10 tipos de cliente do Pingo Doce - Trofashopping

por César Alves 0

                 Estava eu no meu local de trabalho, a caixa do Pingo Doce – Trofashopping, quando um Trofense, que conheço por me cruzar com ele várias vezes, entrou no supermercado, cuspiu no chão junto ao corredor dos produtos de higiene (ah, a ironia…) e seguiu o seu caminho.

Este, caro leitor, foi o ponto “alto” do meu ano de trabalho neste estabelecimento.

                Nunca pensei que fosse no primeiro emprego que iria presenciar os maiores exemplos da falta de civismo que a Trofa já me apresentou. O catálogo de clientes deste estabelecimento é grande, e seria injusto colocar todos dentro do mesmo saco. Àqueles a quem a carapuça não serve, o meu sincero obrigado. Também sorri imenso e acumulei momentos positivos.

                Posto isto, e porque prometi apelar ao pensamento neste espaço, vou elencar os 10 tipos de clientes que me deixaram a coçar a cabeça e a pensar para onde vai a espécie humana

1 – O desarrumado

Este é quase mitológico. Uma espécie que vagueia pelos corredores, escondido à vista de todos, mas que toda a gente sabe que ele existe. Sim, porque os quartos de melancia não vão parar à prateleira das geleias sozinhos.  Ou aquele creme depilatório não ganha, de repente, pernas e caminha até ao meio das “chiclas”. É a única espécie que nunca tive oportunidade de ver atuar ao vivo, com a sua criatividade, qual anarquista, que gosta de trocar os produtos de sítio.

2 – O atleta de alta competição

O atleta de alta competição é aquele para quem a fila da caixa é como a volta a Portugal. O desejo da camisola amarela é tão grande, que chega a colocar o cesto das suas compras em cima das compras das outras pessoas, dizendo “eu estava primeiro!” (sim, eu presenciei este momento).

3 – O apressado

O tipo mais comum de cliente. Aquele para quem cinco minutos numa caixa equivalem a duas horas, mas que, se necessário, perde meia-hora do seu tempo na conversa com alguém, dentro da loja. O apressado apresenta alguns tiques: desde o olhar constantemente para o relógio, até ao vulgar “tss” com a boca, passando pelo levantar da cabeça, girando como um girassol, à procura de uma caixa que seja aberta entretanto. Aqui, assemelha-se ao atleta de alta competição, pois basta ouvir a frase: “Pela mesma ordem, podem passar para esta caixa” para correr para ser o primeiro (sim, a mesma ordem muitas vezes não interessa.)

4 – O deslocado

Aquele tipo de cliente que está habituado aos outros supermercados e que se sente profundamente deslocado. O melhor exemplo foi a cliente que me disse (quer dizer, não a mim, porque isso seria utópico. Disse para o ar, esperando que eu ouvisse): este supermercado é sujo, está sempre desarrumado, o Continente é que é bom, é mais asseado, as pessoas são mais simpáticas… (é até se cansar). O mais engraçado é que, provavelmente, no Continente a mesma cliente diria as mesmas coisas.  (perceberam esta referência ao exército do contra?)

5 – O sem vergonha na cara

Esta categoria é especialmente dedicada a uma cliente. Como a maioria, não sei o seu nome, mas a nossa história marca-se pelo seguinte. A senhora queixou-se, na fila, que a minha caixa era a mais lenta da loja. Não sei se era ou não, mas foi, durante um ano inteiro, foi a única cliente que se queixou. Quando passei as suas compras, tentei ser o mais rápido possível. Ao que recebi a resposta: “Armou-se em fino, a passar depressa, agora vai esperar.” E a partir daqui, todos os seus movimentos, desde abrir a carteira ou tirar o dinheiro para me dar, foram em câmara lenta. Engane-se quem pense que é um caso único.

PS: Uma nota de apreço para os clientes que insultam os operadores de “lesmas”, “atrasados” ou “mongos”. Nós queremos despachar-nos na caixa. E este ou aquele operador pode ser mais lento (provavelmente está a aprender). Mas esta atitude deplorável em nada ajuda. Gostava que estas pessoas imaginassem os seus filhos na mesma situação.

