McDonalds Trofa: uma inauguração para a história e as posições políticas que mudam ao sabor do vento

por João Mendes 0

Pelo aparato reportado por quem por lá passou no dia do majestoso evento, a inauguração do McDonalds da Trofa arrisca-se a figurar entre os grandes acontecimentos deste ano no nosso concelho. Um mar de gente, música, balões e muita folia num momento de intensa celebração onde nem o pároco local faltou e o executivo camarário esteve representado em peso.

Falei há uns meses sobre a hipocrisia política que reinou em torno deste importantíssimo dossier que tanta polémica alimentou por cá ao longo de alguns anos, desde que pela primeira vez se falou na possibilidade. Uns eram a favor e agora esperneiam pelo perigo que representa para o comércio local, outros espernearam em tempos e hoje anunciam o admirável mundo novo da restauração cosmopolita. Os comerciantes locais, aqueles que competem no mesmo segmento, fazem contas à vida: competir com um player com recursos imensos e uma máquina de marketing das mais oleadas do mundo não será tarefa fácil. Em 2011, tinham do seu lado os vereadores social-democratas do concelho. Jaime Moreira (PSD) afirmava mesmo, em reunião de câmara em Outubro de 2011 “A Trofa necessita de uma empresa destas? Andamos com uma política de proteção do comércio local da Rua Conde S. Bento e hoje vamos ter um McDonald’s a concorrer com os nossos restaurantes”. Uma posição que reflectia o entendimento da direcção do PSD sobre o tema. O que terá mudado na desde então? Terá sido apenas a cor política de quem assinou o licenciamento da obra? Isso seria "barato" demais. Em todo o caso, os meus sinceros votos de boa sorte para todos eles. Competir com hambúrgueres a 1 euro é tarefa hercúlea.

minha opinião mantem-se. A chegada do McDonalds à Trofa é algo que percepciono com perfeita normalidade. Tão normal que não se percebe o aparato e o pseudo-glamour que envolveram uma inauguração digna de figurar num daqueles programas de Domingo que se dedicam à cobertura dos eventos das elites cor-de-rosa. Afinal de contas, é apenas um restaurante que vende fast food e outras balofices cada vez mais enraizadas nos hábitos alimentares de uma Europa obesa. Mas, lá está, a tal máquina de marketing é colossal. E quem não consome a sua balofice que atire a primeira pedra.

De qualquer forma, entre gastar dinheiro na hamburgueria da Maia ou na de Famalicão e enfardar uns bons Big Macs na Trofa, mas vale fazê-lo por cá. Gera economia, aumenta a colecta de impostos (ou será que beneficia de isenções fiscais especiais?) e cria uns quantos postos de trabalho que, a julgar pelo histórico, não serão particularmente bem remunerados. A minha única dúvida, sem querer aqui levantar qualquer objecção ao tão esperado investimento privado que os amanhãs que cantavam em 2013 anunciavam mas que praticamente não se vê, com a excepção da fábrica do mandatário da campanha da coligação, é perceber se qualquer pessoa que decida abrir um restaurante na Trofa – ou qualquer estabelecimento comercial, porque não? – contará com a presença em peso dos decisores políticos locais. O precedente está aberto. Venham daí esses restaurantes!

Foto@Correio da Trofa


João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.