O poderoso regime de Sérgio Humberto

por João Mendes 0

A grande diferença entre as estruturas trofenses do PSD e o PS é, a meu ver, apenas uma: recursos. E por recursos quero essencialmente dizer dinheiro, até porque o dinheiro permite atrair outros recursos como soldadinhos dispostos a (quase) tudo, traidores infiltrados em estruturas a necessitar de ser controladas ou opinião manipulada, não raras vezes veiculada através de testas-de-ferro.

Reparem que, por esta altura, há quatro anos atrás, a coligação PSD/CDS-PP, chamada Unidos pela Trofa, não tinha ainda um programa eleitoral, essa formalidade aborrecida que cai em saco roto no dia imediatamente a seguir às eleições, e que, no caso da coligação, foi apresentado aos trofenses a menos de um mês do sufrágio, mas tinha já o seu jornal de propaganda a funcionar a todo o gás, com um editorial cobarde que ninguém assinava e que se limitava a denegrir e especular sobre Joana Lima, o trabalho sujo pelo qual nenhum dos hipócritas interessados tinha coragem de dar a cara. O restante jornal tinha como objectivo instrumentalizar os trofenses, promovendo Sérgio Humberto e respectiva entourage através de um método simples que consiste em transformar propaganda política em factos. Do ponto de vista da estratégia eleitoral, foi muito bem jogado. Não terá sido à toa que quase 100 mil euros dos cofres públicos foram parar às mãos de colaboradores e ex-colaboradores do Correio da Trofa, pouco depois de este executivo chegar ao poder. Trabalharam bem, foram recompensados. Pena os beneficiários não terem pago estas quantias dos seus próprios bolsos.

A Trofa, goste-se ou não, é um território laranja. O próprio CDS-PP é um partido de expressão residual que em 2013 funcionou como o meio que o PSD encontrou para derrotar os socialistas. De outra forma, considerando que o CDS-PP vale mais ou menos 1000 votos no nosso concelho, Joana Lima teria conseguido a proeza de se manter no cargo. Não obstante, foi necessário recorrer a métodos pouco honestos, que permitiram desgastar a figura da anterior autarca, por oposição ao debate de ideias, que não aconteceu.

Quatro anos depois, e após o anúncio da candidatura de Amadeu Dias, não se vislumbra ainda qualquer tipo de manobra similar. Pessoalmente, espero que o PS Trofa não desça a esse nível e que assuma claramente aquilo que tem para dizer, as propostas que tem para apresentar e as críticas que entende fazer. Seria grave, muito grave mesmo, seguir a cartilha da coligação PSD/CDS-PP, criando um órgão de propaganda disfarçado de imprensa livre e independente, coisa que o Correio da Trofa não é nem nunca foi. Seria um caminho mais fácil, que disso não restem dúvidas, mas igualmente um caminho doentio e desonesto.

O desfecho mais que provável das autárquicas deste ano é uma nova vitória de Sérgio Humberto. Não tenho grandes dúvidas quanto a isto. A máquina de propaganda e fortíssima, o culto do chefe, típico de sociedades ditatoriais, é uma constante, a estratégia de concentração de obras públicas nos últimos meses, independentemente da importância das mesmas, revela que este executivo segue a cartilha do eleitoralismo e a melhoria de alguns indicadores económicos, apesar de depender em larga medida do aumento de impostos, é facilmente instrumentalizável para vender mais uma meia verdade a que este executivo nos habituou. De pouco importa se promessas eleitorais de 2013, como a rotunda da Carriça ou a nova travessia sobre o Rio Ave continuam por fazer. De pouco importa se fomos ludibriados com as questões do metro ou da variante transformada em circular. De pouco importa se este executivo persegue e condiciona e liberdade de expressão ou imprensa de quem não concorda com tudo o que o regime pretende impor. No fim de contas, ganha quem tem mais controle, quem ilude mais pessoas, quem domina as instituições e quem tem mais recursos, que no caso em especifico inclui os recursos próprios da maioria e aqueles que a todos pertencem, mas que o poderoso regime de Sérgio Humberto usa como seus. Isaltino Morais ganhou 5 eleições seguidas. Valentim Loureiro também, duas das quais já sob investigação no âmbito do processo Apito Dourado. Porque não haveria Sérgio Humberto de ser reeleito?

Foto via Câmara Municipal da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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