Europeias 2014: o “contra-ataque” do PSD

por João Mendes 0

No dia seguinte ao da visita de Elisa Ferreira à Trofa, coincidência das coincidências, o ministro Nuno Crato anunciou a retoma de parte das obras de renovação das escolas portuguesas inseridas no contexto do projecto Parque Escolar. Boas notícias: a Escola Secundária faz parte do grupo seleccionado! Mas moderem o vosso optimismo pois sabemos que, para este governo, o que hoje é verdade amanhã facilmente deixará de o ser.

Em declarações na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, o ministro da Educação explicou como tal foi possível: “Renegociámos uma linha de crédito e conseguimos obter os volumes necessários, fundos europeus e de dotação do Estado, para conseguir concluir as obras em 14 escolas que estavam suspensas”. Uma explicação que me parece bastante coerente.

Ora se tal explicação parece fazer sentido, o anúncio feito no dia seguinte na página de Facebook da CMT não parece bater certo com o discurso de Nuno Crato. Se o ministro refere os avanços no campo do investimento financeiro como condição primordial para a retoma da obra, a posição da CMT é caricata no sentido em que, e cito, “reconhece que a inclusão da Escola Secundária da Trofa no lote de escolas prioritárias, se deve às boas relações que tem mantido com o Governo, demonstrando a sua capacidade de influência, e a forma como tem sabido defender com diálogo, os interesses da Trofa e de todos os Trofenses.”

Dois aspectos chamaram imediatamente a minha atenção. Por um lado, a contradição evidente entre a explicação do governo assente num critério de financiamento e a do executivo camarário que refere a sua acção de “lobby” junto do governo como condição que levou à inclusão do liceu da Trofa no lote de escolas abrangidas. Afinal em que ficamos? Foi uma questão de gestão de recursos ou um favor a uma autarquia da cor do governo?

Por outro lado, e caso se confirme que a acção do executivo camarário junto do governo foi determinante para a inclusão da EST nesta nova fase do Parque Escolar, então fica a sensação de que existe uma sobreposição da influência partidária ao critério da gestão rigorosa dos recursos existentes.

No contexto de emergência financeira em que nos encontramos, marcado por uma profunda escassez de recursos, causa-me estranheza que uma obra pública possa avançar porque uma autarquia consegue exercer influência sobre o governo. Sempre achei que tais decisões seriam tomadas com o foco nas necessidades reais do país e não por via de jogos de bastidores. As eleições têm destas coisas…

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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