Quem não deve, não teme, senhor presidente

por João Mendes 0

Por várias vezes, leitores do …e a Trofa é minha questionaram-me sobre o porquê de não levar alguns dos temas aqui apresentados à Assembleia Municipal (AM), aproveitando o período de intervenção do público para confrontar o presidente em funções. A minha resposta, salvo erro, é sempre a mesma: para fazer perguntas teria que ter dúvidas que se enquadrassem no âmbito da AM. E como me limito a escrever sobre temas que cuja base é factual, nada tenho a perguntar ao autarca.

Mas mesmo que tivesse, algo que pode a qualquer momento acontecer, o mais provável será não perder o meu precioso tempo a levá-las à AM. Para me arriscar a chegar lá e ser ignorado, como tantos outros já foram, fico a ver em casa, no conforto do meu sofá. É que, lamentavelmente, o senhor Sérgio Humberto só responde a quem lhe apetece responder.

Tome-se o caso do cidadão Joaquim Azevedo. Na Assembleia realizada este mês, o líder do MIT subiu ao púlpito para colocar uma série de questões ao presidente. Questionou-o sobre as suas declarações sobre a Ponte da Peça Má, que segundo o autarca não seria demolida sem que a população fosse ouvida. Não obteve resposta. Questionou-o sobre os custos exorbitantes da inauguração da obra dos parques. Não obteve resposta. Questionou-o sobre os ajustes directos feitos aos anteriores proprietários do Correio da Trofa, bem como a alguns dos seus colaboradores. Não obteve resposta. Questionou-o sobre a forma como a Cruz Vermelha foi prejudicada por este executivo. Não obteve resposta. Como não obteve resposta para nenhuma das restantes perguntas colocadas ao presidente Sérgio Humberto. Joaquim Azevedo foi desrespeitado e discriminado pelo seu próprio autarca. E não foi o primeiro.

O período da intervenção do público deveria ser um momento de esclarecimento do cidadão, um momento em que, em igualdade com os seus pares, o cidadão deveria conseguir obter respostas às suas perguntas. Porém, a forma arbitrária como este período se processa afasta a participação civil. Claro que, se for uma pergunta de um militante, daquelas em que 90% da intervenção serve apenas para bajular o líder e o restante tempo para colocar uma pergunta de ocasião, quiçá previamente definida e articulada com o interlocutor, Sérgio Humberto não hesitará em responder. Joaquim Azevedo não teve a mesma sorte. Tempo perdido. Resta saber porque se terá o presidente esquivado às perguntas. Porque, como diz a sabedoria popular, “quem não deve, não teme”. 

Imagem via O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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