Permite-me discordar João Pedro Costa: Joana Lima foi alvo de um ataque sem precedentes

por João Mendes 0

Eu concordo na quase totalidade com as tuas palavras mas sinto que desvalorizaste o ataque organizado e calculista do qual Joana Lima foi alvo. Gostemos ou não do seu trabalho como autarca, a verdade é que os ataques de natureza pessoal, perpetrados por pessoas sem escrúpulos que fazem da mentira o seu argumento de eleição, tiveram um efeito significativo no desfecho da batalha eleitoral. De resto um ataque sem precedentes na história da nossa terra, nomeadamente no que ao alcance diz respeito.

Não quero com isto dizer que a ex-autarca não se escudou por trás deste argumento por razões estratégicas no decurso da entrevista que referes no teu texto. Mas o cerco de que foi alvo, com mentiras absolutamente desprezíveis, disseminadas das formas mais baixas e imbecis como panfletos anónimos ou perfis falsos nas redes sociais, teve um impacto decisivo no resultado final.

O exemplo que tu desvalorizas da história do Audi Q7 é mais ilustrativo daquilo que se passou do que à primeira vista poderá parecer. Repara que, bem ou mal, determinados apoiantes do PS construíram em torno de Joana Lima o mito da mulher do povo, um mito que para mim é uma valente parvoíce na medida em que mulheres e homens do povo todos somos. Mas os seus adversários souberam usar isso contra ela, criando outro mito, o do Audi Q7, que, segundo alguns, teria origem no pagamento de um qualquer favor a um empresário de Braga. 

Quando uma mentira destas é disseminada, os seus receptores têm uma de duas alternativas: não acreditam e procuram saber a verdade sobre a história, que sabemos hoje ser mentira, ou acreditam e aí surgem os boatos e as especulações, dos favores ao comportamento elitista, que corroem a conduta ética de alguém que deve ser, antes de mais, julgado por aquilo que fez no exercício das suas funções. De boca em boca, contando-se contos aos quais se acrescentam vários pontos, a mentira transforma-se em verdade para alguns e a credibilidade da pessoa em causa é injustamente minada. E este foi apenas um de muitos exemplos que poderíamos referir. Perguntar-me-ás: mas a conduta ética do político não é algo que deve estar acima de qualquer suspeita? Com certeza. Mas quando existem provas concretas e objectivas, o denunciante não se esconde por trás de um perfil anónimo: dá a cara. Tal como fazemos por cá. Imagina quantos políticos da direita trofense sonhavam poder entrar pela Assembleia Municipal dentro, com provas destas promiscuidades nas mãos, e destruir a carreira política de Joana Lima em directo e na frente de dezenas de trofenses. Se pudessem, era o que a maioria faria. Só faltaram as provas.

Como se o boato não fosse suficiente, não tardou até que distintas individualidade trofenses, pessoas com responsabilidade política que pavoneiam falsas morais e estruturas partidárias como a JSD Trofa se comportassem de forma medíocre e irresponsável e fizessem eco de uma questão que para além de mentira era irrelevante para a avaliação do executivo de Joana Lima. Uma táctica cada vez mais comum, que consiste em tirar o foco do essencial para o colocar em questões acessórias mas extremamente polémicas que crescem como ervas daninhas. Uma táctica que já vimos nas Directas do PSD em 2010 e nas Legislativas de 2011, como explicou Fernando Moreira de Sá na sua entrevista à revista Visão em Novembro de 2013, e que regressa agora em força na campanha para as Legislativas deste ano, uma vez mais pela mão da máquina de propaganda do PSD. Sempre com o mesmo intuito: tirar o foco do essencial.

Cozinhado este caldo, com Joana Lima como ingrediente principal, foi só esperar pacientemente. De um momento para o outro todos falavam do tal Audi Q7 – e o ser humano adora histórias polémicas – e, sem capacidade de se defender de forma verdadeiramente eficaz, tarefa dificultada por gente sem vergonha ou carácter, a história enraizou-se e ganhou novas versões que iam da utilização de dinheiros públicos para a aquisição do veículo ao pagamento do mesmo com dinheiro proveniente de corrupção ou tráfico de influências. E este foi apenas um de vários boatos de que Joana Lima foi alvo. E não foi sequer o pior. E quem pensa que isto não tem impacto no voto de muitos trofenses não faz a mínima ideia de como este mundo porco funciona.

Tu próprio já foste alvo de um ataque semelhante, em muito menor escala, é certo, mas de natureza idêntica, quando o pinguim telecomandado ao serviço de gente rasca nojenta (as mesmas que fazem panfletos anónimos e que criam e disseminam boatos) te atacou – e ainda sobrou para que eu levasse por tabela – porque, na cabeça de certos bandalhos, tu hás-de representar uma ameaça qualquer. Tal como Joana Lima representou no período que antecedeu as eleições. Ou tu achas que o PSD se uniu ao CDS-PP porque achava que conseguia derrotar a anterior autarca sozinha? Repara que, apesar da vitória, o total dos votos dos dois partidos da coligação em 2009 foi 11690 ao passo que em 2013 esse valor desceu 1598 votos para os 10092. Uma queda na casa dos 14%. Sozinho, o PSD poderia muito bem ter ficado atrás do PS. E foi preciso muito meu caro: um jornal amigo, uma campanha de muitos milhares de euros onde até a cara de Sérgio Humberto apareceu envelhecida nos cartazes para piscar o olho à população sénior e muitos boatos e mentiras. O PS poderia ter feito o mesmo? Com certeza. Se calhar até tentou seguir a exacta mesma via só que com menos sucesso. Mas não te iludas: a política reles do boato tem sempre impacto e os trastes por trás dela sabiam (e sabem) perfeitamente o que estavam a fazer.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.