A obra dos parques: entre o regresso ao passado socialista e as coincidências pré-eleitorais

por João Mendes 0

À imagem daquilo que foi feito com o Parque das Azenhas pela mão do anterior executivo liderado por Joana Lima, também o executivo Unidos pela Trofa optou por inaugurar o Parque Nossa Senhora das Dores/Dr. Lima Carneiro às prestações. Assim, no passado dia 24 de Maio, foram inaugurados os novos coretos, numa festa com toda a pompa e um cenário de obras em curso como pano de fundo.

Em declarações ao Correio da Trofa, o presidente Sérgio Humberto afirmou:

"Isto representa muito para a população da Trofa, porque acho que toda a gente está ansiosa para ver o resultado das obras no parque"

Eu faço parte desse grupo de trofenses ansiosos que o presidente referiu. Mas aquilo que eu queria mesmo, e estou certo que se trata de um desejo partilhado com a esmagadora maioria dos meus conterrâneos, era ver ser inaugurado o parque, não um pedaço dele porque entretanto há eleições e é preciso mostrar serviço.

E por falar em eleições, parece que os parques serão mesmo inaugurados em cima das Legislativas. Pelo menos é o que retiro da capa do Correio da Trofa que sai hoje e que anuncia uma entrevista ao autarca na sua mais recente edição. Estas coincidências são sempre interessantes. A pseudo-variante que dá pelo nome de circular é também uma obra cujo arranque, coincidentemente, está previsto para a altura das Legislativas e, coincidência das coincidências, a sua conclusão prevista para 2017, por altura das próximas autárquicas.  

Onde andam os críticos da inauguração eleitoralista do Parque das Azenhas? Onde estão os furiosos centristas e sociais-democratas que disseram cobras e lagartos da inauguração prematura e desnecessária do passeio ribeirinho do Ave? Não estão em lado nenhum. E não estão porque nisto dos partidos, as claques são mesmo fiéis. Fosse Joana Lima a levar a cabo tal heresia e não seria, com toda a certeza, poupada da crítica violenta, como de resto o foi no final do Verão de 2013.

Resta saber de onde veio o dinheiro para a festa. Terá sido deste ajuste directo, um dos dois feitos ao senhor de Bragança que tem duas empresas que, por coincidência, têm a mesma morada? Os tais dois ajustes directos que, apesar do âmbito muito semelhante, não puderam ser concentrados num só contrato, quiçá para fintar a necessidade de abrir um concurso público? Estariam eles destinados a este senhor? Ou terá a inauguração dos coretos sido paga por fora e directamente pela autarquia? Infelizmente não sabemos, a neblina não nos deixa ver. Haja dinheiro - apesar da austeridade - e vivam as eleições!

Foto@Facebook Câmara Municipal da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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