6 – O elitista

Ah, Trofa não era Trofa sem esta categoria. Os sacos de batatas deixam, naturalmente, pó no tapete da caixa que, um operador que se preze, limpa antes de atender o cliente seguinte. Mas o elitista não dá tempo para isso. Eis o diálogo (antes monólogo, o operador nem respira) do exemplo que inspirou esta categoria:

Elitista: Mas isto é caixa que se apresente? Limpe-me isto já antes de eu colocar as minhas compras.

Operador de caixa: Não diz nada, claro. “O cliente tem sempre razão”

Elitista: Agora isto vai ser assim. Vai colocar-me estas compras neste saco, estas compras naquele saco e estas neste saco.

O elitista não é apressado. Porque é de uma elite, logo, superior a todos os outros, os clientes atrás bem podem esperar.

7 – O Sol

O cliente sol é o centro do sistema. Quando uma caixa vai fechar (sim, as pessoas não sabem, mas os trabalhadores dos supermercados também têm um horário de trabalho).

Operador: Esta caixa vai fechar.

Cliente Sol: Ai vai? Mas agora vai atender-me a mim, não quero saber.

8 – O Antipático

Muito simples, esta categoria. O antipático caracteriza-se pela expressão carrancuda, o semblante carregado, e a agressividade na fala. Ao ponto de, quando o operador diz “Bom dia, Boa tarde ou Boa noite” a resposta quase automática é: quero um saco. Obrigado pela simpatia!

9 – O anti-operador

É caso comum o operador de caixa ser o culpado de todos os males que existem na loja. E então quando toca às promoções – esse método de marketing infalível que leva as pessoas a gastarem ainda mais – os clientes viram autênticos loucos. Toda a gente percebe que as lojas são informatizadas, que há um sistema. E, como em qualquer tecnologia aliada à ação humana, há erros. E que o cliente tem todo o direito em reclamar. Até porque antes de sermos funcionários, somos todos são clientes. O que não pode acontecer é a falta de respeito que existe quando a pessoa que está à nossa frente, muito provavelmente, não tem culpa nenhuma.

10 – A coruja noturna

Por último, a coruja noturna. Aquele cliente que, provavelmente, não tem relógio. Ou, agora que penso bem, será primo do elitista?

É que o cliente coruja noturna entra no supermercado a 5 minutos do fecho da loja para fazer as compras do mês. Graças a este tipo de cliente, é normal os trabalhadores saírem da loja mais de meia-hora depois do horário do fecho.

                Caro leitor, faço um apelo. Com este artigo não estou a defender o Pingo Doce. É uma grande empresa que, como muitas outras, não quer saber dos clientes mas sim dos números, do lucro. E também não defendo todos os funcionários porque, como em todo o lado, há os bons e os maus. Mas há muito boa gente a trabalhar, aqui e em todo o lado, que merece respeito. Respeito por muitas vezes entrar naquela loja às cinco da manhã para que o cliente tenha os produtos na loja. Para que a loja esteja limpa e arrumada quando abre.

                A Trofa tem um potencial humano muito grande. Basta olharmos à nossa volta e vermos a quantidade de pessoas a singrar na vida, nas mais diversas áreas. Mas temos de lutar para que, cada vez mais, esse grupo seja maior.

Por isso, um apelo ao respeito, ao civismo, ao… pensamento! Podemos não conseguir mudar o mundo, mas podemos fazer a nossa parte.

Comentários

  1. Sofia Moreira

    Para a pessoa que escreveu este artigo com certeza que já não trabalha no pingo doce, caso contrário já mais se iria vir a preocupar em fazer um top de diferentes tipos de clientes com um cheirinho a critica! Fica-lhe muito mal criticar um estabelecimento para o qual já trabalhou, e fica pior ainda criticar e destinguir os diferentes tipos de clientes, pois no nosso dia a dia como trabalhadores estamos sempre habilitados a lidar com diferentes tipos de pessoas. Ah, e já agora! Adorava que alguem com o tempo da pessoa que se preocupou a fazer esta lista, também fizesse um top dos 5 piores tipos de funcionários do pingo doce/Trofashopping que aí sim iria ter muito pano para mangas! Sao inadmissíveis os episódios de má formação e educação que já assisti nesse estabelecimento que se fossem comigo não eram deixados passar em vão! Mas é por isso que já não perco tempo a ir fazer compras lá. Existem muitos outros pingo doce que para alem de ter sempre os produtos em dia, também não estou habilitada a ouvir o que não quero de pessoas sem minima formação que em vez de tentarem mudar os seus aspetos negativos, estão por de trás de um teclado a fazer criticas a clientes que vos dão que fazer durante o dia! Mas nada muda e é por isso que o nosso país não anda para a frente

