A asfixia fiscal também passa por aqui

por João Mendes 0

Pessoalmente, sou a favor de sistemas políticos onde o Estado é suficientemente forte para regular a economia e não permitir abusos dos predadores da alta finança, mas não demasiadamente forte a ponto de oprimir liberdades e estrangular a livre iniciativa.

Posto isto, sou um entusiasta do modelo nórdico de inspiração social-democrata, que por aquelas bandas (e por todas as outras, com a excepção de Portugal) é uma ideologia de centro-esquerda, onde a população é sujeita a uma elevada carga fiscal, recebendo em troca um conjunto de serviços fortes e funcionais, que vão de uma educação gratuita e de elevada qualidade a sistemas nacionais de saúde de excelência, passando por mecanismos de segurança e protecção na doença, na velhice ou no desemprego. Opiniões à parte, não será à toa que os países nórdicos ocupam o topo de todos os rankings que interessam. E nem todos estão sentados sobre grandes reservas petrolíferas, como os noruegueses. Penso que se tratará mais de uma questão de educação do que de recursos.

Em Portugal, contudo, a ala direita do espectro político tende a abominar o pagamento de impostos. E abomina-o, penso eu, por se ter instalado no seu seio um pensamento neoliberal, que defende um Estado mínimo, próximo da irrelevância, que deve privatizar cegamente por ser um mau gestor, apesar de, metade das vezes, ser gerido por essa mesma direita. E é essa direita que controla o PSD, e que não descansará enquanto não abater a liderança de Rui Rio. Social-democracia? Só no papel e na propaganda.

As actuais lideranças políticas trofenses que dominam o aparelho autárquico, e que têm o poder de tomar todas as decisões relevantes sem qualquer tipo de obstáculo, estiveram ao lado de Santana Lopes nas recentes eleições internas no PSD. E Santana Lopes era precisamente o candidato apoiado pelos defensores do Estado mínimo e privatizado. Os tais que abominam o pagamento de impostos. Motivo pelo qual não se compreende a brutal factura fiscal a que continuam a sujeitar os trofenses.

Guerras partidárias e fraudes ideológicas à parte, e apesar da lengalenga do milagre financeiro que nos vendem há cinco anos, os impostos municipais continuarão, no ano que agora inicia, em valores estupidamente elevados. Estamos e continuaremos no topo de um ranking onde ninguém quer estar. E onde poucos estão. No caso do IMI, a proposta do executivo camarário PSD/CDS-PP, cujos líderes nacionais se insurgem diariamente contra a fiscalidade da Geringonça, vai no sentido de manter este imposto na taxa máxima permitida em 2019. Se as finanças da autarquia estão assim tão boas como nos querem vender, não seria tempo de contribuir para que as finanças dos trofenses também estivessem? Ou teremos que esperar pelas Autárquicas de 2021?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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