O talento passa por aqui

por João Mendes 0

No território diamante, como lhe chamou um dia o meu amigo Pedro Amaro Santos, há talento para dar e para vender. Passaram pouco mais de duas semanas desde que tive a oportunidade de assistir ao concerto solidário de Natal da Cruz Vermelha da Trofa, que juntou em palco dois portentos da música trofense, os Cão Voador e os Meninos Cantores do Município da Trofa. Com o Salão Polivalente dos Bombeiros Voluntários da Trofa e rebentar pelas costuras, assistiu-se a um belo concerto de Natal, que percorreu um reportório alusivo (e não só) à quadra, com afinação rockeira e um grupo de pequenos gigantes da música, que dispensam apresentações, a fazer as delícias dos presentes. A versão da maravilhosa Hallelujah, de Leonard Cohen, provocou arrepios na plateia e terminou com uma estrondosa ovação, com o auditório de pé, rendido ao imenso talento que encheu, de todas as maneiras, o palco ali montado.

Dias antes, na celebração do 18º aniversário da elevação da Trofa a concelho, a Orquestra Urbana da Trofa encheu a concha acústica do renovado Parque Nossa Senhora das Dores/Lima Carneiro, perante o olhar atento de largas centenas de trofenses, imunes ao frio que se sentiu naquela noite, que puderam testemunhar o talento de outro notável músico trofense, André NO, que teve a capacidade de se rodear de cerca de 70 músicos de enorme talento e o engenho de juntar um coro com cavaquinhos, gaitas de foles, guitarras, baixos, baterias, uma mesa de som e os mais variados e impensáveis instrumentos de precursão. O resultado é incrível e a versão alternativa do hino da Trofa é absolutamente emotiva, deslumbrante e, tal como a recriação de Leonard Cohen, feita pelos Cão Voador (que também integram este projecto) e pelos Meninos Cantores, capaz de arrepiar toda a plateia. Remeto-vos para o belo texto que o Francisco Sousa Barros escreveu por ocasião deste grande concerto. Está lá tudo.

Estes dois casos, apesar da escala que, pelo menos ao nível local, não tem comparação, ilustram uma geração talentosa de músicos trofenses, que vai do hip hop dos Caixa Forte, 61, Brendren Soul ou Pena até ao rock dos Lyzzard, Bocazaparte, Dawn of Time, Disposable Trust e dos The Spotters, passando por DJs reconhecidos além-Trofa como o João Azevedo e o Max D'kay e por prodígios de áreas menos comerciais como Marco Rodrigues, um jovem mestre do trombone que recentemente conseguiu o primeiro lugar no Prémio Jovens Músicos da Antena 2. E tantos outros. Só faltam as oportunidades para actuarem mais vezes na sua terra porque o talento, esse, há muito que mora cá. Pode ser que, com a chegada das Autárquicas em 2017, os senhores do poder e do dinheiro se lembrem deles.

E era isto que tinha para partilhar hoje convosco. Isto e um apelo para que apoiem os nossos músicos, compareçam nos seus concertos e valorizem o seu trabalho. Agora vou fazer o jantar porque às 22h temos os The Cover Van em concerto no Clube Slotcar da Trofa. O Miguel Pedrosa e o João Santos são dois músicos de enorme talento, que no passado integraram duas das bandas mais marcantes da história do rock trofense, respectivamente os Pinhead e os Ectovult, e que hoje encabeçam um projecto que enche casas de espectáculos um pouco por todo o país. Mas, apesar da agenda sempre lotada, e como bons trofenses que são, lá arranjaram um dia para nos presentearem com uma bela dose de rock acústico do melhor que há. A entrada é gratuita e o aquecimento vai estar ligado pelo que não há desculpas para ficarem em casa. Até já!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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