A obra da Alameda da Estação já arrancou? E o contrato, onde está?

por João Mendes 0

Uma leitora do ...e a Trofa é minha alertou-me para mais um facto curioso sobre a página de apoio não-oficial ao executivo humbertista, disfarçada de jornal. Numa publicação recente, que aqui fica para memória futura, a Trofa Online anunciava, ao melhor estilo da propaganda do regime vigente, o arranque das obras da Alameda da Estação que, tal como Sérgio Humberto havia referido na sessão de apresentação, poderiam arrancar antes do previsto. Isenta como só a Trofa Online sabe saber, eis que éramos convidados a contemplar a Trofa do futuro, a nova expressão-chavão da pré-pré-pré-pré-campanha eleitoral.

Acontece que, tanto quanto é do conhecimento público, e assumindo que o executivo ainda cumpre com as melhores práticas de transparência e da legislação em vigor, a verdade é que o contrato e adjudicação da obra da Alameda da Estação ainda não está disponível na plataforma online Base, onde são publicados todos os contratos públicos assinados pelas autarquias portuguesas. Caso a Trofa Online estivesse certa, e a obra tivesse mesmo arrancado, algo de muito estranho estaria a acontecer. Ou talvez não, até porque não seria a primeira vez que a Trofa assistia ao desenrolar de obras sem que os procedimentos legais fossem devidamente cumpridos. Já no passado, pela mão do executivo liderado por Bernardino Vasconcelos, presenciamos situações em que concursos públicos foram abertos quando as respectivas obras estavam já concluídas. Um clássico, portanto.

Seja como for, esta publicação foi, entretanto, apagada. Ou pelo menos ocultada, uma vez que já não é visível no feed da página pró-laranja que gosta de brincar aos jornais. Resta saber porquê. Será que se precipitaram? Seria estranho, dada a sintonia tão grande que existe entre a máquina de comunicação da autarquia e as "notícias" publicadas pelo Trofa Online. A sintonia é tal que, não raras vezes, as publicações que surgem no Facebook da CM da Trofa são replicadas nesta página, palavra por palavra, por vezes com diferenças de poucos minutos, seja a que hora for. Como se fossem vizinhos. Ou partilhassem instalações. Poderá então ter sido um momento de ingenuidade e entrega à causa, que levou estes apoiantes do executivo disfarçados de repórteres a dar a notícia cedo demais, com o habitual objectivo de promover o autarca, esquecendo-se que, oficialmente, a obra ainda não tinha arrancado, vendo-se posteriormente forçados a apagar a publicação?

Ficaremos sem saber. Para história fica uma publicação sobre o arranque de uma obra que ainda não está adjudicada, feita por uma página que demonstra hoje mais articulação com o poder do que o outro jornal que a máquina eleitoral de Sérgio Humberto criou. Até quando é que a Trofa Online se fará passar por jornal, que não é, e decide, de uma vez por todas, assumir-se como uma plataforma de apoio à coligação PSD/CDS-PP? Seria absolutamente legítimo e ficávamos todos a ganhar. A Trofa e a transparência. Já agora, a obra arrancou ou não arrancou?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.