Chega de remendos. A Trofa merece mais

por João Mendes 0

Quando os políticos do bloco central nos enganaram com promessas vãs de usarem o nosso dinheiro para trazer o metro do Porto até à Trofa, foi criado um remendo temporário para colmatar o desaparecimento da via estreita da ferrovia. Vários anos passaram e os utentes da extinta linha continuam a depender desse remendo, um conjunto de autocarros que constitui uma alternativa pobre e insuficiente para uma população espoliada e enganada por eleitoralismos.

Ora esse remendo depende de uma estrada nacional, frequentemente alvo de múltiplos remendos para preencher buracos que derivam de uma mistura explosiva entre a construção de estradas às três pancadas e materiais de natureza duvidosa, caso contrário durariam mais do que aquilo que duram. Buracos mal remendados a que se junta uma imensidão de tampas sublevadas por remendar, que agridem diariamente os nossos veículos. Há quem acredite que tudo não passa de uma conspiração levada a cabo entre oficinas de reparação automóvel, vendedores de betão de terceira categoria e maus construtores civis. Já eu acredito tratar-se única e exclusivamente de irresponsabilidade e incompetência. Opiniões.

Remendada e entupida por todos os lados, a situação caótica da EN14 forçou os responsáveis políticos a avançar com um novo remendo, a que foi dado o nome de circular. Com um calendário de execução extremamente útil aos interesses eleitorais das tropas da coligação, a construção deste remendo vem substituir mais uma promessa falhada dos ilusionistas do costume, uma variante há muitos anos prometida e defendida a que a propaganda do actual poder se refere hoje como megalómana. Manifestamente insuficiente e potenciadora de novos engarrafamentos numa zona cuja densidade populacional tende a aumentar, o remendo baptizado de circular será em breve uma realidade que, longe de solucionar os problemas de trânsito do concelho da Trofa, mais não será que outro remendo que se limitará a promover uma melhoria muito ligeira e a adiar o problema.

Por falar em remendos rodoviários, quero aproveitar esta crónica para saudar a empresa que reconstruiu a estrada por cima da antiga linha férrea junto ao parque, bem como os técnicos camarários e respectivos responsáveis que a supervisionaram. Uma estrada nova, danificada pouco tempo depois de aberta ao trânsito, é digna de nota artística. Claro que, numa terra de tantos remendos, a solução foi simples apesar de demorada: fez-se um remendo. Um remendo que de resto gera alguma trepidação no interior dos veículos que ali passam, ou não fosse ele um bom remendo, torto e feito em cima do joelho como qualquer remendo que se preze.

A Trofa merece mais que remendos. Merece mais competência na gestão de tesouraria e no acompanhamento de obras públicas. Merece melhores políticos, que prometam menos, que façam mais, que ajustem menos aos amigos e que parem de uma vez por todas de nos enganar com truques eleitorais, para logo de seguida se virem refugiar no desconhecimento da realidade que os esperava, o argumento dos incompetentes e dos irresponsáveis, que em vez de fazerem o trabalho de casa andaram a organizar tropas de choque telecomandadas, denúncias anónimas cobardes e esquemas subversivos de política rasteira. Já nos chega ter um edifício camarário que mais não é do que um remendo ou um Parque das Azenhas permanentemente remendado, que treme como varas verdes com a aproximação do Inverno. Chega de remendos. A Trofa merece mais. 


Fotomontagem "roubada" ao Facebook do meu amigo e accionista deste site Luís Cardoso que nos mostra que, quase três meses depois, a saga dos remendos continua a respirar saúde.


(texto publicado no jornal O Notícias da Trofa a 3 de Julho de 2015)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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