A vitória do PS e o silêncio revelador da direita

por João Mendes 0

Já passaram quase 3 meses desde as polémicas eleições internas do PS Trofa. Muito se falou sobre as supostas irregularidades ocorridas e a oposição à direita explorou o caso à exaustão através de inúmeras partilhas nas redes sociais sobre o triste momento de violência que marcou negativamente a ocorrência. Para além das partilhas, os anónimos do costume, reforçados pela criação da página Socialistas Trofenses de Verdade, criada com o intuito único de atacar a facção Joana Lima/Marco Ferreira, fizeram os ataques do costume com o objectivo do costume.

Por altura destes acontecimentos, publiquei neste espaço um artigo onde tentei analisar a situação em causa. Para além de salientar a dualidade de critérios de alguma direita ligada ao aparelho trofense do PSD, deixei no ar a questão: será que nos defrontaríamos com o mesmo tipo de postura caso a lista injustiçada tivesse sido a de Marco Ferreira? A resposta à minha dúvida retórica surgiu por estes dias e não me surpreendeu.

Na passada Sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, O Notícias da Trofa publicou um artigo onde deu conta da decisão do Tribunal Constitucional sobre a tentativa de impugnação do acto eleitoral por parte da lista liderada por Mário Mourão. O TC, considerando que não foram esgotados todos os “meios internos previstos nos estatutos para apreciação da validade e regularidade do ato eleitoral” decidiu rejeitar o pedido da lista B. Segundo o Constitucional, a lista de Mário Mourão não cumpriu todos os procedimento internos para levar a cabo a dita impugnação (poderão encontrar mais detalhes sobre o processo no artigo do NT). Alguns poderão argumentar, com substância, que a lista B poderá ainda sair vitoriosa no processo interno caso este siga o seu curso. Mas a realidade é que, no momento em que escrevo estas palavras, a razão está ainda do lado da lista de continuidade de Joana Lima.

Podendo o processo não estar ainda concluído, estamos, para já, perante uma vitória serena da facção socialista liderada por Marco Ferreira, que se limitou a esperar pela conclusão do processo. Nas palavras do próprio, esta decisão era “expectável“. Por seu lado, Mário Mourão foi rápido a afirmar que “o processo não parou”. Mas o rol de derrotados com esta decisão do TC não se resume aos partidários de Mário Mourão. Existe toda uma facção da direita trofense que, depois das partilhas e dos comentários incendiários sobre a democracia que estava em causa no seio do Partido Socialista Trofense, se remete agora a um silêncio revelador.E chega assim ao fim uma rara e curiosa aliança ética e moral entre uma parte significativa da direita no poder e da oposição interna do PS de Joana Lima.

Mas o silêncio não se resumiu a alguns militantes do PSD e, em maior escala virtual, da JSD. O próprio Correio da Trofa, incansável na cobertura destes acontecimentos desde o dia D até à conferência de imprensa caseira da lista B, não parece ter agora muito interesse no assunto. Nada foi dito na edição nº24 do quinzenário, nenhum artigo sobre o tema consta nas secções de Política ou Sociedade do site do Correio e, a menos que esteja muito bem escondido, não existe nenhum artigo sobre o tema no Facebook do jornal. O que terá levado a esta mudança radical no interesse anteriormente demonstrado neste tema? Se o objectivo é afastar as críticas que apontam este meio de comunicação como órgão semi-oficial da coligação, então anda aqui alguém muito desatento.

A história, essa conspiradora radical de esquerda, teima em repetir-se. Enquanto foi conveniente para enfraquecer o PS Trofa, divulgou-se a versão da lista B em massa. Agora que o TC acaba por dar razão à lista A de Marco Ferreira, alguns activistas desta matéria desapareceram tão rápido como os cartazes da JSD sobre os buracos quando a coligação subiu ao poder. Não existe imparcialidade, apenas uma luta permanente pelo poder onde qualquer ocasião serve para infligir danos no adversário. Umas vezes corre bem, colhem-se os louros e colocam-se as cabeças derrotadas nos espetos. Noutras, quando o plano sai furado, remete-se tudo ao silencio como se nada tivesse acontecido. É deste tipo de integridade corrompida que são feitos alguns dos nossos actuais e futuros responsáveis políticos: tendenciosa, manipuladora e adversa à verdade. 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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