Em prol do futuro que passa por aqui

por João Mendes 0

Apesar das boas notícias que nos vão chegando, sobre um equilíbrio de contas públicas que quase parece um milagre financeiro e que ainda levanta algumas dúvidas, a Trofa continua a ser um dos concelhos mais endividados do país, uma herança que nos foi deixada por 11 anos de governação do PSD Trofa.

Não obstante, parece-me claro que o problema da dívida não deve servir de argumento para o retrocesso, ou para que as obras estruturantes de que o concelho necessita não avancem. É preciso gerir de forma rigorosa, e nisso parece-me que todos os trofenses estarão de acordo, mas é igualmente necessário que não se adie o futuro do concelho, algo que passa não só pela recuperação da via pública mas também por obras que conferem mais qualidade de vida à população, como a recém-anunciada obra de requalificação do canal ferroviário, ainda que esta beneficie de um financiamento de fundos comunitários na ordem dos 85%.

Porém, num concelho onde existem associações que são pura e simplesmente descartadas pelo executivo, ou onde não existe uma pequena verba para transportar os jovens das freguesias exteriores à “capital” para que possam ter acesso à semana da juventude em condições de igualdade com os jovens de Bougado, faz-me alguma confusão que se tenham gasto 22.500€, a que acresce o valor do IVA, para a “aquisição de serviços de imagem e vídeo 3D do projecto de estruturação do corredor central da cidade da Trofa. Estamos a falar de um valor que equivale a 3 salários mínimos ou, se preferirem uma comparação no âmbito da contratualização pública, que visa a melhoria da qualidade de vida dos trofenses, falamos de um valor superior ao aplicado no melhoramento do acesso à EB Giesta I (17.151,50€ + IVA) ou do custo total da instalação de todos os equipamentos eléctricos, de segurança e de telecomunicações da Loja Interactiva de Turismo da Trofa (18.219,10€ + IVA).

Perante estes valores, questiono-me se fará sentido aplicar uma verba tão elevada num serviço que, convenhamos, não representa uma necessidade prioritária para o concelho. Parece-me excessivo. Mas, lá está, estou certo que haverá uma clara e objectiva explicação para um gasto desta natureza e dimensão. Se não houver, não admira: estamos na Trofa, terra onde se gastam milhares de euros em concursos de fotografia de qualidade duvidosa, revistas-fantasma e publicidade para obra embargada do Parque das Azenhas. Tudo em prol do futuro que passa por aqui.

Foto: Facebook da Câmara Municipal da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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