A Trofa não é tua

por João Mendes 0

Por estes dias, surgiu no panorama virtual trofense uma nova manobra cobarde, semelhante a outras que haviam surgido noutras circunstâncias em que certos e determinados corruptos, traficantes de influências e/ou outros trafulhas se sentem, de alguma forma, ameaçados com o livre exercício da liberdade de expressão. Porém, desta vez, não se trata de um perfil falso, como tantos que por aí andam, mas antes de uma página, cujo nome é uma provocação directa a este blogue. Há canalhas que se dão mesmo ao trabalho e isso, meus caros, é revelador: poucos sinais evidenciam tão bem a força do trabalho deste blogue.

Quem serão os cobardes por trás desta plataforma de promoção do ódio e da manipulação da opinião pública? Não sabemos. Mas sabemos outras coisas. Sabemos que existem altas personalidades políticas da Trofa, eleitas ou nomeadas pelo poder político, a legitimá-la com o seu “gosto". Dir-me-ão que nada de mal existe em colocar um “gosto” numa qualquer página, e eu sentir-me-ia compelido a concordar. Porém, colocando-me na posição de qualquer um deles, pelos cargos que ocupam, nunca legitimaria uma página que se limita a insultar, mentir e promover o ódio. Eles fazem-no de forma consciente. E isso diz muito sobre a sua visão daquilo que é a democracia.

De resto, é possível encontrar alguns padrões muito interessantes analisando a cronologia desta página. A esmagadora maioria dos seguidores que se manifestam positivamente face a estas publicações são mais ou menos os mesmos que passam a vida a abanar pompons pelo executivo nas redes sociais. Estão lá os haters sorridentes que costumam dar o ar da sua graça – e eles são engraçados – na página do …e a Trofa é minha, como andam lá os mesmos que arranjam os mais estapafúrdios argumentos para defender o indefensável, o que os leva a fazer as mais ridículas figuras para defender os seus heróis – assim de repente, lembro-me de uma argumentação anedótica que vi por aí para justificar a falta de civismo do presidente Sérgio Humberto, quando foi apanhado estacionado num lugar reservado a pessoas portadoras de deficiência, um autêntico sketch à moda do Gato Fedorento. São, me muitos casos, pessoas que pactuam, aceitam e/ou celebram o despesismo deste executivo, os compadrios deste executivo, as perseguições promovidas por este executivo ou a propaganda deste executivo. Idiotas úteis? Oportunistas à espera do seu tacho? Cidadãos aldrabados? Há para todos os gostos.

Contudo, tanto quanto é do meu conhecimento e até ao momento, apenas uma pessoa promoveu esta página de Facebook na sua cronologia, tendo mesmo enviado convites da mesma para diferentes pessoas. Essa pessoa é próxima do poder político local e gere uma das mais descaradas páginas de apoio ao executivo, mascarada de orgão de comunicação social. E isto não é uma especulação, nem uma calúnia, nem uma difamação. É, apenas e só, um facto. Quer isto dizer que será esta a pessoa por trás da página A Trofa não é tua? Não, não quer. Quer dizer, apenas e só, que foi a única pessoa que, tanto quanto é do meu conhecimento, promoveu a dita página na sua cronologia e que, várias foram as pessoas que me informaram, enviou convites da mesma, legitimando-a. Caberá a cada leitor retirar as próprias conclusões. A mim cabe-me guardar, com o devido carinho, estas e outras provas deste jogo maquiavélico e subterrâneo.

Para fechar, e sobre este aborto virtual, por questões de higiene, nem mais uma palavra escreverei neste blogue, quero deixar aqui bem claro que não cederemos um milímetro. Estamos habituados aos jogos baixos do poder, estamos preparados para eles e sabíamos bem o que nos esperava neste ano eleitoral. Abanar bandeiras é muito fácil. Ousar esmiuçar temas sensíveis, que envolvem gente poderosa sem escrúpulos ou limites, tem custos, e esses custos podem ser muito elevados. Da minha parte, absolutamente inflexível, estou disposto, desde sempre, a pagar essa factura. Em todo o caso, isto parece-me fácil demais. E sério que isto é mesmo o melhor que conseguem fazer? Muito honestamente, estava à espera de mais. A Trofa é minha, é do caros leitores, é dos merceeiros e dos políticos, dos operários fabris e dos profissionais da saúde, dos professores e dos empresários e de todos aqueles que aqui nasceram, vivem e que aqui fazem a sua vida. Mas a Trofa, garanto-vos, não é de cobardes sem cara.      

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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