Adélio Dani - Episódio XIII

por José Calheiros 0

Com urgência, apresenta-se a necessidade de aprender a nadar. Adélio Dani começou a ler livros técnicos sobre a concentração de sal dos mares e aprendeu que para não se afogar, mesmo sem saber nadar, a salinidade do mar tem que ser superior a 55 %. Mares com estas características apenas se encontram em alguns locais do Médio Oriente e Ásia, mas Adélio ainda não se acha preparado para imigrar, nem mesmo para concretizar o objectivo de ser nadador-salvador… tem que arranjar outras alternativas.

- Au, au, au, au, au, au, auuuuuuu, au, au!

- É isso Rubi, perfeito! – Exclama Adélio Dani, que percebeu mal o latir do seu amigo.

Foi de imediato a casa de Alfredo, um columbófilo romântico de meia-idade, famoso por ter mais hamsters do que pombos.

Devido à sua fraca visão, Alfredo, por vezes (quase sempre) lança hamsters do cimo da sua garagem, com um papel atado à pata, dizendo-lhes: – “Ide e trazei novas da minha amada!”. A sua amada é um marco de correio, que um dia, estando ele um pouco bebido, associado à sua fraca visão, confundiu com uma mulher de vestido vermelho. Este amor foi separado à nascença! Alfredo conta que “os pais dela não permitiam e levaram-na para longe!”. Esta separação coincidiu com umas obras da Junta em que recolocaram o marco de correio no outro lado da rua…Alfredo nunca mais a viu!

Chegado a casa de Alfredo, Adélio chama-o insistentemente.

- Quem é? – Pergunta Alfredo.

- Sou eu Alfredo, o Adélio!

- Espera, estou a lançar um pombo com uma mensagem!

E cai um hamster aos pés de Adélio com um papel atado à pata, que é imediatamente perseguido por Rubi. Entretanto Alfredo aparece.

- Ah, Adélio “O promissor”… ainda me lembro de ti quando eras bebé! Fino como um pombo! O que queres?

- Preciso de um empréstimo teu…de pombos!

- Humm, pedido estranho, meu jovem!

- Explicado, não tem nada de estranho! Quero iniciar-me na actividade de nadador-salvador, mas, mas, mas, mas…! – E é interrompido por Alfredo.

- Mas não sabes nadar!

- Não…é essa a questão! Eu quero fazer uma coisa diferente, quero fazer salvamentos aéreos no mar! Se me emprestares alguns pombos, os mais fortes, prendo-os ao meu corpo e quando alguém se estiver a afogar eles levantam voo comigo e salvamos a pessoa…e nem me molho!

- Humm, realmente, explicado faz sentido! Vou buscá-los, espera aí.

Alfredo demora. Nesse tempo de espera caem mais três hamsters com papéis atados às patas. Uma hora depois:

- Desculpa a demora Adélio, tive que mandar uma mensagem…tinha muito a dizer!

- De nada, de nada, estás à vontade!

- Pega Adélio, – E passa-lhe uma caixa de cartão com alguns furos – Aí dentro estão os meus melhores pombos, quatro, ganharam as competições mais importantes! – E passa a descrevê-los - O Perez, um pombo chileno, ganhou o concurso de melhor voz; o Eros, é grego, ganhou uma prova internacional de levantamento do supino; o Matias foi participante finalista da “Casa dos segredos”(ainda não sabem que ele é um pombo) e o maior, o verdadeiro artista, o Manel, um pombo de Canelas, que detém o recorde mundial de mais tempo sem voar!…Nunca vi! Toma bem conta deles!

Adélio Dani recebe a caixa com os olhos humedecidos e os dois despedem-se. Adélio regressa a casa enquanto Alfredo foi escrever outra mensagem.

Chegado ao seu lar, Adélio pousa a caixa com os “famosos” e entretanto Rubi chega com o hamster no seu lombo. Após terem conversado, o cão e o gato, descobriram que tinham coisas muito fortes em comum e ficaram amigos. Um pouco mais tarde chega Dália a resmungar sozinha: – Há quase cinco anos a dar toques e retoques e o arranjo nunca está bem! 

Nessa noite, Adélio deitou-se cedo e adormeceu a pensar: “já tenho tudo para concretizar o meu sonho, nadador salvador…uau!” Deitados ao pé da cama, estão Rubi e o seu novo amigo.

 

Não muito longe, Augusto, pai de Adélio cujo desaparecimento o incentivou à escolha de nadador-salvador, sai para mais uma noite de sedução e romantismo!

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