Caro trofense, seja bem-vindo à campanha eleitoral para as Autárquicas de 2017

por João Mendes 0

Para os lados do bloco central trofense, e apesar da condição não-oficial da coisa, a campanha eleitoral para as Autárquicas 2017 já está na rua. É certo que ainda não estamos a ser bombardeados com propaganda em larga escala, que os camiões repletos de bandeiras e slogans de ocasião ainda não entopem as estradas e que as comitivas partidárias não saíram ainda do quartel-general para abordar pessoas com quem já não cruzam olhares desde 2013, mas existem já sinais claros de que o combate começou.

Do lado do PS Trofa, isto tornou-se para mim notório com o caso da demolição da ponte da Peça Má. Apesar de nada ter feito durante os quatro anos em que ocuparam o poder para evitar o desfecho que agora conhecemos, destacados socialistas agarraram-se com unhas e dentes ao sentimento de injustiça e revolta que se apoderou da parte da população que se insurgiu contra a destruição daquele marco. Contudo, durante o seu curto período à frente dos destinos da CM Trofa, o PS não mexeu uma palha no sentido de classificar aquela ponte como património. E podiam tê-lo feito. Transformar agora esta questão em arma de arremesso político parece-me oportunista e incoerente.

Do lado da coligação, fomos brindados com um daqueles clássicos que todos conhecemos de ocasiões anteriores. Foram precisos três anos para que o executivo camarário decidisse dar início a obras como a requalificação do troço da EN104 que liga o centro de Bougado à rotunda da Cêpa, uma estrada percorrida diariamente por milhares de automobilistas, e que, até há poucos dias atrás, parecia ter sido alvo de um bombardeamento. Claro que, do ponto de vista da estratégia eleitoral, poder apresentar à população uma obra desta importância, mesmo em cima do arranque oficial da campanha, resulta em ganhos de popularidade que conduzirão a um acréscimo de votos nas eleições do próximo Outono.

Não há nada de novo aqui. O que o executivo Sérgio Humberto está a fazer com a requalificação da EN104 foi mais ou menos o mesmo que o executivo Joana Lima fez, por exemplo, com a requalificação do troço da EN14 que atravessa o centro da Trofa. E digo mais ou menos porque Joana Lima caiu no erro de deixar essa intervenção para um período muito próximo das eleições de 2013 e pagou um preço por isso. Já o actual, estrategicamente melhor preparado que os seus antecessores, decidiu antecipar a manobra para mascarar algo que me parece óbvio.

Claro que, como é natural, a população agradece esta e qualquer obra que requalifique a fustigada via pública que atravessa o concelho. Eu pelo menos agradeço. Mas porque se adiou tanto uma obra desta importância? Afinal de contas, o milagre económico que nos vem sendo anunciado não é de agora. Podia esta obra ter sido iniciada mais cedo? Podia, mas não era a mesma coisa.

Na fase em que estamos, quer-me parecer que seremos brindados com outras boas surpresas. Contudo, há uma situação que me intriga e que tem que ver com a Circular à Trofa. Segundo a calendarização apresentada aos trofenses no início de 2015, na presença do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, esta obra deveria ter sido iniciada no terceiro trimestre de 2015 e, por esta altura, era suposto estar já em marcha a fase que inclui, por exemplo, a nova travessia do Rio Ave, um compromisso inscrito no programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa, fundamental para retirar o garrote do trânsito caótico que assola a cidade. Contudo, e até ao momento, nada aconteceu. Terá caído em saco roto? Será culpa da Geringonça? Ou fica para as eleições a seguir?

(originalmente publicado na edição de 23 de Setembro de 2016 do jornal O Notícias da Trofa)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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