Aquilo que a coligação Unidos pela Trofa não lhe contou: dinheiro público para colaboradores do Correio da Trofa

por João Mendes 0

Depois de, na Segunda-feira, ter aqui apresentado alguns factos que comprovam, sem margem para dúvidas, que a origem do Correio da Trofa está na campanha eleitoral da coligação Unidos pela Trofa para as Autárquicas de 2013, trago-vos hoje outros factos, também eles irrefutáveis, que aprofundam as relações de promiscuidade entre as duas entidades.

O mais polémico e, a meu ver, relevante, foi o ajuste directo que o executivo Sérgio Humberto fez à empresa Flexisilaba Publicações, Lda, então proprietária do Correio da Trofa, um ano após as eleições, no valor de 19.455,08€ + IVA. Segundo o contrato disponível na plataforma Base, onde estão publicados todos os ajustes directos e outros contratos celebrados pela autarquia, o valor em causa serviu para financiar o lançamento de uma revista, em paradeiro incerto, e para a organização de um concurso de fotografia cujo resultado final consistiu em meia dúzia de fotografias, expostas no Aquaplace, sem referência aos autores e com uma apresentação que deixou muito a desejar. Quem viu o resultado final do concurso percebe, facilmente, que mais de 20 mil euros é um absurdo de dinheiro para um resultado tão medíocre. O seu dinheiro, caro leitor.

Sobre este caso já muitas linhas escrevi e deixarei, para quem quiser reler ou não estiver a par, todos os links necessários no final deste texto. Para o presente, importa referir que os proprietários da empresa beneficiária do ajuste directo eram o director e um jornalista que trabalhavam para a anterior administração do Correio da Trofa e, por conseguinte, para a empresa contratada pela coligação PSD/CDS-PP para fazer a sua campanha para as Autárquicas 2013. Resumindo: o executivo Sérgio Humberto ofereceu, de bandeja, uma quantia avultada do dinheiro, que é de todos e não da sua coligação, a uma empresa propriedade de duas pessoas que foram contratadas para trabalhar na sua campanha eleitoral e que estiveram na génese da criação do Correio da Trofa. E se caro leitor acha que quase 20 mil euros + IVA não é um montante por aí além, recordo-o que se trata de um valor superior ao pago pela CM da Trofa para a instalação dos equipamentos eléctricos, de segurança e de telecomunicações da Loja Interactiva de Turismo ou para o melhoramento da rede viária de acesso à EB Giesta 1. Transparência? Prioridades? Pois.

Outro caso interessante é o da antiga designer gráfica do Correio da Trofa, que exerceu iguais funções no Cinetrofa, evento pouco participado que custou aos cofres públicos a módica quantia de 60 mil euros, a quem o actual executivo atribuiu dois ajustes directos para publicidade, um deles referente ao embargado Parque das Azenhas (o outro está neste link) no valor de 53.704,00€ + IVA, valor que, para se ter uma noção aproximada da ordem de grandeza, se aproxima do custo total da organização do Be Live (aproximadamente 60 mil euros) e que supera o valor pago pela CM da Trofa à EDP para abastecer o Aquaplace de gás natural durante um ano inteiro.

Feitas as contas e somado o IVA, falamos de 90 mil euros de dinheiro de todos os trofenses que foi usado em negócios, por ajuste directo, atribuídos pelo executivo camarário a colaboradores de um jornal criado pelas mesmas pessoas que Sérgio Humberto e a sua equipa contrataram para os ajudar a chegar ao poder. E estes são apenas os negócios que, pelos valores envolvidos, são públicos, o que não significa que sejam os únicos. Dá que pensar, não dá?

Até Sexta!

Imagem@Karian and Box

 

Links relacionados:

Sobre o ajuste directo à Flexisílaba Publicações Lda./Correio da Trofa:

Estranha forma de orgulho trofense (23.10.2014)

Não é o dinheiro sectários, é a atitude!!! (25.10.2014)

Sobre o favorecimento da CMT ao Correio da Trofa (13.11.2014)

Porque mudou o regulamento do concurso Retratos (10.12.2014)

Alguém viu por aí um concurso de fotografia? (02.04.2015)

Sobre os ajustes directos à designer gráfica do Correio da Trofa:

Ajustes directos: uma neblina que não quer levantar (11.01.2015)

Ajustes directos: o polémico Parque das Azenhas (13.05.2015)

Onde estão os 58.500,00€ gastos em publicidades para o Parque das Azenhas? (18.01.2016)

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.