O Correio da Trofa hoje: coincidência ou ilegalidade?

por João Mendes 0

Depois dos dois textos publicados na passada semana (links aqui e aqui), importa, neste terceiro momento, informar o caro leitor que, tanto quanto é do meu conhecimento, da equipa inicial do Correio da Trofa, bem como dos beneficiários dos ajustes directos referidos no segundo artigo, já não resta ninguém no jornal. Claro que depois temos aqueles detalhes, como aquele de um dos beneficiários do ajuste directo à Flexisílaba Publicações, que se passeava de credencial ao peito na edição de 2015 do Be Live. Mas no Be Live vale quase tudo para os amigos da malta do poder não é mesmo?

Claro que isto não significa que este jornal tenha deixado de estar, digamos, próximo da coligação Unidos pela Trofa, algo que fica, no meu entender, muito claro por diversos motivos: uma das jornalistas (a única?) ao serviço do CT é dirigente da JSD Trofa, todos os cronistas, sem excepção, são afectos aos partidos no poder (ao contrário daquilo que acontece com a esmagadora maioria da imprensa nacional, não há nem nunca houve um cronista de esquerda no Correio da Trofa) e a cobertura mediática da acção do executivo, pouco dada à imparcialidade, ocupa a quase totalidade das edições do jornal, exceptuando a publicidade e as páginas dedicadas ao desporto.

Existe, contudo, uma questão, a meu ver intrigante, que se impõe. A 27 de Abril de 2016, o PSD de Santo Tirso emitiu um comunicado onde acusava o executivo socialista de maquilhar as contas da autarquia “às custas do processo da Trofa”. No fim da missiva, qualquer pedido de esclarecimento adicional é encaminhado para Miguel Ângelo Pinto, o que leva a crer tratar-se de um assessor de imprensa do PSD de Santo Tirso.

Ora, quem também se chama Miguel Ângelo Pinto é o director do Correio da Trofa. Significa isto que, caso não se trate de mais uma surpreendente coincidência, podemos estar perante a mesma pessoa. Acontece que, à luz do regulamento da Comissão de Carteira Profissional de Jornalistas (CCPJ), à qual todos os jornalistas estão vinculados, “o exercício da função de jornalista é incompatível o desempenho de: e) funções de assessoria política ou técnica”. Estaríamos, portanto, perante uma ilegalidade, e não apenas perante questões de manipulação da opinião pública e gestão clientelista de recursos. E, como é óbvio, tal implicaria consequências legais e significaria que o Correio da Trofa pactuou com essa mesma ilegalidade.

Estou certo que haverá uma excelente explicação para tudo isto. O que não falta por aí são pessoas com nomes iguais. E, mesmo que se trate da mesma pessoa, qual é o problema? Quem nunca dirigiu um jornal enviesado à direita num concelho, enquanto assessorava o PSD no concelho ao lado que atire a primeira pedra.

Imagem via Chovendo Letras

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

  1. Miguel Pinto

    Desconhecia a permanência do meu nome na fica técnica do jornal em causa. facto que irei averiguar e esclarecer devidamente. A verdade é que desde meados do íncio do ano, não posso precisar a data, que não tenho qualquer responsabilidade editorial sobre o jornal. Cumprimentos, Miguel Ângelo Pinto.

    1. João Mendes

      Se não tem conhecimento, esta situação é mesmo muito grave. O seu nome está a ser utilizado, há vários meses, sem o seu consentimento, arrastando-o para uma situação ilegal. Cumprimentos João Mendes

  1. João Mendes

    Boa noite. Se, como afirma, não exerce funções como jornalista há largos meses, qual será o motivo para o seu nome figurar na ficha técnica do Correio da Trofa, desde a edição nº 46 até à edição nº 76, do passado dia 29 de Setembro? Assumindo que está a dizer a verdade, e longe de mim querer acusá-lo de estar a mentir, então o seu nome está a ser indevidamente usado pelo Correio da Trofa há várias edições, o que apenas vem confirmar a ilegalidade referida no texto, não por uma hipotética acumulação de funções, mas pela conduta do jornal que o manteve na ficha técnica como director apesar de não o ser. Estamos, portanto, perante um jornal que se encontra em situação ilegal há tantos meses quantos o senhor se desvinculou dele. Cumprimentos João Mendes

  1. Miguel Pinto

    Boa tarde. Li com interesse o texto publicado. E de facto não há coincidências. O Miguel Ângelo Pinto de que fala é uma e a mesma pessoa. Eu. Com um ligeiro senão: já deixei há uns meses largos o jornalismo com a consequente entrega da Carteira Profissional de Jornalista. Como tal, não tenho qualquer ligação ao jornal Correio da Trofa, de que fui de facto diretor, nem tão pouco exerço no presente qualquer função jornalística. Mais informo que em momento algum acumulei funções como director da publicação em causa e com o emprego numa agência de comunicação no Porto. Não como assessor de imprensa do PSD de Santo Tirso. Quanto às considerações polítiicas sobre direita ou esquerda, vou relevar a insinuação, que acredito estar fundada no desconhecimento da situação em apreço. Melhores cumprimentos, Miguel Ângelo Pinto

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