Orgulho Trofense, ou o dia em que desmascarei uma fraude chamada Correio da Trofa

por João Mendes 0

A 3 de Outubro do presente ano, comecei a divulgar uma série de informações sobre o Correio da Trofa, nomeadamente a origem do jornal, umbilicalmente ligada à campanha da coligação Unidos pela Trofa, e os negócios que envolveram a CM da Trofa, já sob liderança de Sérgio Humberto, e alguns dos então colaboradores do título, que ascendem a mais de 90 mil euros. Dinheiro dos nossos impostos, claro.

No decorrer da investigação, deparei-me com novos factos (não confundir com boatos), que dizem respeito ao nome que surge na ficha técnica do jornal como sendo seu director, Miguel Ângelo Pinto, que exerce funções de assessoria junto do PSD de Santo Tirso, uma acumulação de funções ilegal à luz da lei que rege a imprensa em Portugal. Curiosamente, fui interpelado no blogue por alguém que se apresentou como sendo o próprio Miguel Ângelo Pinto (MAP), que criou uma conta no …e a Trofa é minha com o mesmo email usado na sua conta de Facebook do jornalista. Disse-me então o alegado MAP que há vários meses não exercia funções no Correio da Trofa. Ora, independentemente da veracidade destas declarações, uma coisa era certa: ou MAP acumulava funções incompatíveis, que a lei condena, ou o Correio da Trofa estava, há vários meses, a usar indevidamente o nome de MAP e, por conseguinte, a laborar sem um director, o que a lei igualmente condena.

Perante o evidente embuste, decidi tomar uma posição e reportar a situação à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), que regula do sector da comunicação social em Portugal. Expus literalmente aquilo que escrevi nas cinco publicações feitas neste espaço. A resposta deixou-me perplexo. O Correio da Trofa, como jornal credenciado pelas autoridades competentes, não existe. Foi cancelado oficiosamente a 13 de Julho de 2016, depois de mais de um ano e meio sem responder às solicitações legais da ERC. Segundo a resposta que me foi enviada, e que partilho em baixo, o último jornal enviado à ERC data de 31 de Janeiro de 2014. Desde então, três meses após as eleições que levaram os seus criadores ao poder, o Correio da Trofa deixou simplesmente de cumprir com as suas obrigações junto das entidades competentes. As Autárquicas têm coisas fantásticas, não têm?

Resumidamente, o Correio da Trofa não é um jornal. Chamem-lhe o que quiserem, mas jornal não é. No limite é uma fraude jornalística, devidamente cancelada pelas autoridades competentes, que na sua ficha técnica exibe um número de registo na ERC que não tem validade há vários meses. Para a história fica uma manobra política que serviu, e bem, o seu propósito, e que ainda é usada para ataques baixos e cobardes pelo ocasional fantoche. Resta saber quantas centenas (milhares?) de euros foram canalizados pelo executivo PSD/CDS-PP para este embuste, pela via da publicidade. Mas estes e outros “detalhes” ficarão para uma próxima publicação. Por hoje fico-me pelo desmascarar da fraude, com o coração cheio de Orgulho Trofense. Que belo dia para a transparência no concelho da Trofa!

Leituras recomendadas:

Aquilo que a coligação Unidos pela Trofa não lhe contou: a origem do Correio da Trofa (03.10.2016)

Aquilo que a coligação Unidos pela Trofa não lhe contou: dinheiro público para colaboradores do Correio da Trofa (05.10.2016)

O Correio da Trofa hoje: coincidência ou ilegalidade? (10.10.2016)

Confirma-se: existe uma situação de ilegalidade no Correio da Trofa (12.10.2016)

Correio da Trofa, um jornal que não respeita a lei (19.10.2016)

É irónico, não é senhor presidente? (20.10.2016)

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

  1. Amadeu Jose Bento Machado

    Como é possível haver pessoas que deviam ser responsáveis praticarem gestos deste calibre???

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