Trofa Digital, a nº 1 sabe-se lá de quê da Trofa

por João Mendes 0

Por estes dias, a página de Facebook que se dedica a pouco mais que partilhar conteúdos da CM da Trofa (e do PSD), quase em simultâneo com a página da autarquia e sem qualquer referência à mesma, como se ambas fossem uma só entidade, e cujos restantes conteúdos se resumem a pouco mais que plágios de jornais a sério (ver plágios dos últimos 9 dias no final desta publicação) anunciou que tudo ia mudar. Foram publicações bombásticas, a prometer montes de coisas novas, mas a única coisa que mudou, pelo menos visível aos olhos de quem acede a esta página, foi meio nome e a foto de perfil. E eu até estava com esperança de ver mudanças reais. Vá lá que a esperança é sempre a última a morrer.

Captura de ecrã: Trofa Digital

Mudou meio nome, a foto de perfil e mudou também a informação disponível sobre este negócio, que se apresenta como nº1 da Trofa, o que de resto não é muito difícil, visto não existir mais nenhuma página essencialmente dedicada a plágios e à republicação de tudo o que surge no Facebook do município. Ser o primeiro num segmento, que não se percebe muito bem qual é, e em que não existe mais ninguém a operar é, convenhamos, muito fácil. Tipo ganhar um jogo de futebol por falta de comparência.

Convém, contudo, não confundir a Trofa Digital com comunicação social, que, para bem ou para mal, implica criação de conteúdos, isenção e rigor, variáveis que só muito raramente se encontram nesta página, que dá cobertura máxima a tudo o que valoriza a imagem dos partidos no poder, que não escreve uma linha sobre qualquer tema que possa colocar esses mesmos partidos em cheque, que ignora quase a 100% a oposição e que dá espaço a ameaças e ataques ad hominem. Se isto é comunicação social, a Casa dos Segredos é um programa cultural.

Captura de ecrã: Trofa Digital

Mas a página Trofa Digital é hoje um espaço menos transparente do que era nos tempos em que era Online. Ao contrário do que acontecia no passado, não existe informação sobre quem manda, não existe ficha técnica nem referência à equipa que o compõe e até um dos CAEs que surgem na página “Sobre” é falso, no sentido em que simplesmente não existe (caso o caro leitor tenha dúvidas, pode consultar aqui a lista de CAEs existentes. Boa sorte a tentar encontrar o CAE 58103). Já nem os estatutos editoriais existem, estatutos que de resto tinham sido plagiados dos estatutos do Jornal do Algarve.

Captura de ecrã: Trofa Digital

Por tudo o que já foi dito, e por outras coisas mais que podiam ser acrescentadas, mas com as quais não vos quero maçar, considerar esta página como imprensa propriamente dita seria um absurdo. É que, para além da ausência de conteúdo jornalístico próprio, que não sejam fotos com curtas referências, banalidades, plágios ou republicações de conteúdos simpáticos para o poder local, nenhum jornal faz publicidade aos seus concorrentes. A menos que o patrão seja o mesmo, o que neste caso nem admiraria, mas isso seria assunto para outras quantas linhas. Mas, caro leitor, pare para pensar e diga-me: consegue imaginar ser dono de uma entidade que se apresenta como uma espécie de órgão de comunicação social e, ao mesmo tempo, fazer publicidade a um dos seus concorrentes directos? Faz pouco sentido, não faz? A menos que joguem na mesma equipa. Será? Às vezes parece...

Captura de ecrã: Trofa Digital

Pouco sentido faz também a censura, recorrente neste espaço com historial de silenciar quem cujas opiniões não agradam ou interessam à Trofa Digital. A Silvéria que o diga, que foi censurada e insultada por pessoas que, à data (agora ninguém sabe bem quem eles são), eram colaboradores da página, e por perfis falsos seus amigos. Tudo isto coabita, em paralelo, com opiniões emitidas pela própria Trofa Online, mascaradas de trabalho noticioso, como naquele caso (ver em cima) em que assumiu como seu o dicurso do PSD, na polémica Assembleia Municipal em que o PS abandonou a sessão, demonstrando a sua ausência de imparcialidade ao tomar como sua a posição de um partido político, neste caso (e em quase todos os outros) o PSD. Isenção? Pois pois…

