O ódio, os boys e as eleições

por João Mendes 0

A pré-pré-pré-pré-campanha, como o Pedro referiu em Novembro, já aí anda há algum tempo. Entre golpes baixos e boys do regime a debitar números soltos e sem nexo sobre o estado da economia local, há propaganda para todos os gostos. Para muitas destas pessoas, que confundem os seus interesses e os do seu partido com os interesses da comunidade trofense, “orgulho trofense” significa, vezes demais, mentir e manipular. Uns fazem-no com o gosto de quem não tem escrúpulos e está disposto a tudo pelo preço certo em euros. Outros são apenas ingénuos que veneram o poder, disponíveis para engolir qualquer treta sem questionar. O grau de domesticação é assustador.  

Não há nada de novo, é certo, mas há algo que me intriga: se a coisa está praticamente ganha, por falta de comparência do PS e porque toda a gente sabe que a Trofa é um “laranjistão”, onde o PSD tem recursos com os quais os partidos de esquerda só podem sonhar, porquê tantas descargas de ódio, não raras vezes vindas de beneficiários de tachos do regime vigente? Porquê tanta manipulação em páginas pseudo-informativas, que mentem descaradamente, desrespeitam diariamente os trofenses, com cujas caras gozam, e dão palco a indivíduos que se limitam a regurgitar veneno de fraca qualidade (estes últimos é deixá-los andar, o prazer de os ver fazer as figuras que fazem é imenso), influenciados e/ou financiados pelo regime? Se estão tão convencidos que está no papo, e deve estar mesmo, qual será a necessidade que têm de nos brindar, quase diariamente, com estas demonstrações de ignorância e/ou falta de carácter? O que os levará a mentir com todos os dentes que têm na boca? Terão medo de quê?

Eu tenho aquilo que entendo ser uma explicação possível. Não confundir com verdade absoluta, até porque, convenhamos, algumas pessoas são mesmo fáceis de enganar e de instrumentalizar. Em relação aos restantes, e não me estou a referir às pessoas que, legitimamente, apoiam este executivo sem interesses particulares à mistura, a esmagadora maioria presta-se a estas figuras porque ganha alguma coisa com isso, seja na forma de avenças ou ajustes directos, seja na forma de um tacho para a mãe, o primo, a sobrinha ou o amigo (e este executivo não ficou nada atrás do anterior, pelo contrário, mas, no seu devido tempo, terei oportunidade para falar sobre os boys da era “humbertista”), seja na forma de benefícios que derivam da influência, muitas vezes no limite da legalidade ou para lá dela, de quem a tem. Nenhum deles têm interesse que este regime acabe, pelo simples facto de que beneficiam dele. Não ficam nada bem na fotografia. Porque é tão corrupto quem corrompe como quem se deixa corromper, como é corrupto quem assiste a tudo e contribui com o seu silêncio cobarde.

Assim sendo, e porque a maioria dos supracitados se está nas tintas para o superior interesse da Trofa ou dos trofenses, é natural que abanem os pompons. Porque o fim deste regime poderá ser o fim dos seus privilégios, alguns deles sustentados pelo erário público. Igualmente natural é perceber que nenhum deles tem um pingo de coragem para falar sobre os assuntos que colocam em xeque este executivo, apesar de nunca terem poupado o anterior por situações exactamente iguais. Hipócritas e cínicos. Nunca os ouviremos falar sobre os ajustes directos para os amigos do regime, sobre a discriminação de associações como o Clube Slotcar da Trofa, ou sobre os tiques fascistas de Sérgio Humberto quando o tema é a comunicação social. E não os ouviremos porque estas pessoas não estão interessadas em ter chatices com quem lhes paga as contas, directa ou indirectamente. Até podem revoltar-se com o destino de algumas centenas de milhares de euros do erário público, perceber que foram mal gastas ou atribuídas de forma nada transparente, mas preferem acobardar-se e servir o partido, o cacique ou os seus próprios interesses. Com o seu silêncio cúmplice.

Não admira, portanto, a ascensão do ódio nas redes sociais, seja sob a forma de perfis falsos e páginas patéticas, nas quais até o nome, tão absurdo, é um tiro no pé – e aqui gostava de deixar um alerta: nada nos garante que algumas destas manobras não tenham origem na oposição ao regime. Não seria a primeira vez que assistíamos a algo assim, pelo que convém manter a pestana aberta para páginas pseudo-revolucionárias ou lambedores de ânus plagiadores de blogues sérios – seja na forma de indivíduos instigados a destilar o seu ódio contra quem se opõe ao despesismo e à falta de transparência. Porque tocar em feridas polémicas, despesismos e compadrios, principalmente como se faz nesta casa, SEMPRE com recurso a provas factuais, não incomoda: assusta. Gera pânico no quartel. Porque um corrupto pode enviar mil soldadinhos de chumbo, 100 páginas de manipulação da opinião pública e uns quantos perfis virtuais falsos para atacar quem revela os podres do sistema, mas isso, por muito que perturbe quem o faz, não apaga o que é revelado. Os ajustes directos feitos aos amigos que a coligação PSD/CDS-PP teve Correio da Trofa, o jornal que criou, não deixam de existir ou de ser opacos porque um imbecil insulta quem revela tal facto. A censura que Sérgio Humberto promove contra o Notícias da Trofa, ao passo que trata páginas tendenciosas de Facebook como comunicação social não deixa de ser um facto porque um canalha cria perfis falsos para insultar A ou B. Apenas demonstra com quem lidamos. Se algum destes factos fosse uma simples mentira, podem crer que já alguém o teria tentado desmontar. Se conseguem fazer a política baixa do anonimato, desmontar uma alegada mentira, que de resto seria um tónico para a sua popularidade, seria tarefa fácil. Muito fácil.

Sérgio Humberto irá, com elevado grau de probabilidade, ganhar as eleições deste ano. Porque não há uma oposição forte, porque a sua máquina tem mais dinheiro e recursos para operar e porque a propaganda política tem sido tremendamente eficaz, vezes demais com o alto patrocínio do erário público. Mas não será porque arranjou umas estradas, porque pagou contas a fornecedores com o PAEL negociado pelo executivo Joana Lima, que lhe permitiu, em larga medida, reduzir o passivo da autarquia, ou porque surgiu agora com a sua obra eleitoralista, que já tive oportunidade de elogiar e que é muito bem-vinda, mas cujo calendário não deixa de ser tão calculista e táctico como o foi com o Parque das Azenhas e com o anterior executivo. Isso qualquer um faz e, convenhamos, é que lhes compete fazer por ser para isso que lhe pagamos. Por isso não se percebe o ódio. Ou, permitam-me a conclusão, até se percebe: é a única forma que encontram de desviar atenções. Ter o rabo preso tem destas coisas.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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