Uma vítima coitadinha chamada Correio da Trofa

por João Mendes 0

Por estes dias, deparei-me como um momento de indignação do editor do Correio da Trofa. Em breve declaração no Facebook do quinzenal, escreveu Pedro Póvoas:

É com alguma mágoa que nos chegam relatos de atitudes pouco saudáveis em relação à divulgação do nosso jornal. Foi-nos dito, recentemente e por mais que uma pessoa, que os nossos jornais são “escondidos” – ou seja, distribuição boicotada – nos dois quiosques do centro (Pedro e Tina). Nesses dois locais juntos são deixados 400/500 exemplares. Um número que provavelmente nunca chega a si, a não ser que tenha a sorte de perguntar pelo jornal a alguém que saiba o canto nos confins do estabelecimento onde ele se encontra escondido.

Vamos continuar a deixar jornais nestes dois locais. Mas agora os leitores já sabem o que está a acontecer caso não encontrem lá exemplares.

Não sabemos o que move certas pessoas. Mas este tipo de atitudes só nos dão força.

Pedro Póvoas”

Apesar de bastante comovido com o alegado boicote a que o jornal de eleição do regime foi sujeito, não posso deixar de notar algumas peculiaridades. Em primeiro lugar, ler uma declaração do director de um jornal sobre uma alegada espécie de censura baseada em relatos de “mais que uma pessoa” (podem ser duas, podem ser 39 mil) remete-me para o campo do boato e da especulação, campo magistralmente dominado por tantos dos seus amigos políticos cá do burgo. A mim já mais que uma pessoa me disse que o ajuste directo que a CMT fez à Flexisílaba Publicações Lda/ Correio da Trofa teve como único intuito providenciar um balão de oxigénio ao jornal e pagar ordenados em atraso quando a outra torneira fechou e nem por isso assumi tal hipótese como dado adquirido. Limitei-me a olhar para a situação e encará-la como um simples favorecimento.

Por outro lado, se o Correio da Trofa está “magoado” com o tratamento de que tem sido alvo por parte dos quiosques da Tina e do Pedro, porque motivo continua a enviar para lá 400/500 exemplares? Se verdadeiramente acreditam que estão a ser alvo de “distribuição boicotada“, como o próprio Pedro Póvoas refere, o lógico seria cortar relações comerciais com estes estabelecimentos não é mesmo? Afinal de contas, existem outros quiosques no nosso concelho, não faltam locais para distribuir o Correio da Trofa. Para quê continuar “nos confins do estabelecimento” desta malta que parece ignorar a universalidade do “orgulho trofense”? Ou estaremos perante uma estratégia com vista a pressionar ambos os quiosques a colocar o Correio da Trofa num local de maior destaqueNão seria a primeira vez que por ali se inventavam histórias do campo da fantasia para servir objectivos ocultos.

É possível que, desde que lhe foi aplicado um preço de 0,25€ por exemplar, a população trofense tenha perdido algum interesse no Correio da Trofa. Não sei se a situação registada por altura do lançamento da primeira edição se mantêm (o número 2 da era Comunicatessen foi gratuito) mas pode estar aqui uma justificação para o cenário especulado pelo director. Por outro lado, o tom de vítima marginalizada patente nas suas palavras poderá esconder a célebre manobra do coitadinho com vista a conseguir a simpatia da população para que esta acorra aos confins destes estabelecimentos para comprar a publicação em massa. Com operadores de fantoches, sejam eles o Toninho ou as Trofices – basicamente a mesma coisa – todo o cuidado é pouco. Gente que na mesma página consegue encarnar o director responsável e cordial e o anónimo provocador e arruaceiro ao estilo dos bons velhos tempos do clones patéticos da blogosfera jota da nossa terra é rapaziada que não se pode subestimar.

P.S. As nossas audiências estão muito boas, obrigado pela preocupação! E sempre com imparcialidade, sem subsídios, sem coitadinhos e sem necessidade de nos vendermos a terceiros.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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