Aquilo que a coligação Unidos pela Trofa não lhe contou: a origem do Correio da Trofa

por João Mendes 0

Faltavam cerca de seis meses para as Autárquicas de 2013 quando o Correio da Trofa viu a luz do dia. Estávamos em pré-campanha e os ânimos estavam já a exaltar-se ao ponto de, dois meses depois, termos assistido ao embuste protagonizado pela JSD Trofa que, após um conjunto de contradições que deitaram por terra a fraca argumentação produzida em torno da cena de pancadaria, que afinal se revelou uma emboscada, terminou numa humilhação em tribunal com um dos envolvidos do lado laranja a deitar por terra a versão da JSD Trofa.

O Correio da Trofa foi criado pela empresa de assessoria de imprensa Comunicatessem, pouco tempo depois de ter sido contratada pela coligação Unidos pela Trofa para dirigir a campanha que levou Sérgio Humberto ao poder. Os jornalistas e o director do Correio da Trofa eram, portanto, as mesmas pessoas que estavam por trás da comunicação da coligação. Contudo, nunca ninguém da coligação assumiu pública e abertamente que o Correio da Trofa era parte integrante da sua estratégia eleitoral, estando, por conseguinte, ao seu serviço. O motivo, claro está, é óbvio demais: era preciso levar os trofenses a acreditar que se tratava de um jornal independente que, apenas e só por coincidência, surgia no mesmo momento em que a campanha arrancou. Os trofenses foram deliberadamente enganados pela estratégia eleitoral da Unidos pela Trofa.

Mas se o facto, irrefutável, que confirma que as pessoas que faziam a campanha da coligação eram as mesmas que produziam o jornal é, por si só, revelador da real natureza do Correio da Trofa, outros factos ajudam a perceber o nível de promiscuidade entre as duas entidades. Durante a campanha eleitoral, a sede fiscal do Correio da Trofa, registada na ERC, era a mesma que a da empresa que fez a campanha da coligação e, vencidas as eleições, a sede de campanha da coligação Unidos pela Trofa, na Rua Camilo Castelo Branco, nº 352, passou a ser a sede da redacção do Correio da Trofa. A maneira como tudo isto se liga é de tal forma denunciada que chego a achar que nos tomam a todos por parvos. Talvez seja o caso.

Apresentados os factos que comprovam que o Correio da Trofa nasceu da estratégia por detrás da campanha eleitoral da coligação PSD/CDS-PP, que por sua vez demonstra que os trofenses foram manipulados de forma estudada e intencional, com vista à eleição do autarca trofense, e a isto poderia acrescentar todos aqueles que foram entrevistados ou que pagaram publicidade no jornal sem conhecer a sua real natureza, ficamos hoje por aqui, deixando a continuação desta história para Quarta-feira, data da publicação da segunda parte de uma sequência que não ficará por aí. Por agora ficamo-nos pela ponta do icebergue.

Imagem@Blogue Otrazhenie

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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