Capturas de ecrã: Trofa Digital

A questão da publicidade é outro tema interessante. A Trofa Digital é um negócio e terá as suas contas para pagar, mas daí até apresentar publicidade que não o é vai um longo caminho. Recentemente, a Trofa Digital apresentou conteúdos da Vodafone como publicidade. Um comerciante poderia olhar para tal “facto (alternativo)” e achar que “se a Vodafone aqui faz publicidade, é porque deve valer a pena. É uma empresa grande demais para apostar no «cavalo errado»”. Contudo, e apesar de apresentado como tal, a Vodafone nunca fez publicidade no Trofa Digital. Repito: a Vodafone nunca fez publicidade no Trofa Digital. É, apenas e só, uma mentira. Claro que tal não impediu esta página de simular algo que simplesmente nunca aconteceu, um embuste, portanto, quiçá na esperança que tal atraísse dividendos. Este espaço pode ser seu mas nunca foi da Vodafone. Foi só uma mentira.

Feitas as contas, o que temos? Temos uma página que continua a plagiar jornais a sério, como se nada fosse, que revela uma sintonia peculiar com a CM da Trofa, republicando os seus conteúdos sem qualquer referência, especialmente os mais simpáticos para este executivo, por vezes com poucos minutos de diferença da publicação original, com uma estrutura dirigente e editorial desconhecida, que simula publicidade que não lhe foi atribuída e que chegou ao cúmulo de ter colaboradores que se fizeram passar por quem não são, como aquele célebre caso em que um seu elemento, fazendo marcação cerrada para filmar uma pessoa estendida no chão em sofrimento, se apresentou, quando questionado, como membro do jornal O Notícias da Trofa.

Captura de ecrã: Trofa Digital

Mesmo assim, a proximidade com o poder local é notável. Por estes dias, sem que a autarquia ou qualquer meio de comunicação o anunciasse, a Trofa Digital informou quem por ali passa que o Parque das Azenhas será inaugurado ainda este mês. Como é que se tem acesso a uma notícia sobre a qual ninguém mais fala, nem a própria autarquia? Será verdade? E, se é verdade, porque é que a autarquia passou uma informação que vedou aos restantes jornais locais? Já agora, será que qualquer página de Facebook consegue ter o canal da autarquia aberto para obter notícias em primeira mão? Seria interessante saber. Não devem faltar páginas que queiram exclusivos para gerar tráfego. Já eu não tenho igual sorte. Voltei estes dias a fazer uma pergunta no Facebook da CM da Trofa e fui ignorado. É que isto há filhos e enteados. E se uns têm tratamento privilegiado no regime humbertista, outros estão cá para ser ignorados, perseguidos e difamados. Lá chegaremos.

E hoje ficamos por aqui. Deixo-vos com os mais recentes plágios da Trofa Digital, a número 1 do concelho, pelo menos a nível de plágios. 

Um óptimo fim-de-semana para os caros leitores e para os idiotas sorridentes que não vivem sem esta casa!

 

9 dias, 9 plágios:

1. Plágio Jornal de Notícias (14.03.17) - ver original neste link (primeiro e segundo parágrafos)

2. Plágio Evensi - ver original neste link

3. Plágio jornal Sol (16.03.17) - ver original neste link

4. Plágio Hipersuper (16.03.17) - ver original neste link (este caso tem a particularidade de, na notícia original, ter havido uma correcção do número de trabalhadores, coisas que os plágios não conseguem controlar)

5. Plágio Jornal de Notícias (20.03.17) - ver original neste link

6. Plágio Facebook BIAL (22.03.2017) - ver original neste link. (este plágio é o meu favorito. A sério que até para dizer que a Primavera chegou é preciso roubar o texto?)

7. Plágio Jornal Económico (23.03.2017) - ver original neste link

8. Plágio Jornal T (24.03.2017) - ver original neste link (porra, até numa notícia sobre a nossa zona é preciso plagiar!)

9. Plágio Beira.pt (24.03.2017) - ver original neste link (até a mudança de hora dá direito a plágio...)

Imagem de capa via ALH Genetics

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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