Sobre os resultados das eleições Legislativas na Trofa

por João Mendes 0

Os trofenses foram este Domingo às urnas expressar a sua vontade relativamente à nova composição da Assembleia da República. Lamentavelmente, o nível de abstenção entre os trofenses subiu dos 34,73% nas Legislativas de 2011 para 37,13%. A abstenção é um número difícil de desfragmentar mas a verdade é que nos revela um maior alheamento do fenómeno político e um aprofundar do afastamento dos trofenses relativamente ao bloco central, que fica bem patente na perda de votos que as duas maiores formações políticas locais, PSD (com CDS-PP incluído) e o PS, tiveram. Em 2009, PSD, PS e CDS-PP equivaliam a 84,47% do eleitorado do concelho. Hoje, esse valor desce para os 75,84%. Em votos, num universo de 33.513 inscritos dos quais apenas 21.068 foram às urnas, 15.977 votaram nos partidos que desde sempre dominaram o panorama político local. Em 2011 eram 18261.

A coligação PSD/CDS-PP viu a sua votação diminuída face aos resultados de 2011. É de resto o maior tombo de uma força partidária na Trofa que, apesar de ser inquestionavelmente a força política historicamente dominante no panorama concelhio, perde 1750 votos - comparativamente aos resultados agregados de PSD e CDS-PP em 2011 - e desce dos 53,34% das últimas Legislativas para um resultado de 46,43%, menos 6,91%. Um resultado que de resto segue a tendência nacional.

O Partido Socialista sofreu também uma perda de votos, ainda que menos significativa, tendo recuado dos 31,13% de 2011 para 29,41%, algo que se traduziu num decréscimo de 534 votos. Joana Lima, em lugar à partida elegível, não consegue regressar à Assembleia da República e confirma-se uma tendência de emagrecimento do eleitorado do PS na Trofa, no seguimento da derrota nas Autárquicas de 2013.

A CDU viu o seu eleitorado crescer de forma residual, conquistando mais 111 votos e avançando 0,64% face a 2011. Um crescimento que de resto se mostrou insuficiente para manter a CDU como quarta maior força partidária no concelho da Trofa, em linha também com o resultado nacional, tendo sido ultrapassada, por larga margem, pelo Bloco de Esquerda, que conquista nestas Legislativas o dobro do eleitorado da CDU.

O Bloco de Esquerda é a grande surpresa deste acto eleitoral. Com um núcleo jovem que só muito recentemente foi criado no nosso concelho, o BE consegue um crescimento surpreendente e mais que duplica o número de votos - de 849 para 2052 - e o resultado percentual - de 3,93% para 9, 74%. Uma tendência que, em termos percentuais, ultrapassa de forma significativa o acentuado crescimento que o Bloco obteve no total nacional. O partido passa assim a ser a terceira força política no concelho* e consegue uma votação muito próxima da votação do CDS-PP em 2011: 2116 votos. 

A Trofa foi portanto um espelho dos resultados obtidos a nível nacional, contrariando aquilo que tinha acontecido nas Europeias no ano passado. A coligação vence apesar de ver o seu eleitorado encolher cerca de 15% em número de votos e quase 7% em termos percentuais, o PS continua a perder terreno e acumula a terceira derrota consecutiva, depois de ter perdido as Autárquicas em 2013 e as Europeias em 2014, e a CDU e o BE confirmam a tendência de crescimento num concelho tradicionalmente de direita. Números que merecem a nossa reflexão e que revelam mudanças no tabuleiro político do concelho da Trofa. Uma espécie de sondagem daquilo que nos poderá esperar em 2017. A título de curiosidade, os votos do BE e da CDU em conjunto, caso estes partidos decidissem coligar-se para as próximas Autárquicas, seriam suficientes para eleger um vereador, algo que seria não só histórico como lhes poderia conferir um imenso poder num cenário em que a coligação PSD/CDS-PP e o PS obtinham 3 vereadores cada. Cenários hipotéticos que valem o que valem.  


* A afirmação de que o BE passa a terceira força política local decorre do facto de ter ficado a apenas 58 votos do resultado do CDS-PP em 2011, e do facto da coligação ter perdido 1750 votos, que não serão da exclusiva responsabilidade do PSD. Usando uma regra de três simples, é possível obter um valor aproximado/médio da perda de votos de cada um dos partidos. Os meus resultados - valem o que valem - revelaram uma perda de aproximadamente 321 votos para o CDS-PP e 1429 votos para o PSD. Em 2011, o CDS-PP conseguiu 2116 votos. Em 2015 não iria muito além dos 1800.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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