Destino

por Alexandra Santos 0

(o presente texto é uma obra de ficção)  

  Dinis olhava para o quadro onde o seu destino tinha horário e porta de embarque. Durante vários minutos não conseguiu desviar o olhar, esta mudança radical de vida estava-se a tornar cada vez mais real e o jovem trofense de 25 anos pensava em tudo aquilo que deixaria para trás. Com um mestrado em enfermagem e sem perspetivas de um bom emprego no país onde nasceu, foi em Inglaterra que descobriu trabalho e era para lá que levava parte da sua vida, só parte, porque mais de metade aqui ficaria, com as pessoas que o amam e em todos os locais da cidade que o viu crescer. Decidiu ir sozinho para o aeroporto, se visse a sua mãe a chorar mais uma vez, não sabia se iria ter coragem para partir.

    Sempre fora um rapaz aventureiro e tentava encarar esta situação como mais um desafio, mas o aproximar da partida deixava-o mais ansioso, mais nervoso e mais nostálgico. Gostaria de não ter de abandonar o seu país, a sua cidade… Os outros países são maravilhosos, mas apenas quando se está de passagem! A nossa comida, o nosso calor, a nossa língua… Tudo lhe seria retirado porque ele tinha que partir, porque era forçado a afastar-se!

    E depois tinha-a a ela, a rapariga que conhecera apenas há dois meses, mas a intensidade com que os viveram juntos correspondia a anos que muitos casais nunca tiveram. Não fizeram promessas um ao outro, apenas se despediram como se no dia seguinte se fossem ver, no entanto a sua ingenuidade não era tão forte ao ponto de pensar que tudo permaneceria igual. Tinha perfeita consciência de que a distância mata, mata o amor e muitas vezes o espírito. Ainda era jovem e estava preparado para a perder, apesar de nunca ter sentido por ninguém o que sentia por ela.

    Quando estava prestes a embarcar, recebeu uma mensagem: “A distância nada é para quem gosta! Regressa sempre aos meus braços que te esperam!”. Dinis leu o texto e emocionou-se. Recordou todos os momentos que viveu com ela, todos os beijos, todos os abraços, todos os carinhos… e sorriu. A partida, afinal, poderia não representar o fim. As suas palavras deram-lhe alento e esperança e fizeram-no perceber que o seu destino não se rege meramente por um quadro de aeroporto.


Foto@Diário de Notícias

Alexandra Santos

Alexandra Santos nasceu em 1980, em S.Romão do Coronado, concelho da Trofa, onde ainda reside. Licenciou-se em Ensino de Português e Inglês pela Universidade do Minho em 2003, tendo trabalhado sempre, a partir daí, na área da educação. Devido ao gosto pela escrita, tornou-se igualmente escritora, sendo a autora do livro de poesia Palavras Sussurradas.

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