Governo PSD/CDS-PP deixa metro ainda mais longe da Trofa

por João Mendes 0

Apesar da narrativa social-democrata, que afirma a pés juntos que só o PS enganou os trofenses e contribuiu para a não concretização da obra do metro, a verdade é que também o PSD, e o actual governo em particular, em muito contribuíram para a situação em que nos vemos mergulhados, enganando também eles os trofenses e contribuindo para o adiamento da obra. Tal como na destruição das finanças públicas, também aqui PS e PSD partilham responsabilidades. Nestas coisas, na cúpula do bloco central não existem inocentes nem vítimas. Apenas interesses e circunstâncias.

Os dois anteriores executivos camarários foram responsáveis por truques de ilusionismo que procuraram, em contexto eleitoral, ludibriar os trofenses com vista a obter o seu voto. A realidade encarregou-se de nos dar o estalo na cara. O actual executivo tem demonstrado não ter qualquer solução para o dossier, com as claques a apontar o dedo à sua antecessora e à configuração da obra de união dos parques, como se a engenharia não pudesse contornar com facilidade o problema. Enfim, enquanto o comando tiver pilhas, eles dizem o que tiverem que dizer.

A verdade é que se tratam aqui de opções políticas. E este governo, tal como os responsáveis da empresa Metro do Porto, optou por não apostar na expansão até à Trofa. Em sentido contrário, o governo decidiu, há pouco mais de um ano, investir cerca de 15 milhões de euros na expansão do metro de Lisboa até à Reboleira, apesar das declarações do Secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro que afirmava, em Julho de 2014, " Não haverá um euro na expansão do metro de Lisboa se também não houver no Porto". Uma opção em linha com uma já longa tradição que, uma vez mais, nos mostra como os governos PS e PSD são tão parecidos: o investimento fica em Lisboa, “o resto é paisagem”.

Mas esta história não fica por aqui. Aliás, piora: após ter falhado na sua intenção de privatizar os STCP e a Metro do Porto, cuja única proposta, dos catalães da TMB/Moventis, acabou por cair por não ter sido entregue a necessária garantia bancária, o governo virou-se agora para a alienação de ambas as empresas por ajuste directo, num movimento repentino que parece demonstrar um certo desespero em finalizar a operação antes das eleições, ao mesmo tempo que demonstra não acautelar os interesses dos cidadãos, algo que de resto tem sido imagem de marca da política de privatizações deste governo.

Ao entregar a subconcessão do Metro do Porto aos franceses da Transdev por um período de 10 anos, a vinda do metro fica ainda mais longe da Trofa. Não é expectável que esta empresa aposte na expansão das linhas, preferindo antes concentrar-se na parte rentável do negócio, colocando desta forma o interesse dos utilizadores em segundo plano. Ou terceiro. Alguns poderão tentar vender-nos a habitual banha da cobra nestas semanas que faltam até às Legislativas mas não se deixem enganar: valerá tanto como o cartaz “Resolvido” do executivo Bernardino Vasconcelos ou como a vinda de Ana Paula Vitorino para anunciar a obra em 2009.

Em Julho de 2010, em contexto de visita de Pedro Passos Coelho à Trofa – o que prometia não aumentar impostos, não cortar salários e pensões e não vender os “anéis”, não a versão fanático pró-austeridade – a CPC do PSD Trofa emitiu um comunicado onde se podia ler, a propósito do impasse da vinda do metro para o concelho, que “a Trofa tem uma presidente de Câmara obediente, que não luta nem enfrenta o Governo”. E não é que, cinco anos mais tarde, a afirmação da CPC social-democrata se aplica agora a Sérgio Humberto que nem uma luva? 

P.S. Alguém sabe por onde andam estes jovens manifestantes, que há quatro anos e meio atrás se insurgiam contra o permanente adiamento da obra? E o Metro pá?

Foto@O Notícias da Trofa 


João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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