Da última vez acabou bem

por João Mendes 0

Fiz parte daquele mar de gente, há 18 anos atrás. Autocarros, bandeiras, chapéus em forma de caravela, palavras de ordem, megafones, tarjas e euforia a rodos. Fizemos a festa no Parque Eduardo VII, marchamos em direcção a São Bento, entupimos todas as ruas nas imediações, cantamos, dançamos, entoamos o hino e mostramos à capital a força da nossa determinação.

Vencemos a política, dos bastidores do Parlamento aos Paços do Concelho de Santo Tirso, e conquistamos, com absoluta legitimidade, o direito de comandar o nosso futuro. A Trofa cresceu, a qualidade de vida aumentou, mas alguns dos velhos vícios permaneceram, mudando apenas os protagonistas. O centralismo tirsense foi substituído pelo de Bougado, as negociatas e as clientelas foram reajustadas às novas relações de forças e os problemas do passado, sempre os mesmos, perpetuam-se no presente.

18 anos depois, a Trofa de hoje é uma Trofa melhor que aquela que herdamos de Joaquim Couto. Muito melhor. Mas chegamos à maioridade presos a uma dívida gigantesca, fruto, em larga medida, de decisões que não tiveram em consideração o superior interesse do concelho e das suas gentes, sem que dirigente eleito algum fosse devidamente responsabilizado. Por esse motivo, chegamos à maioridade na condição de um dos concelhos onde a factura fiscal é das mais elevadas do país e limitados na nossa capacidade de investir, seja em obras públicas, seja na cultura.

Apesar de tudo isto, ao longo destes 18 anos, continuamos a assistir a actos de má gestão, opacidade e despesismo. Os recursos que são de todos, agora como no passado, nem sempre têm servido os interesses da maioria. A neblina teima em não desvanecer, a hipocrisia teima em reinar e os esquemas, cada vez mais sofisticados, teimam em tentar iludir e manipular os trofenses.

Mas a história não acaba aqui. O futuro é aquilo que nos quisermos e a decisão estará sempre nas nossas mãos. Podemos optar por nos deixar enganar, por sermos explorados pela ganância e pela ambição que não olha a meios. Podemos optar por exigir mudanças. Podemos até optar por pressionar o poder, esteja quem lá estiver, para que governe para os trofenses e não para os interesses instalados. Ou podemos ser indiferentes, deixando que decidam por nós. O sonho não terminou e quem toma os trofenses e o poder por garantido, cedo ou tarde acaba por sofrer as consequências. A mudança, agora como há 18 anos, está ao alcance da força da nossa determinação. Resta-nos decidir quando começa e esperar para ver como acaba. Da última vez acabou bem.

Parabéns Trofa! Continuamos a ser teus e tu continuarás a ser nossa.

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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