Europeias 2014: os resultados na Trofa e o triunfo da abstenção

por João Mendes 0

É caso para dizer que a esmagadora maioria dos trofenses se esteve nas tintas para as eleições europeias. A abstenção, ainda que dentro da média nacional, situou-se(considerando os números apresentados em primeira mão pelo Notícias da Trofa) acima dos 64%, quase o dobro da abstenção verificada nas recentes Autárquicas (33,03%). Apesar destes resultados ainda poderem sofrer ligeiras alterações, o crescimento da abstenção é o resultado do crescente descrédito das forças políticas no seio da sociedade civil. Mas outros factores podem ser apontados.

Por um lado, a campanha eleitoral na Trofa foi bastante apagada. O PCP teve algumasacções de rua, numa lógica de proximidade com o cidadão/eleitor, sendo o único partido que, tanto quanto sei, esteve verdadeiramente junto da população numa lógica de esclarecimento e apresentação de propostas. O PS recebeu uma visita de Elisa Ferreira que conviveu com meia dúzia de pessoas e o PSD/CDS-PP receberam Jean Claude Juncker para um jantar de conveniência onde em vez de se discutir Europa se fez tiro ao Sócrates. Algo que de resto foi a imagem de marca da coligação de direita nestas eleições. O BE, sinceramente, nem o vi, o que de alguma forma poderá explicar o desaire que hoje se registou.

Por outro lado, e apesar da importância dos fundos europeus para obras centrais do nosso concelho, como o projecto de união dos parques ou o Parque das Azenhas, os trofenses, à semelhança dos restantes portugueses, parecem não valorizar uma eleição de extrema importância, onde se cada vez mais se decide o nosso futuro, à medida que o estado vai transferindo a sua soberania para as instituições europeias. Apesar da crescente dependência de Bruxelas, a população parece cada vez mais distante da União.

É curioso que, nas recentes Autárquicas, a abstenção na Trofa tenha ficado cerca de 20 pontos percentuais abaixo da média nacional (52,60%) quando as principais questões que estiveram por trás da derrota do PS tenham ligações tão íntimas aos fundos comunitários (com destaque para a manobra do Parque das Azenhas e a controvérsia da obra da união do Parque). Por outro lado, é igualmente curioso que o facto de obras tão essenciais e permanentemente negadas por Bruxelas como a Variante da N14 não tenham servido de tónico para que mais trofenses se deslocassem às urnas.

A verdade é que Bruxelas parece cada vez mais longe. Para além da corda da austeridade, cada vez mais apertada no nosso pescoço e com cada vez menos resultados palpáveis, a ausência de estradas decentes, de obras fundamentais e de mais União Europeia que não sejam visitas de conveniência eleitoralistas parecem argumentos mais que suficientes para uma abstenção recorde no concelho.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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