O triste e repentino adeus da Ponte da Peça Má

por João Mendes 0

Ficamos hoje a saber que a ponte da Peça Má será demolida nas próximas horas. Um dos poucos pedaços de história que ainda nos restava, uma das últimas pontes de alvenaria na zona, que nos será subtraída, sem mais nem menos e sem que os trofenses tenham uma palavra a dizer. Progresso? Foi o que nos disseram quando decidiram demolir a Ponte Pênsil.

Na Assembleia Municipal de Janeiro, distintos trofenses como o comendador Eurico Ferreira, o professor Manuel Silva ou o presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos e Guidões, Adelino Maia, mostravam já a sua preocupação com esta possibilidade transformada em realidade nas últimas horas, referindo ao valor histórico, arquitectónico e patrimonial da estrutura. Eurico Ferreira avançou mesmo com uma sugestão alternativa, assente numa obra com vista ao enquadramento da ponte com a estrada, afirmando, sustentado num estudo que citou, que essa solução se revelaria mais económica do que a que agora nos é apresentada. De nada lhes valeu.

Carlos Martins, autarca da freguesia onde se encontra a ponte, sugeriu a criação de uma comissão para estudar alternativas à demolição. Sérgio Humberto parecia concordar, indo mesmo mais longe ao usar a palavra “referendo”. Porém, até ao momento, nem comissão, nem referendo e da CM da Trofa apenas um curto comunicado, publicado esta tarde no Facebook da autarquia, onde, qual Pôncio Pilatos, lava as mãos do triste destino desta ponte e procura desvalorizar a sua importância patrimonial, arquitectónica e cultural.

É triste. Triste porque ficamos mais pobres, triste porque deixamos que uma parte da nossa história seja reduzida a nada sem que tenhamos tempo de reagir, triste porque somos apanhados de surpresa, no dia antes da demolição, sem que os responsáveis locais tenham tido o bom senso de informar atempadamente a população.

Termino, fazendo uma alusão a um passado não muito distante, por altura do início das obras no Parque Nossa Senhora das Dores/Lima Carneiro. Alguém ainda se lembra da indignação que se gerou pelo abate de árvores centenárias? Lembram-se dos promotores dessa mesma indignação? Pois. O que dirão eles agora sobre o abate de uma ponte histórica, mais velha do que a maioria dos trofenses, que faz parte da nossa história comum e que, ao contrário das árvores, nunca mais voltará a crescer?

Foto: Correio do Porto

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

  1. Fernando Almeida

    É uma pena que toda esta gente esteja tão mal informada, ou que seja tão distraída, como se infere da ignorância demonstrada, perante o perigo que este viaduto representa e que sempre representou para todos aqueles que circulam neste lugar da EN14, seja do Porto para Braga, seja em sentido contrário. 1.- Os camiões, dotados de enormes contentores de carga, quando se aproximam do viaduto, ocupam o eixo da via, a fim de que tais contentores não esbarrem contra as pedras do arco. 2.- As marcas bem visíveis são o testemunho do que afirmo e demonstram que alguns camionistas distraídos têm esbarrado contentores contra essas pedras...! 3.- Tal situação representa um perigo constante para todos, já que não existe código de estrada que resolva o problema. Só um dispositivo de "CIRCULAÇÃO ALTERNADA PARA CADA SENTIDO" seria eficaz na redução do perigo. 4.- Na imensidão dos génios que existem no País, ninguém se lembrou, pelo menos, de "REBAIXAR" o pavimento da estrada em dois ou três metros, sob o viaduto. O desnível seria "disfarçado", ao longo do restante trajecto, na vizinhança do local, a jusante e a montante. 5.- Para quem defende que "A Ponte da Peça Má TEM VALOR HISTÓRICO E PATRIMONIAL", deixo aqui um episódio, para que seja incluído no tal "VALOR HISTÓRICO". Foi o seguinte: Numa data, que não sei precisar, situada entre 1972 e 1974, um automóvel que descia (na direcção de Braga), a poucos metros de chegar ao tal viaduto, foi esmagado pelo enorme contentor que se desprendera, naqueles instantes, de um camião que subia na direcção do Porto. Eu apenas vi o automóvel, esmagado pelo contentor, num pequeno talude que ali existia, à direita de quem desce, próximo do "PRECIOSO(?) VIADUTO". O acidente havia ocorrido poucos minutos antes da minha chegada ao local, conforme alguém me informou, ali mesmo. Quando por ali passo (já foram "milhões de vezes"), tenho enorme receio... Jamais esqueci esse trágico espectáculo. Talvez este comentário venha a ser lido por algum familiar daquele infeliz automobilista, esmagado pela estupidez de gente, cuja culpa morre sempre antes de se casar, neste País... Seria a única maneira de alguém, eventualmente, vir aqui defender que este episódio trágico não é, infelizmente, mera fantasia da minha imaginação. 6.- Tenho a propor uma de duas hipóteses: 6.1.- Derrubam o viaduto... ou... 6.2.- Desviam a EN14 daquele fatídico lugar. Quanto ao que são interesses e aspirações da Trofa, até hoje nenhuma resposta eficaz foi dada pelos mandantes de Lisboa: - Nem o Metro foi construído, - Nem aquele infeliz viaduto foi destruído, - Nem as variantes às duas EN's que se cruzam no "super-centro" da TROFA, foram implementadas. Este "super-centro" é também conhecido pelo emblemático nome de "ROTUNDA DO CATULO". Há milhões de euros para "TUDO e para MAIS ALGUMA COISA". Só não aparece um cêntimo para aquilo que interessa. - Uma vergonha inqualificável, a comprovar a incompetência de políticos, pagos a bom preço, para desgovernar este País...! Isto é, em vez de produzir soluções, cada organismo diz que a solução cabe ao outro: a)- O que "manda" nas ESTRADAS diz que a competência é de quem "manda" no "METRO". b)- O que "manda" no "METRO" diz que a competência é de quem "manda" nas ESTRADAS. c)- Finalmente, o que "manda" nas FINANÇAS aponta-me o dedo e diz que a competência para custear as despesas destes três organismos, mercê da minha comprovada experiência, apenas cabe a MIM..!

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