É irónico, não é senhor presidente?

por João Mendes 0

Pois é, senhor presidente. Por vezes, o calor da propaganda leva algumas pessoas a dizer coisas que, eventualmente, se viram contra elas. E se no seu caso foi mau demais ter afirmado, na Assembleia Municipal de 27 de Fevereiro de 2015, num dos vários ataques que desferiu contra o Notícias da Trofa, que “a população da Trofa não é enganada por jornais locais que a única verdade que lá vem é a data”, não só pela posição que ocupa, mas principalmente porque já tentou censurar a actividade desse jornal, algo indigno em democracia, e porque mentiu sobre as transferências feitas pelo anterior executivo para o mesmo, episódio que terminou com o senhor a sair do tribunal com o rabinho entre as pernas, não deixa de ser irónico que esta célebre frase se vire agora contra si. Contra si e contra um jornal que viu nascer.

Na passada semana, depois de terem sido expostas, com factos concretos, as várias fragilidades éticas e legais do Correio da Trofa, aquele jornal que a sua máquina eleitoral de 2013 criou com tanto carinho, aconteceu algo que, apesar de meramente simbólico, não deixa de ter a sua graça. É que o jornal, ao invés de sair como habitualmente na Quinta-feira, neste caso dia 13 de Outubro, chegou às bancas apenas no dia seguinte, apesar de ter a data do dia anterior. Significa isto que, naquele momento em particular, a data do Correio da Trofa era, ela própria, uma mentira. Consegue ver a ironia da coisa?

Claro que não descerei ao seu nível de colocar em causa os conteúdos e as pessoas que fazem o Correio da Trofa, independentemente de posicionamento à direita do mesmo, porque, convenhamos, e apesar da absoluta preponderância da direita nestas matérias, não existe um único jornal no país que não se incline mais para um dos lados do espectro. Mesmo o seu grande amigo e fã, que se limita a bajulá-lo e a insultar quem ousa incomodar o poder com factos, me causa qualquer tipo de repulsa. Pelo contrário: se não fosse ele, nunca teria sido possível desmascarar as irregularidades em que o Correio da Trofa está mergulhado. Para além do prazer que é ver alguém, absolutamente faccioso, a desferir ataques que lhe assentam que nem uma luva.

Mas deixo no ar, porque no passado se insurgiu de forma tão musculada contra um jornal onde a diversidade de opiniões é permitida, algumas questões para sua reflexão:

  1. Acha que a população da Trofa é enganada por jornais locais criados em laboratório por campanhas políticas?
  2. Acha que a população da Trofa é enganada por jornais locais que recebem ajustes directos suspeitos?
  3. Acha que a população da Trofa é enganada por jornais locais que operam de forma irregular e em violação das regras mais elementares que vinculam e norteiam a comunicação social?

 

Em resposta a estas perguntas, deixe-me dizer-lhe que acho que não. Sou militante daquela ideia que postula que é possível enganar alguns durante algum tempo mas que não é possível enganar todos para sempre. E, por bizarro que possa parecer, acho que não terá uma posição muito diferente da minha. Afinal, quem alegou, de forma categórica, que os trofenses não são enganados por jornais locais, foi precisamente o senhor. Não mudou de opinião em pouco mais de ano e meio, pois não?

*****

P.S. Para não ferir os sentimentos do seu amigo cronista, que em conversa, há umas semanas atrás, me acusava de lhe fazer um ataque pessoal, sendo que o único exemplo que conseguiu encontrar  foi o facto de ter usado a foto em cima, porque, no entender dele, a presença do vereador Renato Pinto Ribeiro na mesma configurava um ataque pessoal à sua pessoal, quero aqui deixar bem claro que, até à data, nada me move contra o vereador, cujo trabalho tem sido muito interessante e produtivo, a anos-luz dos seus antecessores. Mas esta foto, face à ironia da coisa, assenta aqui que nem uma luva.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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