Manipulação: a propaganda que nos vendem e o mundo real – Parte III: A mulher do director de campanha

por João Mendes 0

No passado dia 25 de Outubro publiquei neste espaço um artigo intitulado “O ciclo vicioso do boato” onde falei sobre a forma como a propagação de boatos políticos se transforma numa faca de dois gumes capaz de ferir em simultâneo os “partidos irmãos”. Na sequência desse artigo foram surgindo reacções (anónimas, para não variar), sendo que uma delas, de um dos incendiários sem cara do costume, colocou em causa a contratação da Dra. Zita Formoso, esposa de Fernando Moreira de Sá, para Chefe de Gabinete de Sérgio Humberto. Chamou-lhe “pagamento de um favor”.

Muito se poderá dizer sobre esta acusação, até porque o pagamento de favores políticos neste país é uma triste realidade e um flagelo que importa combater. Por esse mesmo motivo, na altura fui investigar quem era a Dra. Zita Formoso. Não só percebi que não era uma girl do aparelho a quem foi concedida uma “benesse”, como vim a descobrir que se tratava de alguém com um currículo invejável e de imensas provas dadas. Deixo-vos um resumo do percurso profissional da pessoa em questão:

  • Licenciatura em Gestão (pré-Bolonha) com média final de 16 valores;
  • Pós-graduação em Recursos Humanos;
  • Mestrado em Gestão (pré-Bolonha) com média final de 16 valores e tese de mestrado sobre o III Quadro Comunitário de Apoio às Autarquias Locais;
  • MBA em Gestão (concluído na Católica, considerada uma referência a nível internacional, nomeadamente ao nível de MBA’s em Gestão);
  • Doutoranda em Gestão e Economia pela Universidade de Vigo, onde está a desenvolver uma tese sobre “Fundos Comunitários nas autarquias locais enquanto factor de desenvolvimento económico e social”.

Vou parar aqui por uns instantes. Por favor, atentem no nível de excelência do percurso académico descrito. Estou certo que estará mais habilitada do que a esmagadora maioria dos políticos nacionais. No caso específico da Trofa, tenho sérias dúvidas que encontremos um CV mais completo e rico na área da gestão e dos fundos comunitários em todo o concelho mas, por favor, corrijam-me se estiver errado.

Alguns de vocês poderão dizer que tal consubstancia apenas conhecimento meramente teórico, o que, nalguns casos, corresponderia facilmente à realidade. Vamos então um pouco mais a fundo ver o que andou a “mulher do director de campanha do PSD” a fazer:

  • É Técnica Oficial de Contas;
  • Na sua função anterior, acumulou a direcção do Gabinete de Fundos Comunitários (QCA III e QREN) com a chefia da divisão de Recursos Humanos na CM da Maia;
  • Durante o período em que exerceu funções na CM da Maia (cerca de 10 anos), a autarquia foi a que melhor desempenho teve ao nível de aprovação e execução de fundos comunitários na Área Metropolitana do Porto e umas das melhores a nível nacional. Só na área da construção, reabilitação e requalificação das escolas da Maia estamos a falar de mais de 20 milhões de euros em candidaturas aprovadas, executadas e terminadas. Sublinho aqui, por motivos óbvios que penso que compreenderão, o “terminadas”;
  • Nos primeiros anos em funções na CM da Maia, nas revisões de preço das empreitadas de obras públicas poupou, ao Município da Maia, mais de 8,5 milhões de euros;

Como é que eu posso colocar isto sem ferir susceptibilidades… ah! Já sei: DEIXEM-SE DE MERDAS!!! É que para além do invejável percurso académico, ainda é expert em fundos comunitários e tem provas dadas na área. E ainda por cima é TOC! Que porcaria de activo já viram? Como é que alguém contrata uma nulidade destas? Vê-se mesmo que chegou lá a abanar a bandeira. Ou se calhar é sobrinha da Joa… do Sérgio Humberto! Deviam recambiá-la já para a Trofáguas ou para o Aquaplace, ai sim seria ouro sobre azul.

Existem diferenças consideráveis entre um boyaquele parasita incompetente que chega ao poder ou aos cargos públicos, ainda que sem habilitações, apenas e só porque se relaciona bem com as pessoas no poder, e uma pessoa habilitada, que por mim até podia ser a mãe do Sérgio Humberto, e que tem provas dadas na área para a qual é nomeada. Mas isso sou eu que aprecio o utilitarismo: pessoalmente, estou me nas tintas se ela é mulher, mãe ou tia de X. Interessa-me, isso sim, se constituirá uma mais valia para a minha terra e, nesse capítulo, estou disposto a apostar as minhas fichas nesta senhora que, caso não tenham ainda percebido, vai auferir menos na Trofa do que na Maia pelo simples facto do seu vencimento estar indexado ao do presidente da câmara, que por sua vez tem o seu vencimento dependente do número de eleitores. É fazer as contas que, por sinal, são bem simples de fazer.

Sérgio Humberto, se por acaso houver por aí mais “Zitas Formoso” para colocar este concelho no caminho do desenvolvimento, faça o favor de as ir buscar a todas. Para colocar boys no poder já temos o vosso “companheiro” Pedro Passos Coelho. Não lhe sigamos o exemplo. Quanto aos cobardes que desferem este tipo de ataques, não é toa que nenhum de vocês tem coragem de dar a cara: seria complicado andar a falar de boys quando os vossos amigos do partido também o são, não é mesmo?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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