Uma aventura que chegou ao fim

por João Mendes 0

Quando em Julho de 2013 arrancamos com este projecto, a Silvéria Miranda e eu não fazíamos ideia daquilo que nos esperava. Estávamos fartos de discussões efémeras no Facebook, que se perdiam nas brumas do feed de notícias e que pouca força tinham para contra-argumentar a propaganda dos poderosos que nesta terra manipulam questões fundamentais em função dos seus interesses partidários. Quase dois anos depois, o partido continua a ser A prioridade de muitos destes cavalheiros. A nossa foi e sempre será a Trofa.

Contra as nossas expectativas, o trabalho destas duas formiguinhas foi dando frutos, e semana após semana, mais e mais trofenses foram entrando neste espaço, comentando e partilhando os conteúdos que aqui foram sendo publicados, e aqui e ali as abordagens começaram a acontecer. O feedback foi quase sempre muito positivo, mesmo da parte de algumas pessoas que nos últimos dias deste blogue foram demonizando o trabalho que aqui ia sendo desenvolvido. Pessoas que no tempo do anterior executivo nos vinham dar força, partilhavam os nossos conteúdos e nos saudavam pela coragem. Uma delas, então membro da oposição e hoje um dos principais responsáveis políticos da nossa terra, chegou uma vez a apelar a um jovem trofense com um problema do âmbito da acção social para me pedir ajuda para denunciar o problema. Um hipócrita como tantos outros que, estou certo, irá ler estas linhas e recordar-se. O que ele não imagina é o souvenir que guardei daquele dia. Tudo a seu tempo.

Falsas modéstias à parte, olho hoje para trás e percebo que o E a Trofa é Minha foi uma pedrada no charco de uma terra onde a elites políticas achavam que detinham o monopólio da opinião. Tão enganados que eles estavam. Enganados e desorientados, presos a esse passado sem perceber o que fazer com quem emitia opinião fora dos circuitos convencionais do poder. A desorientação era tal que nuns dias éramos perigosos socialistas, noutros sociais-democratas disfarçados e por vezes apenas do contra. A desfaçatez e a cara de pau de alguns destes idiotas de categorizar quem quer que seja de ser “do contra” é uma contradição tão grande e patética dada a sua postura de troca-tintas guiados por sistemas de dois pesos e duas medidas que chego a ter pena de tais autómatos controlados à distância pela meia-dúzia que verdadeiramente manda nos meandros políticos desta terra. Que triste que é ser um peão instrumentalizado ao serviço de um partido na busca de um tacho.

Mas nada disto nos afectava. Vozes de burros continuam a não chegar ao céu. Seguimos o nosso caminho, dissemos o que tínhamos a dizer, disparamos críticas construtivas à esquerda e a direita, analisamos discursos e propostas eleitorais, dissecamos entrevistas dos principais responsáveis políticos do nosso concelho, denunciamos situações anómalas, fossem elas ajustes directos suspeitos ou problemas na rede viária e desmontamos mentiras, do teatro da porrada das jotas até à várias e fraquinhas manipulações que aqui e ali tentaram minar o nosso trabalho. Pelo meio algumas ameaças e “avisos”, pressões inacreditáveis e nada disso nos fez recuar. Até ao dia em que forçamos o regime a denunciar em massa o nosso blogue, o que resultou num duro golpe no trabalho desenvolvido por dois jovens, a quem mais tarde se juntou o Pedro Amaro Santos, que mais não fizeram do que dar uso à sua liberdade de expressão em prol da sua terra.

Mas o regime estava incomodado e tentou de tudo. Clones no Facebook, perfeitamente identificados e que um dia ainda se voltarão contra o seu criador, peões disfarçados de anónimos com frases feitas, expressão máxima da cobardia destes senhores e senhoras, que surgiam no E a Trofa é Minha para vomitar o lixo que lhes ordenavam e mesmo a falta de carácter de inventarem mentiras sobre os autores deste blogue para tentarem denegrir as nossas pessoas junto de alguma população trofense. Poderá ter funcionado em alguns casos. Noutros, acreditem, são votos que perderam para sempre. Podem enganar alguns algum tempo mas não podem enganar todos para sempre.

Hoje, 283 posts e centenas de partilhas mais tarde, para os quais contribuíram não apenas a Silvéria, o Pedro e o Mendes mas também vários autores convidados e leitores assíduos que nos enviaram os seus textos, esta plataforma do E a Trofa é Minha fecha portas. Agradeço do fundo do meu coração, e sei que estou à vontade para dizer que o posso fazer em nome dos meus amigos e colegas que fizeram desta casa aquilo que ela é, a todos os quase 100 mil visitantes que até à hora em que escrevo estas palavras nos visitaram, que nos deram força, enviaram informação relevante, comentaram e partilharam o nosso trabalho e tiveram a coragem de dar a cara por um projecto que lhes poderia criar problemas com alguns bandalhos que pensam viver ainda em ditadura. A jornada não termina aqui e na próxima semana, se tudo correr como esperado, terão uma boa surpresa.

Aos bandalhos fascistas que poluem o regime, e agora falo apenas em nome próprio, quero dizer-vos que NADA me irá demover de continuar o trabalho até aqui feito e que não pretendo abandonar. Mandem clones, mandem anónimos, denunciem em massa e encham os ouvidos dos trofenses com mentiras a nosso respeito e tudo isso, escrevam, acabará por se virar contra vocês um dia mais tarde. O poder é efémero mas a cidadania é eterna. Um dia, quando menos esperarem, o cenário cai-vos na cabeça e, acreditem, irão perceber que mais valia terem-se comportado com democratas ao invés de se comportarem como crianças mimadas obcecadas com o poder.

Como disse atrás, isto não é o fim. Apenas o final de uma etapa. A próxima será mais forte, mais organizada e estruturada, e nem com um exército de clones nos conseguirão deter. Aprendemos a nossa lição, limamos arestas e emergiremos fortalecidos e com novas “armas” que, não fossem as tendências totalitárias de alguns, nunca teríamos que considerar usar.

A segunda vinda será implacável. Pela Trofa, agora e sempre.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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