Afinal de contas, quem é que anda a enganar a população trofense?

por João Mendes 0

Recuemos no tempo, até às declarações de Sérgio Humberto, na Assembleia Municipal de Fevereiro de 2015, na qual o autarca afirmou, referindo-se ao jornal O Notícias da Trofa (NT), que “a população da Trofa não é enganada por jornais locais que a única verdade que lá vem é a data. Não querendo ser tão radical como o senhor presidente, até porque se escrevem algumas verdades no pseudo-jornal que a sua máquina eleitoral de 2013 criou, não posso deixar de assinalar, com a ironia a que o caso obriga, esta polémica frase de Sérgio Humberto, agora que sabemos que o Correio da Trofa continua a laborar, como se de um jornal se tratasse, apesar de ter sido cancelado pela ERC em Julho passado. Quem é que engana mesmo quem, senhor presidente?

É interessante analisar, perante estes novos desenvolvimentos, a forma nada democrática como este executivo, e o presidente em particular, vem antagonizando o NT. Seja pelas acusações que no passado fizeram, sobre alegados 500 mil euros que foram transferidos pelos cofres públicos para o NT, durante o mandato de Joana Lima, e que a justiça portuguesa se encarregou de reduzir a pó, seja pela tentativa de censurar o trabalho deste jornal, na apresentação pública que ocorreu no Muro a propósito da extensão da linha verde até àquela freguesia, caso em que a ERC deu razão ao NT e remeteu para o Ministério Público, seja pelas denuncias feitas pela direcção do NT, que acusa o executivo camarário de não informar o jornal sobre as actividades da câmara e de não responder aos seus pedidos de esclarecimento.

Em sentido contrário, este executivo tem colaborado de forma estreita e contínua com o Correio da Trofa (CT), apesar de esta entidade não ser um órgão de comunicação social. Dão entrevistas, concedem acessos a eventos públicos que se atribuem à imprensa, apesar do CT não o ser, e fazem publicidade das mais variadas iniciativas locais, usando o habitual dinheiro dos nossos impostos, que é entregue a uma entidade que se faz passar por imprensa, feita maioritariamente por militantes dos partidos no poder. Sim, os trofenses andam a pagar parte dos salários dos colaboradores do CT. E eu – e acredito que, como eu, milhares de outros trofenses partilhem da mesma opinião – não quero que o dinheiro que também é meu seja entregue a uma entidade que nasceu de uma campanha eleitoral e que engana os trofenses, fazendo-se passar por jornal. E o leitor, quer participar nesta farsa?

Questiono-me sobre a forma como se apresentam os comerciais do CT, se é que eles existem, quando vão vender publicidade aos anunciantes. Será que que lhes contam a verdade e os anunciantes pactuam, por interesse político-partidário ou por simplesmente se estarem nas tintas, ou será que são pura e simplesmente enganados? Mas, curiosidades à parte, aquilo que uma entidade privada faz com o seu dinheiro, ou os interesses com os quais pactuam, não me dizem respeito. Isso é lá com eles. Mas com dinheiros públicos, que são de todos, exige-se outro rigor. Exige-se transparência. Quantos milhares de euros foram já entregues pela CM da Trofa ao CT para pagar publicidade? Saberia o executivo que estava perante uma entidade que não cumpre as suas obrigações legais para com o regulador? E, se não sabia, onde está o rigor que tanto se apregoa, quando se coloca, sem critério, o nosso dinheiro numa entidade que não cumpre com as mais elementares obrigações legais a que está sujeita? Afinal de contas, quem é que anda a enganar a população trofense?

Foto: O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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