A política dos comes e bebes II – A “féta”

por João Mendes 0

Mobilizar “autarquicamente” os jovens é uma tarefa exigente por muitos motivos. Em primeiro lugar porque a esmagadora maioria destes está desencantada e revoltada com o poder político. E com razão. Então essa gente e os seus partidos andam para ai a destruir-nos o futuro e ainda temos que comer tretas eleitorais? Give me a break!!!

Perante este cenário, algo tem que ser feito para tentar conquistar alguns desses votos que teimam em nem se dar ao trabalho de sair de casa em dia de eleições. A abstenção continua a ser o partido mais votado em Portugal e o eleitorado indeciso pode mudar radicalmente o cenário traçado por qualquer sondagem encomendada. Mas se os jovens não acreditam nos políticos (com raras excepções para além dos “aparelhos” das juventudes partidárias pelos motivos que conhecemos), como fazem os partidos para conquistar mais alguns votos? É fácil: fazem a “féta”!

“féta” é o reino da palmadinha nas costas. Discutem-se alinhamentos regados a cerveja e vinho tinto, criam-se alianças enquanto se degusta um bom chouriço, prometem-se utensílios para a cozinha e recrutam-se colaboradores juvenis. A “féta” pode assumir várias faces. Pode ser um concerto de hiphop para surfar a espuma dos dias. Pode ser o tradicional “convívio” onde se oferecem vários litros de álcool e uma série de bifanas e derivados. Pode ser o ressuscitar de uma festa esquecida como, por exemplo, uma semana da juventude (não sei como é que este exemplo me veio à cabeça…). Pode ser um torneio de futebol, de cartas ou de Pro Evolution Soccer. Podem ser muitas coisas mas o ponto comum entre todas elas é sempre o mesmo: assuntos sérios ficam à porta.

Na Trofa têm havido muita “féta” nos últimos dias. Claro que quem tem mais dinheiro do contribuinte para derreter pode fazer mais “féta”. PS e PSD/CDS-PP não têm ainda programas eleitorais (a menos de 3 semanas das eleições) mas dinheiro e recursos para“féta” não têm faltado. O PS fez uma tainada em S. Martinho, a coligação fez uma tainada no Muro. O PS fez regressar a semana da juventude, a coligação, pela mão da JSD, organizou 4 festas em 4 bares diferentes no espaço de dois fins-de-semana (mais do que nos 365 dias anteriores). O PS apareceu com aulas de ginástica, a coligação, mais uma vez pela mão da JSD, organizou um torneio de futebol.

São jogos de espelhos. As fórmulas são as do costume mas como a malta gosta de ter memória curta podem ser utilizadas por décadas até à exaustão. Claro que quem está minimamente atento percebe que tal não acontece por se procurar servir as populações mas antes porque tudo isto amealha votos. E, no meio de tudo isto, os discursos continuam vagos, os programas eleitorais (com a excepção do BE) continuam com dificuldade para ver a luz do dia, os debates simplesmente não existem e não há, até ao momento, comícios abertos aos cidadãos cujo objectivo seja única e exclusivamente a apresentação e discussão de ideias sem subversões alimentares ou baseadas em ofertas diversas.

Mas será que devemos culpar os políticos por estas práticas? Claro que não! A culpa é nossa que não só consumimos alegremente a “féta” como somos incapazes de pedir mais coerência à classe política. Eles só precisam dos votos e se nós lhes facilitamos a vida, parece-me claro de quem nos devemos queixar…

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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