Armou-se um cão! Perdão, uma cadela.

por João Mendes 0

Os Lyzzärd fizeram um grande caminho desde que os vi pela primeira vez ao vivo, no Todos por Mais, organizado pelo meu amigo Silvano Lopes, em Outubro de 2014. Nos pouco mais de dois anos que passaram desde então, vi pelo menos mais quatro concertos, no Slotcar e no SMED, e a cada concerto que assisto, é impossível não notar a evolução técnica e performativa deste grupo de cinco talentosos indivíduos. É impossível não ser transportado para a minha saudosa adolescência, quando o rock reinava e os concertos abundavam.

Coube aos Lyzzärd abrir as hostilidades do Festim da Cadela, um evento musical organizado pela Confraria da Cadela, um grupo de amigos que se junta, com a necessária frequência, para celebrar a vida, a amizade, a música e a arte de bem jantar. O concerto, poderoso do primeiro ao último minuto, com direito a encore – um cover extremamente bem “metalizado” de “Maniac” (1983), um clássico de Michael Sembello, eternizado pelo filme Flashdance – mostrou em palco uma banda madura e competente, que “peca” por estar deslocada no tempo, ainda que tal facto seja, na minha opinião, um ponto positivo, por manter acesa a chama do rock trofense, na senda de bandas como Ectovult, Pinhead ou Acidmass, nesta era de música descartável. A Margarida, o Tiago, o Tedim, o Ricardo e o David formam uma equipa frenética, poderosa, competente e tecnicamente evoluída, que passeia em cima do palco como se nada fosse. Aliás, os palcos onde os tenho visto tendem a ser cada vez mais pequenos para eles. Venham mais destes!

Lyzzärd

O Festim da Cadela, organizado em parceria com a equipa do incontornável SMED, que cedeu o seu espaço em São Mamede do Coronado, continuou com os Astrodome, uma banda que não conhecia e que me encheu as vistas. Com uma sonoridade difícil de descrever, pela impossibilidade de os colocar em qualquer “prateleira” musical, estamos perante uma poderosa máquina instrumental, que viaja pelos caminhos do rock psicadélico, com ocasionais descargas de metal puro e violento, compassadas por uma bateria que mais parece um relógio suíço. A par de Ghost Hunt, o melhor projecto de música portuguesa que me foi dado a conhecer este ano.

Astrodome

E quem me dá a conhecer estes fenómenos do underground luso? O Francisco, pois claro. Os leitores do …e a Trofa é minha conhecem-no das Simples Entrevistas, mas a Trofa já o conhece há muito pelos diferentes projectos musicais em que participou, sendo o mais recente a grandiosa Orquestra Urbana da Trofa, na qual surge a declamar o seu amor à Trofa na nova versão do hino, magistralmente conduzida pelo maestro André NO. O Francisco é também um dos mentores da Confraria da Cadela, que, um ano depois do primeiro festim, volta a oferecer aos trofenses uma grande noite de concertos e festa rija, fora do habitual circuito comercial, uma iniciativa que merece o meu aplauso e que demonstra que, na falta de oferta diversificada, a par do que vão fazendo bares com o Malte ou o Desperados, a sociedade civil continua a preencher lacunas. Endereço daqui, na pessoa do Francisco, os meus parabéns por mais uma excelente iniciativa da Confraria da Cadela.

A noite terminou com um set dos Glorious Bastards, que no passado passaram pelo Clube Slotcar da Trofa, e que deram gás aos resistentes, com uma selecção musical que oscilou entre o rock e a electrónica. Era este o cenário quando, já cansado, apanhei boleia para casa. Venham mais destas. Faz falta quebrar com a mesmice. Auuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.