A esperança passa aqui

por João Mendes 0

Natal é tempo de esperança. E a esperança, sendo a última a morrer, por vezes está lá longe, parece inalcançável. Ainda assim, e por muito que as probabilidades pareçam estar contra ela, baixar os braços nunca pode ser opção. Pelo menos para mim e, começa a ser muito claro, para cada vez mais trofenses. E é sobre esperança que vos venho hoje falar, neste dia de Natal.

Mas, antes de mais, quero falar-vos de gratidão, outro sentimento que é parte intrínseca desta quadra. Gratidão pelo vosso tempo, pela vossa paciência, pela atenção que dão a este projecto, pelas mensagens de apoio, pelas sugestões para as quais infelizmente nem sempre há tempo, porque não somos imensos e porque nem todos passamos o dia no passeio ou na política da aparência paga pelos impostos de todos, pelas partilhas que permitem que o nosso trabalho chegue a mais gente, pela coragem daqueles que dão a cara por questões sensíveis que, por simplesmente serem mencionadas, dão azo a vinganças e perseguições, e por não atirarem a toalha ao chão. O caminho é longo e, suspeito, o seu fim não será visto por todos. Talvez os nossos filhos e netos um dia olhem para trás e nos agradeçam por termos lutado por mais transparência e verdade, menos corrupção e compadrio.

Regresso, então, à esperança. A esperança naquilo que está no final do tal caminho que nem todos chegaremos a ver. E se é verdade que a corrupção, o tráfico de influências e outras formas de criminalidade de colarinho branco, sempre impunes, começam a ganhar contornos de inevitabilidade, não é menos verdade que o futuro será sempre aquilo que quisermos. Estará sempre nas nossas mãos dizer “não” e exigir a mudança. Seremos capazes? Claro que sim. Mas vai dar muito trabalho e, infelizmente, não parecemos estar muito para aí virados. Mas há esperança e, por vezes, um simples gesto pode fazer toda a diferença. Houve um tempo em que, abaixo da corte do poder, ninguém era tido ou achado. Hoje, amplificados pelo megafone das redes sociais, a nossa voz chega lá acima, tem impacto e assusta muita gente. A mudança pode tardar, mas os sinais são inequívicos. Tudo a seu tempo. Haja esperança.

Em terceiro e último lugar, quero deixar-vos umas palavras sobre felicidade, que também é um sentimento muito presente neste tempo de Natal. Sejam felizes! Vivam, amem, tratem bem quem está à vossa volta, digam não à maldade, à subversão e aos interesses mesquinhos. Façam o bem, seja a vossa luta pela transparência, pelos mais desfavorecidos, pelos direitos dos animais, pelo acesso à cultura ou pela dignidade de quem nada tem. E vivam de consciência tranquila, poucas coisas nos podem fazer tão felizes. A prepotência e a arrogância de quem tudo engana, tudo manipula e tudo subverte esconde fantasmas e frustrações de gente aparentemente grande que, na verdade, é tão pequena como um grau de areia. Pequena, vazia e infeliz.  A ilusão do poder pode ser poderosa, mas não deixa de ser tremendamente efémera. Sejam felizes, façam os outros felizes e rejeitem quem quer destruir a nossa felicidade. 

A todos os nossos leitores, e penso que falo em nome de todos os meus colegas, apesar de não os ter consultado, desejo-vos um resto de Feliz Natal, pleno de saúde, felicidade, esperança e gratidão, que tenha sido bem passado na companhia dos vossos, com mesas fartas, prendinhas no sapatinho e muitos sorrisos. Obrigado por estarem desse lado, a ler textos compridos e, não poucas vezes, aborrecidos, mas ainda assim terem a paciência e a vontade de cá voltar. Quando há três anos e meio saltávamos da cadeira por 200 ou 300 visualizações, como se de repente fosse possível ouvir quem não tem voz, não imaginávamos no que isto ia dar. Hoje, três anos e meio depois, são milhares de visitas semanais, dezenas de milhares às vezes (ok, 20 mil numa semana já conta como “dezenas” eheh), sem fazer fretes ao poder, sem nos vendermos a publicidades castradoras e sem fazer tristes papéis de simular grandezas pela via da compra de audiências que em nada se identificam connosco. Sou grato e feliz por tudo isto, por esta prenda diária que os nossos leitores nos dão, e isso dá-me esperança que me motiva a continuar. Somos o que somos, felizes e sem truques, ajustes directos e dinheiros públicos por debaixo da mesa. E não é que até o bacalhau sabe melhor?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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