas três voluntárias. E fazem aquele trabalho todo.

Na casa da Marisa vivem vários cães. E quando digo vários, falo em quase duas dezenas. E digo “quase” porque já lá estive há algumas semanas, e, entretanto, é possível que o número de patudos à sua guarda tenha aumentado ou diminuído. O mais certo é ter aumentado, ou não estivéssemos nós a falar de alguém com um coração tão grande que não lhe permite deixar nenhum animal para trás.

Para quem tem em sua casa um cão ou um gato, a explicação que se segue será fácil de perceber: estão a ver as responsabilidades a que os vossos amiguinhos vos “obrigam”, entre banhos e passeios, limpezas e veterinário, alimentação e carinho? Agora experimentem multiplicar isso por 20, mantendo a variável salário constante. Tentem imaginar o que é ter que cuidar de tantos cães e gatos, mantendo todas as outras variáveis constantes. Porque a Marisa tem uma família, amigos com quem quer estar, um trabalho exigente que lhe ocupa grande parte da semana e todas aquelas necessidades que todos temos, como comer ou dormir. Porém, a Marisa consegue fazer tudo isto e ainda ter tempo de tratar da matilha que vive em sua casa. Tempo e dinheiro, ou não recorresse ela às suas economias para despesas de veterinário e alimentação que não podem esperar.

Para lá do consumo e do show-off, dos votos impessoais e dos filtros do Instagram, quando penso no Natal e naquilo que ele significa, ou devia significar, penso em pessoas como a Marisa, que todos os dias transformam existências tristes, feitas de fome e abandono, em esperança e amor. Pessoas que podiam estar no café, que podiam estar a divertir-se e a gastar o seu dinheiro para si, mas que passam fins-de-semana em limpezas no canil, apesar de não aparecerem nas sessões fotográficas dos politicos, e que conseguem chegar a casa, após um longo dia de trabalho, e ainda ter tempo para dar mimo aos seus protegidos. Para estes animais, pessoas como a Marisa, a Sílvia ou a Paula, as maravilhosas voluntárias da AUAUA, são autênticas Mães Natal, que mais do que presentes efémeros, lhes garantem uma existência digna e feliz, após o sofrimento provocado pelas ruas e pela negligência.

Contudo, como em todas as casas onde o Pai Natal se socorre do nosso dinheiro para garantir a entrega atempada de todos os presentes, a AUAUA e os seus voluntários precisam da nossa ajuda para dar continuidade ao trabalho incrível que desenvolvem. Precisam de ração, precisam de dinheiro para despesas no veterinário, precisam de cobertores e casotas e precisam de toda a ajuda que lhes pudermos dar. Para que as fadas-madrinhas destes animais em risco possam continuar a espalhar a magia e a fazê-los felizes.

Para aqueles que acham que o Natal é mais do que consumo, show-off, votos impessoais e filtros do Instagram, deixo-vos um desafio: nesta quadra, abram mão de um pequeno grão de areia e ajudem a AUAUA. Adoptem um patudo, associem-se à AUAUA (por apenas 20€ por ano), façam um pequeno donativo ou ofereçam os bens e os materiais que estas incansáveis Mães Natal precisam para continuar o seu trabalho. Para continuar a garantir a sobrevivência destes animais. Para garantir que o Natal deles também é Feliz. Vão ver que o jantar desta noite vos saberá melhor. Feliz Natal!

 

P.S: E não se esqueçam de visitar a página da AUAUA no Facebook. Sigam este link!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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