Uma contradição gritante com cheiro a perseguição.

por João Mendes 0

Termina hoje o prazo para que as associações trofenses entreguem as suas candidaturas a apoios financeiros para realização dos seus planos de actividades para 2017, ao abrigo do Programa de Apoio ao Associativismo da Câmara Municipal da Trofa. Tal como aconteceu em 2015, o Clube Slotcar da Trofa (CST) entregou toda a documentação requerida dentro do prazo previsto. Contudo, um ano após a anterior candidatura, a Câmara Municipal da Trofa não deu ainda qualquer resposta ao CST, apesar de termos agido em conformidade com o disposto no regulamento. Com o ano a aproximar-se do fim, e com o plano de actividades cumprido quase na íntegra, a CM da Trofa decidiu não respeitar esta associação trofense, não lhe dando qualquer resposta, positiva ou negativa.

Na última reunião do Conselho Municipal de Juventude, onde estive presente, questionei o vereador Renato Pinto Ribeiro sobre o motivo por trás da ausência de resposta por parte do executivo que integra. Na altura foi-me dito que existiam outras associações na mesma situação que a nossa e que o processo estava em andamento. Desconheço se, nesta fase, esta situação se mantém. Se existem mais associações na mesma situação que o CST, então o problema é mais grave do que imaginava. Para um executivo que fez do associativismo uma das suas bandeiras, torna-se difícil de compreender este comportamento. Caminhamos a passos largos para o final do ano e o executivo opta por ignorar uma parte do associativismo trofense.

Como é óbvio, o Clube Slotcar da Trofa não é mais nem menos do que qualquer outra associação local. Não se pede aqui qualquer tipo de tratamento de excepção, como o que foi dado, por exemplo, à associação Equestrian Events, Associação Equestre dos Templários.  Não obstante, o reconhecimento de que esta associação vem sendo alvo, quer do Instituto Português do Desporto e Juventude, quer das mais altas autoridades nacionais, algo que ficou provado pela integração do CST no roteiro do anterior secretário de Estado do Desporto e Juventude do governo PSD/CDS-PP, Emídio Guerreiro, que elogiou amplamente a actividade do CST, parecem-me argumentos sólidos quanto ao trabalho que vem sendo desenvolvido por esta colectividade. Mas mais importante que isso, na minha opinião, são as actividades desenvolvidas, nas mais variadas áreas, que têm ido ao encontro dos interesses de tantos trofenses, que reconhecem o nosso trabalho, em áreas estruturantes como o desporto, a cultura ou a acção social.

Por tudo isto, e por muito mais que poderia ser dito, não se compreende a atitude do executivo. Depois do triste episódio que foi a autêntica expulsão do Clube Slotcar da Trofa da área lateral onde tinha uma pequena esplanada, hoje vazia e sem utilidade, com argumentos no mínimo insólitos, a ausência de resposta por parte do executivo configura, a meu ver, um acto discriminatório. E tudo isto se torna mais incompreensível à luz das palavras do presidente Sérgio Humberto, que há cerca de dois anos atrás, discursando na inauguração da sede do Clube junto ao Aquaplace, teceu rasgados elogios à associação e ao seu corpo dirigente, que transcrevo, em parte, para conhecimento dos nossos leitores:

É um enorme prazer e um enorme orgulho enquanto presidente de câmara ter uma associação de cariz juvenil com esta dinâmica e com esta propensão a ser arrojada nos dias de hoje.

João Pedro e a todos os elementos, nós já contávamos com uma coisa muito positiva do Slotcar, mas todas estas infra-estruturas conseguiu superar ainda. Estão de parabéns por todo o trabalho que desenvolveram e por tudo aquilo que pensam desenvolver no futuro. É importante para quem está á frente de uma associação de cariz juvenil, que dirige a sua vocação e a sua prática essencialmente para os jovens, mas não só, aqueles que não são jovens na idade mas que têm uma mente jovem, e isso é que é importante, e o Dr. João Pedro corporiza tudo isso e todos os elementos que o acompanham durante estes dez anos. É um enorme orgulho ter alguém à frente de uma associação de cariz juvenil que tem uma dinâmica não só concelhia, regional, nacional e portanto consegue-se impor além-fronteiras. A Trofa é isto mesmo. A Trofa é um concelho novo, recente, o mais recente a par de Odivelas, tem uma enorme potencialidade e o exemplo é esta associação, que consegue se impor naquilo que entra e consegue vencer. E a Trofa é isso que vai fazer. Vai fazer, tem que fazer, através das suas freguesias, através das suas associações, das suas colectividades, dos seus empresários, dos seus comerciantes, mas também nós temos que ajudar enquanto entidades públicas, gerindo muito bem o dinheiro. E é isso que temos que fazer. É apostar em colectividades que realmente, e apostar e apoiar porque é uma obrigação. E eu dou aqui um pequeno exemplo: das poucas reuniões que tivemos com algumas colectividades, muitas delas, e este é um grande exemplo, onde estava presente acompanhando o presidente do Slotcar, foi “Nós não queremos saber de dinheiro. Nós queremos falar de projectos e perceber o que é que a câmara municipal está disponível a apoiar estes projectos do Slotcar”. E portanto, quando isto acontece, é muito fácil e obviamente o Slotcar terá sempre um parceiro na câmara municipal e obrigado pelo trabalho que desenvolvem, dia-a-dia, em prol da nossa comunidade. Muito obrigado a todos.

Passados dois anos, o que terá mudado? Se o CST continua a desenvolver o seu trabalho com a cadência e determinação com que o fazia em 2014, se continua a ser dirigida pelas mesmas pessoas que o autarca tão amavelmente elogiou, se continua com “esta propensão a ser arrojada nos dias de hoje”, se continua a “impor-se além-fronteiras” e se continua focada em projectos e não em dinheiro, em que momento é que deixamos de ter “um parceiro na câmara municipal”? O que mudou senhor presidente? Não sei, mas eu sou apenas um entre centenas de associados. Agora, que estamos perante uma contradição gritante, disso não tenho dúvidas. Uma contradição gritante com cheiro a perseguição. Um ano é tempo mais que suficiente para dar uma resposta, positiva ou negativa, a uma associação que há dois anos estava de parabéns "por todo o trabalho que desenvolveram e por tudo aquilo que pensam desenvolver no futuro". Ou seria só conversa de ocasião?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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