Passos Coelho na Trofa: “orgulho trofense” VS “vergonha nacional”

por João Mendes 0

Fizeram-se os possíveis para manter total secretismo em torno da visita à Trofa do actualaldrabão a exercer funções de primeiro-ministro. Nem uma palavra nas redes sociais, nem uma palavra na comunicação social (o que prova, uma vez mais, a essência do Correio da Trofa enquanto jornal do regime laranja). Silêncio absoluto. Mas como grupo de interesses que é, a massa militante do PSD-Trofa fez o seu próprio “wikileaks” e permitiu a fuga de informação que expôs ao ridículo a fraca manobra de diversão com vista a evitar dissabores a Pedro Passos Coelho. É que os verdadeiros sociais-democratas começam a ficar fartos das incompetentes e clientelistas tropas neoliberais de inspiração “relvista” que tomaram conta do aparelho.

Alguns poderão afirmar – legitimamente – que o PSD-Trofa não é obrigado a divulgar visitas de militantes do seu partido quando o assunto é interno, o que é o casoTão legítimo como nos é permitido afirmar que a razão principal de tanto secretismo se prende à crescente e elevadíssima impopularidade do actual PM e ao risco de protestos que seriam perfeitamente naturais e que alguns dos jotas que o apoiam também fizeram por ocasião das últimas visitas de José Sócrates à Trofa. Não fosse o feitiço virar-se contra o feiticeiro e aparecessem por lá dois jovens “independentes” a atirar ovos ao homem, algo que apesar de desnecessário seria duplamente interessante, não só para ver a história repetir-se, provando uma vez mais a natureza siamesa de PS e PSD (e por conseguinte da JS e da JSD), mas principalmente porque quem aldraba um país inteiro para ser eleito merece ser punido por isso. Antes um ou dois ovos no fato do que uma mira na cabeça não é mesmo?

Poucos militantes laranjas tiveram coragem de se pronunciar sobre o encontro até ao momento. O que ilustra bem a irritação dos verdadeiros sociais-democratas já referida. Os que o fizeram, como a líder da JSD Sofia Matos, referiram que se tratou da apresentação da recandidatura de Passos Coelho à presidência do PSD aos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo. Já a instituição a que preside, a JSD Trofa, afirmou que teria sido uma apresentação ao norte do país, o que obrigaria a acrescentar Vila Real e Bragança à lista de distritos referidos pela “deputada” municipal. Curiosa esta desarticulação entre a comunicação oficial da presidente da jota e da jota a que preside, a fazer lembrar o salvador da noite da porrada que estava ali por perto e chegou ao local em segundos mas que, no dia seguinte, disse à Sábado que afinal estava em casa de pijama. Mais curioso ainda é ver que, num acto interno do partido, direccionado para o norte do país(ou parte dele, ficamos sem saber qual a versão oficial), os temas que dominaram a recandidatura de Passos à direcção do PSD foram as acessibilidade e o emprego na Trofa.

Vamos lá ver se nos entendemos: então o homem vem à Trofa apresentar a sua recandidatura interna, com um auditório repleto de ilustres sociais-democratas de todos os cantos do norte de Portugal (ou da maioria, depende das versões), e o tema que domina o certame são as acessibilidades e o emprego na Trofa? Então e as acessibilidades em Bragança, Vila Real ou Viana do Castelo? Já agora, em que medida é que tal discussão se enquadra num contexto de organização interna do PSD? O que têm os militantes de outras áreas do norte a ver com a situação específica da Trofa? Estaria Passos a tentar “comprar” os trofenses com mais uma das suas habituais e previsíveis mentiras? Serei só eu a achar que isto faz tudo menos sentido??? Algo aqui parece estar mal contado…

Duas notas para fechar: por um lado, gostaria de perceber se o PSD alugou o auditório da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Bougado para este evento e qual o valor (enviei, a este respeito, um email ao executivo camarário para tentar obter esse esclarecimento. Caso receba resposta, a mesma será publicada neste blog). É que sendo este um evento de natureza interna do PSD, não faz sentido que os contribuintes paguem pela despesa de manter o auditório durante o período da sessão. Muito ou pouco, é despesismo que não diz respeito aos trofenses mas aos militantes sociais-democratas. Por outro lado, e com isto finalizo, será que os responsáveis do PSD-Trofa teriam mantido tanto secretismo caso a popularidade de Passos Coelho estivesse em alta? Relembro que estamos a falar de um líder partidário que não meteu os pés na Trofa durante a recente campanha autárquica, ao contrário de Catarina Martins ou António José Seguro, e cuja acção política feita de mentiras,clientelismoausência de méritoescândalos de tráfico de influências mal explicados eincapacidade de cumprimento dos objectivos traçados pelo memorando contrasta fortemente com a imagem de ética e valores que a equipa de Sérgio Humberto tentou transmitir durante a campanha e que lhe permitiu ganhar as eleições. Passos Coelho representa a negação daquilo que a direita trofense alinhada com a coligação Unidos pela Trofa define como “orgulho trofense”. Passos Coelho representa a “vergonha nacional”, o sistema político em decomposição e o velho regime do compadrio. Se o PSD Trofa se revê neste chefe, então receio de ter sido enganado durante a campanha autárquica.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.