    1. Texas Texas

      Fica muito mal e as pessoas que percisam de fazer compras nos super mercados, andar a pe e repirarem e nao o saberem fazer. Certamente nunca fizeste atendimento ao publico e decerteza absoluta que a unica coisa que aqui estas a fazer no planeta terra depois da observacao que fez e ocupar espaco, roubar posto de trabalho, e queimar oxigenio. Se eu mandasse neste pais de merda de gente pequenina e burra voces pagavam todos imposto para falar, respirar e andar a pe pois nao o sabem fazer. VOCES SAO MAUS

    1. Bapho  de mete

      Gentalha que assim pensa não devia emitir opiniões.

    1. Sofia Moreira

      Melhor media que a minha? Ahaha de facto agora é que a senhora perdeu a credibilidade toda, desde quando é que uma media escolar define a inteligencia da pessoa?? Se formos a pensar a senhora é um bom exemplo, ja que pensa dessa forma, mostra que não é muito inteligente por achar que a sabedoria se define por uns números (e ao a ver falar dá a entender que teve uma boa média) e nao é por isso que é melhor profissional do que eu! E digo-lhe mais, o bom senso e educaçao nao se aprendem nem se compram na escola minha cara, e boas notas? Basta ter 'fundos' para as ter. E apesar de ter cometido um erro ortográfico que ja vi que para a senhora realmente foi algo imperdoável que ja consegui que me pinte de tal forma para insinuar que sou má formada (que mal que lhe fica) pedia que em vez de se mostrar tao indignada com uma troca de letras, lê-se realmente o que escrevi. Dei a minha opinião pois sou absolutamente livre de o fazer e agora que está dada despeço-me destes comentários pois realmente a minha vida é mais do que isto.

    1. Mónica  Oliveira

      "E sabe porque não fiz queixa? Por mera pena! Porque tive ambissao de estudar para exercer um cargo que quis e não ser uma frustrada que desempenha um emprego que não gosto como estes funcionários em questão." Cara Sofia Moreira, se os seus tais estudos e esforços tivessem sido tão frutífuros como apregoa, saberia que se escreve "ambição" e não "ambissao". É um erro básico esse. Pode ter toda a razão do mundo em criticar funcionários que não tenham ética profissional, mas colocar-se no topo da pirâmide só porque não trabalha numa caixa de supermercado, e rebaixar essa profissão a ponto de dizer que é uma profissão escolhida por aqueles que não são ambiciosos nos estudos fica-lhe mal, muito mal. Muitas das pessoas que lá estão são licenciadas e mestrandos, muito provavelmente com médias melhores do que a sua. E escrevem "ambição". E mesmo que não fossem, há muita gente a trabalhar em supermercados por opção própria, porque acredite ou não, é um trabalho tão necessário como qualquer outro. Se calhar o melhor é começar a pedir o livro de reclamações que esses estabelecimentos têm, em vez de vir para aqui debitar ódios elitistas. E erros crassos.

    1. Miguel  Matos

      Com isso concordo plenamente. Há clientes extremamente complicados mas em todas as situações devemos permanecer profissionais, já estive em alguns supermercados em que as pessoas que lá trabalhavam teriam sem duvida sido severamente punidas por certas atitudes. O problema de muitos empregados e clientes é nao saberem diferenciar entre exigência ( o cliente paga logo tem direito claro) e o puro civismo ( o reclamar sem qualquer razão/ falar de maneira errada para um cliente que infelizmente teve o azar de apanhar um funcionário mal disposto). Agora claro há situações como o ir fazer compras a faltar 5 minutos para fechar a loja que já fazem parte do senso comum. A menos que seja uma emergência (comida para bebe por exemplo) os clientes têm que entender que ao ficarem depois de a loja encerrar o seu horário, o empregado nao recebe e estão muitas vezes a impedir toda uma equipa de irem para casa descansar ou passar tempo precioso com as suas famílias. Resumindo, na minha opinião, temos que aprender a encontrar o meio termo e usar o bom senso tanto como funcionário como cliente. A senhora tomou a decisão certa, mudou de loja, outros não tomariam uma decisão tão acertada!

