A Semana Flop da Juventude

por João Mendes 0

O local era quase perfeito e o clima não tentou sequer estragar a festa. Na segunda vez que estive no recinto, no Domingo à tarde, imaginei aquele cenário cheio de gente a aproveitar o sol e a boa música dos nossos dj’s. Em vez disso, um vazio imenso cobria a frente do palco. Foi desolador perceber que o que poderia ter sido um grande evento para os jovens da Trofa acabou por ser um fiasco…

Organizar um evento desta dimensão implica planeamento. Obriga a preparar tudo com uma antecipação considerável que pode ser de vários meses. Implica também meses de divulgação que um evento com fins eleitoralistas feito em cima do joelho não permite. Implica criar acessibilidades para que todos os jovens do concelho (e não apenas os de São Martinho de Bougado) consigam aceder ao local com facilidade. Alguém pensou em colocar autocarros à disposição dos jovens do Muro ou de Guidões para se deslocaram ao recinto? Ora aqui está uma acção simples que poderia ter contribuído para aumentar significativamente a audiência da festa!

Para o serão foram contratados Miguel Rendeiro e Fernando Alvim. Ao que pude apurar (e como é evidente não é oficial), os cachets rondaram os 1000€. No caso do primeiro, a assistência não passou das 30/40 pessoas. No segundo, mesmo com a Super Especial Nocturna, a assistência não ultrapassou os 150/200. Quando a jota que suporta este executivo organizou a Manifest, apenas e só com a “matéria-prima” que temos no nosso concelho, conseguiu, com recursos brutalmente inferiores, captar mais gente do que este flop. E porque será? Se calhar porque existe uma “movida” Hip Hop na Trofa que arrasta multidões e que actuaria por valores muito inferiores. Quem vai aos concertos sabe do que falo. E não, não estou a dizer que deveria ser apenas isso mas antes que esta opção seria mais rentável e traria mais gente ao recinto, mais receita para os bares, mais vida ao evento, dava as tais oportunidades aos jovens que tanto se falam mas que quase não existem e provavelmente envergonharia os conhecidos Dj’s contratados com uma assistência esmagadora.

Por falar em bares, a organização foi tão mal pensada que os bares não tinham comida e a cerveja era mais cara do que no bar da estação. Resultado: o bar da estação teve quase sempre cheio e os bares associados à festa perderam receitas porque ninguém se lembrou de pensar na concorrência. Eu fui um dos que se dirigiu ao bar da estação: entre dar 0,90€ por uma Super Bock de 33cl ou 1,50€ por um fino de 25cl acho que nem é preciso fazer contas…

Há muito quem por ai use a célebre expressão “queixam-se por ter e por não ter”. A maior parte dessas pessoas esquece-se que eventos destes são organizados com dinheiro que é de todos e que se é para gastar então que se faça um evento como deve ser. Como jovem quero ter uma semana da juventude todos os anos (e não apenas em ano de eleições) e quero que ela seja bem organizada. Será pedir muito? É que nem por ser ano de eleições…

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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