Será que eles são assim tão tapados para não perceberem que isso só nos fortalece?

por João Mendes 0

…e a Trofa é minha é o nome deste blogue. Queríamos, eu e a Silvéria, que fosse um nome que encerrasse em si a história do nosso concelho. Quando escolhemos o nome, a poucos meses das Autárquicas de 2013, estava activo um desses blogues ou páginas de Facebook de propaganda político-partidária que aparecem e desaparecem nos períodos eleitorais que, se não se chamava “Eu sou da Trofa”, não andava muito longe disso. Para evitar confusões, ficamos com a segunda metade do verso. Daí as reticências.

Algumas pessoas procuram associar a escolha deste nome a um desejo de poder. Compreende-se. Muitas delas não conseguem conceber o combate por uma causa, seja ela qual for, sem a ver numa perspectiva em que existe uma contrapartida, seja ela o poder ou qualquer outro tipo de vantagem, de preferência financeira. Mas nem todas o fazem por serem mal-intencionadas ou gananciosas. Fazem-no, em muitos casos, porque não conhecem outros casos de pessoas que se dediquem a pensar a debater a sua terra sem o fazer por interesses pessoais. Fazem-no, também, porque o investimento em propaganda contra o nosso blogue dá alguns frutos. Muito poucos, é certo, mas ainda assim alguns.

A parte mais pequena deste grupo, porém, vê as coisas de forma mais calculada e absolutamente estratégica. Olham para projectos como o nosso e vêm aqui potenciais opositores que lhes possam dificultar o acesso ao poder absoluto, o tal que lhes permite fazer negociatas com os amigos à custa do dinheiro que é de todos. Se fôssemos um partido político, ou militantes de algum, tudo seria mais simples, bastando para isso meter-nos no saco do partido A ou B. Como não o conseguem fazer, apesar dos esforços patéticos e dos cães de fila salivados com memória de peixe, fazem figura de parvos. E, deixe-me que lhe diga, caro leitor, é um deleite vê-los nessas figuras. Eu pelo menos farto-me de rir com gente tão poderosa que investe tempo e dinheiro para denegrir meia-dúzia de pessoas que teimam em dar a sua opinião sobre um concelho que também é seu. Tanto investimento e tão fraco resultado. De onde virá o dinheiro?

Contudo, perante estes péssimos investimentos e a aposta falhada em palermas sem conteúdo que se contradizem a cada linha que escrevem (alguém tem que fazer o papel de idiota útil), começo a ver, aqui e ali, altos responsáveis políticos da nossa terra a mandar bocas ao …e a Trofa é minha, como se de autênticas crianças se tratassem. Pessoalmente, sempre que me deparo com uma destas hilariantes situações, encaro-a como uma vitória. Se aquilo que aqui se escreve fosse irrelevante, se fossem meras parvoíces, estariam eles a rir e não perderiam tempo e credibilidade a fazer estas figuras. Se o perdem, é porque tocamos nas feridas. E essa percepção, inequívoca, é muito gratificante. Não tão gratificante como os milhares de visitantes que temos todos os meses, é certo, mas ainda assim um elemento motivador extra para continuar a trilhar este caminho.

Para que não restem dúvidas, até porque eles estão entre os nossos mais assíduos leitores, fica o esclarecimento: o nome …e a Trofa é minha foi retirado do hino da Trofa porque queríamos um nome que tivesse em si a raiz da nossa terra. Ao contrário de alguns barões, baronesas e de uns quantos corruptos, que usam e abusam da Trofa em proveito próprio e dos seus, apesar do falso moralismo e devoção, não achamos que a Trofa nos pertence mais do que pertence a qualquer trofense. Se, como diz o hino, somos da Trofa e a Trofa é nossa, é porque ela pertence a todos e a cada um de nós, trofenses. Por este motivo, é legítimo que qualquer trofense possa dizer “…e a Trofa é minha”, porque essa é a verdade. É isso que está escrito no hino que todos, da esquerda à direita, entoam no dia 19 de Novembro. E como não somos menos que ninguém, reclamamos para nós a nossa parte. Porque a Trofa é suficientemente grande para ser de todos. Lamentavelmente, existem alguns que acham que a Trofa é sua propriedade exclusiva, motivo que explica em parte o facto de sermos um dos concelhos mais endividados do país e o historial de malabarismos financeiros que vitimaram esta terra ao longo dos anos. E explica também o elevado investimento desses autênticos senhores feudais para nos abafarem e denegrirem. Mas não faz mal, nós aguentamos bem com eles. Têm tanto de trafulhas como de tenrinhos. Mas deve ser muito frustrante, tanto investimento e tanta ausência de resultados. Será que eles são assim tão tapados para não perceberem que isso só nos fortalece?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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