Alegadas (e interessantes) movimentações pré-eleitorais em Covelas

por João Mendes 0

A freguesia de Covelas, bastião laranja desde a criação do nosso concelho, é actualmente palco de alegadas (e interessantes) movimentações pré-eleitorais. Sendo um território desde sempre controlado pelo PSD, a freguesia em direcção à qual mais trofenses peregrinam todos os anos até viu a votação dos partidos de direita cair no escrutínio anterior, em todas as rubricas do boletim de voto, tendo mesmo perdido um representante da Assembleia Municipal para os socialistas. Não obstante, o registo invicto do PSD, hoje aliado ao CDS-PP como personagem secundária, é avassaladoramente inequívoco.

Feliciano Castro, tal como Lino Maia (Alvarelhos e Guidões), é um presidente de junta pelo qual nutro muito respeito e simpatia. Não estando totalmente inteirado sobre o trabalho desenvolvido no âmbito das suas funções, aprecio a seriedade e a genuinidade que a ambos reconheço, reforçada pelos elevados níveis de popularidade que aparentam ter, bem como, de forma alguma, os associo aos atropelos democráticos protagonizados pela elite que dirige a coligação a partir da metrópole bougadense. Poder-me-ão dizer que estão absolutamente alinhados, e talvez estejam, mas sempre tive a sensação de que um presidente da junta que quer o melhor para os seus fregueses engole muitos sapos. Que o digam Carlos Martins, com o caso da Ponte da Peça Má, ou José Ferreira, sempre cordial com um executivo que já o tratou muito mal. Talvez por isso, tanto um como outro gozem de uma popularidade que fala por si.

Contudo, e aqui entra a parte interessante destas alegações, ruidosas demais para serem ignoradas, estará já em fase de conclusão uma lista independente para ombrear com o executivo de Feliciano Castro e restantes candidatos partidários. Liderada por Mário Oliveira, filho do ex-autarca Fernando Moreira, que durante décadas esteve à frente dos destinos da freguesia, comenta-se em Covelas que esta lista contará mesmo com alguns dos actuais eleitos pela coligação PSD/CDS-PP por Covelas. Quererá isto dizer que a coligação perdeu consistência nesta freguesia? Estarão os covelenses (ou parte deles) tão desagradados com o mandato de Feliciano Castro que saem das suas fileiras para apresentar um projecto alternativo? Ou estaremos perante uma decisão de natureza exclusivamente pessoal?

Eu, como imagino que a maioria dos caros leitores, desconheço as motivações por detrás destas movimentações. Mas é estranho, para dizer o mínimo, que uma coligação que, aparentemente, respira unidade e entrosamento, se veja a braços com uma cisão que, no limite, lhe poderá custar uma freguesia, quer pela possibilidade da lista independente vencer o escrutínio, quer pela janela de oportunidade que se abre para o PS, perante a fragmentação do eleitorado de direita, que será disputado pelo actual presidente e por um candidato cujas bases de apoio se confundem.

Será muito interessante perceber como tudo se desenrolará em Covelas. Apesar de ser a freguesia do concelho com menos eleitores (1318 inscritos em 2013), é também uma freguesia muito envelhecida, onde a propaganda martelada nas redes sociais e nos pasquins do regime terá maior dificuldade de penetração. A proximidade é muito importante, o papel da pessoa, para lá da sua hipotética afiliação partidária, é fundamental, e o pão e circo que nos vêm sendo servidos na capital de pouco ou nada interessam para os habitantes de Covelas, onde não existem alamedas pré-eleitorais ou inaugurações pomposas de 120 mil euros. Resta saber o que verdadeiramente por lá se passa, para além dos odores putrefactos da Savinor, que continuam a dar o ar da sua graça.

Foto: Hermano Martins/O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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