    1. Sofia Moreira

      Concordo plenamente com o que o senhor acabou de afirmar. Também trabalho com pessoas diariamente e sei perfeitamente como as pessoas são, mas também sei precisamente como lidar com cada diferente tipo de pessoa, e sabe o que se chama a isso? Ser profissional! E agora veremos, em media de 1500 clientes que passam neste super mercado (sim, porque se não percebeu, gostava de dizer que me vim dar ao trabalho de comentar este artigo precisamente por ser o pingo doce do Trofa shopping a quem sempre irei tecer duras criticas a este estabelecimento), existem 30 funcionários (se tanto) e no total são 1530 pessoas a interagir entre si durante um dia, cada um com diferente tipo de personalidade, diga-me se ha possível justificação para um funcionário que está a trabalhar para uma empresa de grande porte ser rude com os clientes como alguns funcionários do Trofa shopping são! Não percebo como é num dia eu não encontrava um artigo assinalado em promoção e fui perguntar onde estava, a funcionaria super arrogante indicou-me uma prateleira ao qual eu continuei sem encontrar o tal produto e ela dirigius-se a mim de tom agressivo dizendo "você não vê mesmo à frente dos seus olhos? Realmente só me quer dar trabalho" ou já me aconteceu pedir ajuda e dizerem-me 'agora não porque estou muito ocupado " acha isto admissível? Acha? E sabe porque não fiz queixa? Por mera pena! Porque tive ambissao de estudar para exercer um cargo que quis e não ser uma frustrada que desempenha um emprego que não gosto como estes funcionários em questão. E como sei que estes dois funcionários vivem exclusivamente deste emprego apenas tomei a medida de mudar de super mercado, e espero que estes funcionários tenham o prazer de conhecer clientes tao rudes como eles para passarem o desconforto e humilhação que senti neste pingo doce, pois felizmente não estive à altura(ou falta dela) de responder com arrogância ou agressividade a estas pessoas que por muito que não concordem tem que engolir muitos sapos se querem o dinheirinho ao fim do mês. E não vale a pena argumentar mais, mas acho uma certa ironia um funcionário vir criticar os clientes do pingo doce do Trofashopping quando para mim este é o pior super mercado ao qual tive o (des)privilégio de estar

    1. Maribel Moreira

      Não é de todo só na Trofa penso que este top estende se a todo o país. Os clientes muitas vezes são autênticas bestas, nem todos alguns são uns amores. E não é só no Pingo Doce. Os funcionários dos super/hipermercados também são humanos, caso não saibam.

    1. Maribel Moreira

      Elitista com certeza. A perfeição no mundo.😝

    1. Miguel  Matos

      Cara Sofia, claramente tem a sua razão, já trabalhei vários anos em supermercados e muitas vezes assisti a casos de má formação dos funcionários (muitas vezes por culpa da própria empresa) e infelizmente devido a alta rotatividade dos quadros é comum aparecerem alguns funcionários menos "bons". No entanto a sua razão termina ai , nada justifica algumas faltas de civismo que assisti durante os meus anos de trabalho nessa temível área. Com certeza alguns dos casos aqui apresentados são um pouco exagerados na minha opinião (o antipático ou o elitista por exemplo), mas isso não invalida o facto de sermos todos pessoas com o direito a ser tratados justamente e com educação. Se tem alguma razão para reclamar tem todo o direito de o fazer, existem locais e métodos apropriados para isso. Gritar com funcionários ( já vi acontecer varias vezes), usar insultos, ou ate usar a celebre desculpa de " o cliente tem sempre razão" não deve, nem irá justificar actos inconscientes. Eu fui criado e educado para acreditar que se tratarmos bem os outros iremos ser bem tratados. Agora tenha cuidado com os exageros. É por causa disto que o nosso país não anda para a frente? Meu Deus. O nosso país não anda para a frente porque existem pessoas que só têm olho para o seu umbigo e não se preocupam minimamente com os outros (os nossos políticos são um excelente exemplo disso).

  1. Tiago Costa

    De facto, vi um homem cuspir na secção de higiene o ano passado penso que se trata da mesma pessoa

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