Onde estava o executivo municipal em Outubro de 2015?

por João Mendes 0

Pouco após a divulgação dos planos de expansão da metro do Porto para os próximos anos, que mais uma vez deixaram de fora a obra da linha verde até á Trofa, surgiu um comunicado na página da CM da Trofa que nos informa sobre a decisão do executivo camarário de processar o Estado português. Uma decisão que apoio incondicionalmente e que só peca por tardia. Afinal de contas, já nos andam a enrolar desde a década passada.

Contudo, uma pergunta carece de resposta: onde estava esta determinação e este músculo quando, em Outubro de 2015, por altura de uma acção de campanha eleitoral do então primeiro-ministro ao nosso concelho, Pedro Passos Coelho afirmou, a propósito da extensão do metro até à Trofa, que a obra “não está em cima da mesa”? Em lado nenhum. O presidente da câmara, juntamente com um conjunto de personalidades do seu partido, até estavam ali, ouviram o veredicto com toda a serenidade do mundo, mas não ficaram minimamente perturbados com o anúncio nem quiseram processar ninguém.

Claro que, a poucos dias das Legislativas, não convinha levantar ondas. O momento era delicado e todos os votos contavam. Talvez isso explique o facto de nem um pio se ter ouvido da parte da autarquia ou dos partidos que a governam. Agora que o governo é outro, de uma cor inimiga, e com a proximidade das Autárquicas, abrir processos que já deviam ter sido abertos há muito tempo atrás torna-se bastante popular. Tivemos quatro anos e meio de um governo da mesma cor que o executivo trofense e nada aconteceu: nem metro, nem processos, nem indignação de circunstância. Nada. Só um embuste no Muro, que ficou marcado por mais uma mão cheia de nada e pela tentativa infantil de boicotar o trabalho d’O Notícias da Trofa.

A campanha do bloco central é isto. O partido está sempre à frente, seja do país, seja da mais pequena freguesia, e de vez em quando assistimos a cenas teatrais, com vista ao amealhar de votos, que revelam profundas contradições, calculismo táctico e um absoluto desrespeito pelos cidadãos. O metro, a maior arma de arremesso político da curta história deste concelho, continua e continuará a ser instrumentalizado ao sabor da estratégia eleitoral do momento, até ao dia em que a população do concelho da Trofa decida organizar-se e exigir o que é seu por direito. Se vamos estar à espera de políticos que mudam de opinião como mudam de camisa, estamos bem lixados. Mas tomara que esta acção legal surta efeito. Porque dos políticos oportunistas dificilmente nos livraremos.

Foto: O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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