Vá lá que este ano (ainda) não houve porrada. Podia ser pior.

por João Mendes 0

Assinalaram-se ontem quatro anos de um grande embuste e de um dos mais vergonhosos episódios político-partidários de que há memória no concelho da Trofa. Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio de 2013, elementos da JSD e da JS envolveram-se em cenas de pancadaria no centro da cidade, apresentando posteriormente versões antagónicas e contraditórias, que demonstraram imediatamente que alguém estaria a mentir e a gozar com a cara dos trofenses.

Naquele ano, a campanha eleitoral começou mais cedo. A oleada máquina da coligação PSD/CDS-PP tinha dado à luz o Correio da Trofa, a JSD era interventiva e gostava de brincar aos cartazes e Joana Lima acumulava erros. A tensão era elevada e, ouve-se por aí, era uma questão de tempo até o caldo entornar. Aconteceu o que aconteceu, que não voltarei a esmiuçar de fio a pavio, mas deixarei a sequência de textos que escrevi sobre o assunto, no final destas linhas, para que quem estiver interessado retire as suas próprias ilações.

Na altura, ainda este blogue não tinha nascido, escrevi alguns textos no Facebook, dedicados a desmontar esta história muito mal contada, ao mesmo tempo que suspeitas pendiam sobre a minha pessoa, por alegada aproximação à JSD Trofa, ou não tivesse eu sido convidado e marcado presença, dias antes, no jantar de tomada de posse da estrutura juvenil. Para desilusão dos críticos de 2013 como para os actuais, a minha opinião, ao contrário de tantas que por ai andam, continua a não estar à venda. 

Porém, e apesar de tudo aquilo que nunca vamos saber, algo aconteceu que descredibilizou por completo a versão da JSD. O dirigente social-democrata Filipe Couto Reis (FCR), único envolvido que não integrava a jota, encontrou-se em tribunal com Amadeu Dias (AD) e Daniel Lourenço (DL). A determinada altura, no decorrer do processo, FCR decidiu retractar-se, por escrito, numa missiva onde admite que a conduta AD e DL, por ele descrita ao tempo das declarações prestadas, não ocorreu da forma narrada. O que é uma forma muito simpática de assumir uma mentira.

A partir daqui, e como tive oportunidade de escrever no passado, algumas das “desculpas esfarrapadas”, apresentadas pela JSD, transformam-se em “mentiras mal calculadas”. As agressões mútuas, referidas no comunicado da JSD, foram afinal de sentido único. O braço de FCR, apesar das marcas que são visíveis na conferência de imprensa e que a JSD insistiu em destacar, não foi atacado à dentada por DL – o que de resto levanta uma interessante questão sobre quem terá ferrado no braço de FCR (LOL) –, tal como FCR também não viu AD ou DL a retirar qualquer placa e a fugir. Mentiras e mais mentiras e zerinho de humildade para pedir desculpa. 

A própria conferência de imprensa da JSD, após o acontecimento, onde algumas destas mentiras nos são servidas, para além de servirem de sustentáculo para outros “argumentos”, revela que tudo aquilo não passou de uma encenação, mal calculada, é certo, mas ainda assim com o intuito de salvar a pele de uns quantos, enganando para isso a população trofense, de forma deliberada. Depois de tudo o que aconteceu, ainda houve o sangue-frio necessário para encenar aquele triste espectáculo, sem respeito por quem estava a assistir.

Os meses passaram mas nada mais se passou. Sofia Matos, uma das intervenientes no embuste, até foi escolhida para representar a coligação na Assembleia Municipal, órgão para onde, ou muito me engano, ou irá este ano parar a sua sucessora na presidência da JSD. Não me enganei há uns meses quando afirmei que Marta Almeida, também envolvida no embuste, seria a sucessora sem oposição de Sofia Matos na liderança da JSD, apesar da ironia sonsa de uma certa senadora, não me parece que me engane desta vez. Mas, quem sabe, até é desta que meto mesmo os pés pelas mãos. Há sempre uma primeira vez para tudo.

Mas não deixa de ser interessante, e, acima de tudo, extremamente revelador, que pessoas que participaram numa mentira desta categoria sejam escolhas para representar os trofenses. Mas, claro, não admira. Há muito tempo que percebemos que em política vale tudo, na Trofa como no resto do país, incluindo mentir, perseguir, corromper, traficar e influências e, porque não, agredir. Se a justiça não lhes toca e tantos dos seus apoiantes aplaudem e sorriem com caras de parvos perante as evidências, porque haverão eles de mudar de métodos? Vá lá que este ano (ainda) não houve porrada. Podia ser pior.

 

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João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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