Qual será a ligação entre a página Trofa Digital e o executivo Sérgio Humberto?

por João Mendes 0

Quem acompanha os meus textos, aqui como no Aventar, saberá que uma das temáticas sobre as quais habitualmente me debruço é a da manipulação da opinião pública. É um tema que sempre me fascinou desde os tempos da faculdade, durante os quais tive a oportunidade de o estudar sob diferentes perspectivas, até que no último ano escolhi como opção a cadeira de Sociologia da Informação e da Opinião Pública, que me deu algumas ferramentas que me permitem hoje estruturar o meu pensamento de forma mais objectiva, e que me deixou mais sensível relativamente aos truques de que o combate político faz uso para obter as boas graças do eleitorado.

Os truques, claro, são muitos e não cabem todos aqui, apesar de estarem presentes em todo o lado, de São Martinho de Bougado ao Palácio de São Bento. E, no geral, são facilmente detectáveis, mas acabam muitas vezes por ser ignorados porque a maioria da população não tem tempo e/ou interesse neles. Felizmente, e no que à minha curta experiência diz respeito, muitos trofenses têm estado particularmente atentos e interessados. O conjunto de cinco textos que aqui escrevi sobre o Correio da Trofa, em Outubro do ano passado, mais um sexto publicado em Dezembro, são prova disso mesmo. No seu conjunto, ultrapassaram as 15 mil visualizações, o que dá uma média de 2500 por texto, sendo que o último tinha, à data de ontem, mais de 4200 visualizações. Nada mau para um blogue que (dizem certos e determinados acólitos do regime) ninguém lê, dedicado a um concelho com uma população de 39 mil habitantes.

Chegados a Março deste ano, os textos que publiquei sobre a página Trofa Digital, onde foram expostos diversos plágios, a publicidade falsa da Vodafone, as ligações com o Correio da Trofa e com o discurso do poder, a quase ausência de conteúdos próprios e o caso do jornalista que afinal era um perfil falso, foram também muito bem acolhidos pelos leitores do …e a Trofa é minha, com uma média de 2300 visualizações por texto. Desde então, algumas alterações no modus operandi da página são dignas de registo, nomeadamente a citação de (algumas) fontes de textos copiados, algo que praticamente não acontecia até à denúncia e que demonstra que a mensagem chegou e foi absorvida pelo destinatário. Contudo, novos factos surgiram que merecem na minha opinião ser analisados. Hoje deixo-vos com este, com a promessa de, nas próximas semanas, regressar com novos factos – não confundir com boatos ou ataques pessoais – que me parecem particularmente interessantes de observar.

O que há de estranho nas duas capturas de ecrã em cima? Simples: ambas as publicações são iguais, usam a mesma fotografia e foram publicadas com um minuto de intervalo, a uma hora em que os serviços responsáveis pela comunicação institucional da CM da Trofa não estão em funcionamento. Significa isto, a meu ver, que existem três hipóteses:

  1. A publicação foi agendada pelos serviços e comunicada à página Trofa Online, que de resto não dá créditos à página da CM da Trofa, de forma a irem para o ar (quase) à mesma hora;
  2. A publicação não foi agendada e quem a fez, a partir de casa ou do café, informou e enviou os conteúdos para os responsáveis da página, momentos antes de ser feita;
  3. Ambas as publicações foram feitas pela mesma pessoa.

Nas duas primeiras hipóteses, caso alguma delas se verifique, a conclusão é óbvia: a CM da Trofa, cuja área de Comunicação está sob tutela directa do presidente Sérgio Humberto, como se pode ver na página da autarquia, colabora directamente com esta página que não é um órgão de comunicação social, que no passado enganou os leitores com publicidade falsa e onde o plágio abunda, apenas para citar alguns exemplos da falta de ética, rigor jornalístico e respeito pelos leitores daquela página. Portanto o mesmo presidente que boicota o trabalho d’O Notícias da Trofa, que insulta os seus colaboradores e que mente sobre o único jornal que cumpre as regras no nosso concelho, chegando mesmo a ser humilhado em tribunal, tem a última palavra sobre uma parceria que se percebe, ou não fosse a página Trofa Digital uma caixa-de-ressonância do poder local e da estrutura partidária que o comanda. O benefício é mútuo, mas o colhido pelo executivo Sérgio Humberto é incomparavelmente maior.

Caso se verifique a terceira hipótese, então a Trofa Digital não passa de um instrumento de propaganda do próprio poder político. Resta saber o que e/ou quanto ganham com isso, quem paga (e, já agora, se o dinheiro vem do bolso dos beneficiários ou do erário público) e se o horário do expediente é usado para que funcionários pagos pelos nossos impostos se dediquem a alimentar uma página que nada tem que ver com as suas funções.

Poderia o caro leitor dizer-me que nenhuma das opções é a correcta e que os responsáveis da Trofa Online estavam simplesmente atentos, ininterruptamente, às publicações da página da autarquia. Vamos assumir, pelo menos por um momento, que assim é, pelo que proponho o seguinte exercício: tente replicar uma publicação em apenas um minuto. Vai à página da autarquia, saca a fotografia, carrega-a no mural da sua página, copia o texto original, cola-o no carregamento da fotografia, acrescenta-lhe três hashtags e o link de uma página e publica. Dá tempo? Se for o Usain Bolt das redes sociais é capaz de dar, mas é altamente improvável. Mas isso implicaria que um colaborador da Trofa Digital estivesse de plantão na página do município a fazer actualizações constantes na hora do jantar, de preferência em frente ao computador, uma vez que os processos de carregamento de imagens e de copiar/colar texto são mais lentos no telemóvel ou no tablet. Consegue imaginar um cenário destes? E se eu lhe disser que este é apenas o mais flagrante entre dezenas de exemplos? Não acredita? Então experimente abrir a página de Facebook da CM da Trofa e da Trofa Digital, percorra os seus murais e verifique com os seus próprios olhos. Verá que os factos não deixam margem para dúvidas.

A meu ver, o cenário mais realista é o de existir uma ligação directa entre o gabinete de comunicação da CM da Trofa e a página Trofa Digital. Ilegal? Tanto quanto sei, não. Mas é revelador dos estreitos laços entre o poder político e uma página onde ninguém assina conteúdos, que engana os leitores com publicidade falsa, que já plagiou inúmeros jornais e entidades, que serve de caixa-de-ressonância para praticamente todos os conteúdos publicados pela CM da Trofa e pelo PSD e que fala a língua dos partidos no poder, vangloriando tudo o que poder faz, remetendo-se a um silêncio absoluto e cobarde quando situações polémicas relacionadas com o executivo emergem. O que não admira, ou não estivesse aquilo cheio de militantes e simpatizantes do PSD. Pelo menos no passado, que agora a opacidade é tal que já nem ficha técnica existe e ninguém assina conteúdos, plagiados ou não. A única informação disponível é a política de comentários, que surgiu recentemente e à qual voltarei breve, também ela plagiada e ilustrativa do sectarismo de uma página que censura e bloqueia quem incomoda, mas que permite outros insultos, desde que sirvam os interesses de quem quer que seja que manda ou beneficia daquilo. Hoje ficamos por aqui. Deixo no ar a questão, para quem nela quiser reflectir: qual será a ligação entre a página Trofa Digital e o executivo Sérgio Humberto?

 

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João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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