A Alameda da Estação

por João Mendes 0

São excelentes notícias para a freguesia de Bougado. A nova Alameda da Estação, apresentada publicamente na passada Sexta-feira, valoriza o centro da cidade de uma forma sem precedentes, contribui de forma inequívoca para o bem-estar e para qualidade de vida de milhares de bougadenses e restantes trofenses que visitem a “capital”, recupera uma zona emblemática e carregada de história, até agora ocupada pelos restos mortais da antiga via-férrea, promove o desporto, prioriza a pessoa em detrimento do automóvel, dá nova vida à Igreja Matriz de São Martinho de Bougado e abre caminho à recuperação da zona envolvente à antiga estação sem destruir os edifícios icónicos da estação e do velho armazém de madeira. O executivo Sérgio Humberto está, inquestionavelmente, de parabéns. Bem sei que estão a fazer o seu trabalho – e é para trabalhar que lhes pagamos, não nos estão propriamente a fazer favores – mas uma obra desta envergadura pode e deve ser saudada. Só peca por tardia.

Não deixa de ser curioso que a única obra pública de grande dimensão que, aparentemente, irá mesmo avançar, não esteja contemplada no programa eleitoral que a coligação Unidos pela Trofa apresentou ao concelho em 2013. Algo que de resto é muito positivo, na medida em que os executivos não se devem cingir aos seus programas. Importa, contudo, não esquecer as outras obras estruturantes que integravam o compromisso assumido pela coligação PSD/CDS-PP nas últimas Autárquicas. Continua a não haver qualquer sinal da nova travessia sobre o Rio Ave, da construção da nova rotunda no cruzamento da Carriça ou da variante rebaptizada de Circular à Trofa, cuja calendarização, apresentada aos trofenses no início de 2015, na presença do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, apontava para que a obra arrancasse no terceiro trimestre de 2015, sendo que, neste momento, devia estar já em marcha a fase que inclui a nova ponte sobre o Ave. Até ao momento, nada aconteceu. Nem obra, nem explicações.

Outra questão interessante em torno desta importante obra é a sua calendarização. A previsão da CM da Trofa aponta o mês de Janeiro para o arranque dos trabalhos, devendo os mesmos estar concluídos algures no final do Verão. Se não surgirem os habituais imprevistos que caracterizam estas obras, e que tendem a atrasar a sua conclusão, é possível que chegue mesmo a tempo de ser apresentada como trunfo eleitoral. Mesmo que não chegue, poderá ser inaugurada sem estar concluída, tal como este executivo fez com a obra de união dos parques ou como o anterior fez com o Parque das Azenhas, com os resultados que são conhecidos. Será que ainda teremos o gosto de assistir a uma aula de zumba na Alameda da Estação, com Sérgio Humberto e Pedro Passos Coelho na linha da frente? Teria a sua piada. Se há coisa que correu bem à antecessora do edil, foi inaugurar o Parque das Azenhas em cima das eleições, apesar de incompleto e repleto de insuficiências. O eleitoralismo tem destas coisas e, se o custo da obra aumentar, em consequência de manobras políticas, sabe quem paga a factura, não sabe caro leitor?

Imagem: Câmara Municipal da Trofa

(originalmente publicado na edição de 28 de Outubro de 2016 do jornal O Notícias da Trofa)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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