À procura do Mr.Right

por Alexandra Santos 0

     Nós, mulheres solteiras, na casa dos trinta, deparamo-nos muitas vezes com a dificuldade de encontrar homens mais ou menos da nossa idade, em contexto social, com características e gostos semelhantes aos nossos, que ainda estejam descomprometidos e sem nenhum trauma relacional.

     O mundo digital torna-se, desta forma, apelativo nesta busca sem sair de casa. No entanto, será o método mais eficaz para se conhecer a nossa cara-metade? Decidi investigar.

     Lancei-me, por conseguinte, num site de conversação, com uma foto modesta e alguns dados no meu perfil. Qual não foi o meu espanto quando verifiquei que bastavam cinco minutos para ser abordada por todo o tipo de homens e que, como num supermercado, eu tinha o poder de escolha e aquele que apresentasse aspetos mais interessantes no seu perfil poderia ter a honra de conversar comigo. Analisar os homens que foram surgindo não foi tarefa fácil, até porque não sou psicóloga, mas consegui agrupá-los nos seguintes tipos:

     . O obsessivo – Aquele que apesar de não obter resposta, de cinco em cinco minutos manda a seguinte mensagem: “Olá, não falas comigo?”; “Olá, não falas comigo?”

     . O trolha – Aquele que utiliza as frases de engate já usadas há vinte anos e que ainda acredita que possam surtir algum efeito em alguma alma carente. Exemplos: “Deves comer muitas cenouras para teres uns olhos tão bonitos!”; “O teu pai deve ser um terrorista. És cá uma bomba!”; “Doeu muito quando caíste do céu, meu anjo?”

     . O comerciante – Aquele que começa pela sedução para tentar vender um seguro de saúde.

     . O da foto falsa – Para este existem três opções:

                                  - aquele que é tão feio, tão feio, tão feio, que uma foto sua assustaria até um morcego;

                                   - aquele que mente e tem algo a esconder (quem sabe um casamento);

                                   - aquele que não se sente bem com a idade que tem e tenta parecer vinte anos mais novo.

     . O direto – Aquele que diz: “Sexo, alinhas?”

     . O analfabeto – Aquele que dá erros em quase todas as palavras. Ex: “És linda e jeitoza á vraba.

     . O deprimido – Aquele que nos conta, a chorar, os piores acontecimentos da sua vida e nos chama de melhor amiga após cinco minutos de conversa;

     . O exagerado – Aquele que menciona a nossa tamanha beleza, incomparável em todo o universo, através da visualização de apenas uma foto.

     . O vingativo – Este é o mesmo que o obsessivo e o da foto falsa. Como não lhe dissemos nada, regressa agora com um perfil diferente e, ao obter resposta, insulta a nossa falta de carácter por não termos escolhido o seu eu verdadeiro.

     . O humorista – Aquele com quem, de forma inteligente e divertida, dá gosto conversar, até à altura em que começamos a falar de atividades de lazer e ele confessa: “Gosto de experimentar a roupa interior feminina das mulheres com quem saio. Queres ser uma delas?”

     . O homem perfeito – Se parece demasiado bom para ser verdade, provavelmente é.

 

     Depois desta profunda análise aos tipos de homem que vão surgindo nos meandros dos sites de conversação, a escolha será complicada? Caras leitoras, deixemo-nos de conversas virtuais e passemos às nossas vidas reais, onde tudo ainda pode acontecer e a esperança num encontro casual com um tal Mr.Right é sempre a última a morrer. 

Alexandra Santos

Alexandra Santos nasceu em 1980, em S.Romão do Coronado, concelho da Trofa, onde ainda reside. Licenciou-se em Ensino de Português e Inglês pela Universidade do Minho em 2003, tendo trabalhado sempre, a partir daí, na área da educação. Devido ao gosto pela escrita, tornou-se igualmente escritora, sendo a autora do livro de poesia Palavras Sussurradas.

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