A Circular, o Centro de Saúde e a Geringonça

por João Mendes 0

Por mais que uma vez, o autarca Sérgio Humberto disparou sobre o governo nacional, lançando autênticos anátemas contra o acordo parlamentar entre os partidos de esquerda. Nada que espante ou choque, é certo, porque estes ataques, que não são um exclusivo do presidente ou do seu partido, fazem parte da permanente novela em que os agentes políticos participam. Não é à toa que a política portuguesa está mergulhada no descrédito em que está.

Importa, contudo, fazer uma curta retrospectiva, no que a grandes obras públicas diz respeito, e perceber o que vem acontecendo no território diamante na era da Geringonça. Não me alongarei sobre a questão do metro, essa eterna arma de arremesso político que gera silêncios e protestos de ocasião, consoante quem está ou não no poder, e que, mais do que qualquer questão, é reveladora da postura camaleónica dos partidos do chamado arco da governação, algo que, ao invés de os envergonhar, continua a ser usado estrategicamente, numa permanente demonstração de absoluta falta de respeito pelos trofenses, que instrumentalizam de tal forma que, houvesse vergonha na cara, estariam todos caladinhos. Falemos, então, sobre duas outras obras, estruturais para o nosso concelho, que estão na ordem do dia: a Circular à Trofa e o Centro de Saúde de Bougado.

A Circular, uma espécie de alternativa low cost-remendo à tão prometida variante, foi apresentada aos trofenses, com toda a pompa e circunstância que estas coisas exigem, e com a presença do então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Nessa apresentação pública, governo e autarquia comprometeram-se com uma calendarização do projecto que deveria ter arrancado no terceiro trimestre de 2015, portanto entre Julho e Setembro, estava Passos Coelho ainda no poder. O terceiro trimestre passou, o governo da cor da autarquia manteve-se em funções durante mais dois meses, mas nada aconteceu. Com a mudança do governo em Lisboa, o silêncio sobre este facto cessou e iniciou-se uma narrativa que procurou culpabilizar a Geringonça pelo sucedido. Como se o governo PSD/CDS-PP tivesse feito mais do que participar numa engenhosa manobra eleitoralista, a pouco mais de meio ano das Legislativas.

Entretanto, foi esta semana lançada a primeira pedra para a construção do novo centro de Saúde da Trofa. A presidir á cerimónia esteve o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, membro da infame Geringonça, que veio à Trofa garantir que esta obra, ao contrário dos embustes do metro ou da circular, é mesmo para avançar. Importa recordar que foi em meados de 2014 que um grupo de deputados do PSD veio à Trofa afirmar que estavam reunidas as condições para a obra avançar. E quanto avançou esta obra, no ano e três meses que se seguiram à dita visita, enquanto o seu partido se manteve no poder? Nada. Rigorosamente nada. O mesmo nada que aconteceu, durante o consulado de Passos Coelho, no que diz respeito ao metro e à variante. Sugiro que tenham isto em mente, da próxima vez que vos vieram dizer que o anterior executivo nada fez em termos de grandes obras públicas, apesar de ter governado quando o seu partido era poder em Lisboa. Perguntem-lhes: e o que fez o actual, quando o país era governado pelos mesmos dois partidos? Um acordo de treta para o metro, sem aval de Bruxelas? Uma apresentação de treta, de uma pseudo-variante que não saiu do papel? Quão irónico é perceber que, até à data, a única grande obra pública do consulado de Sérgio Humberto nos tenha chegado pela mão da Geringonça?

Aproveito para desejar um Feliz Natal e um próspero ano de 2017 a todos os leitores do Notícias da Trofa! Sejam felizes!

(originalmente publicado na edição de 23 de Dezembro de 2016 do jornal O Notícias da Trofa)

Foto@Facebook Câmara Municipal da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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