Como o executivo Sérgio Humberto usa recursos públicos para fazer campanha eleitoral

por João Mendes 0

A estratégia da coligação Unidos pela Trofa continua a fazer uso dos mais variados expedientes públicos para influenciar a opinião dos trofenses em seu favor. Para além das obras públicas de timing claramente eleitoralista, como aquelas que trouxe a este espaço faz hoje duas semanas, e que representam apenas uma amostra de uma realidade mais ampla, trago-vos hoje três exemplos de como as obras públicas são usadas em proveito da campanha de uma coligação que, apesar de estar no poder, não deve nem pode colocar os recursos do município ao serviço da sua estratégia eleitoral. E, uma vez mais, isso volta a acontecer, ainda que de forma subtil e dissimulada.

O primeiro exemplo é a recente intervenção na Rua António Sá Couto de Araújo, que dá acesso ao Aquaplace e ao Hospital da Trofa, diariamente usada por muitos milhares de trofenses e não só. Durante a quase totalidade do mandato do executivo Sérgio Humberto, esta via foi mantida num estado lastimável, apesar da sua importância central no acesso, por exemplo, de ambulâncias ao hospital e/ou à autoestrada. Porém, a poucos meses das eleições, naquele tempo recorde só possível em época de campanha, aquela obra foi concretizada e, no topo da rua, na perpendicular Rua Padre Alberto Pinheiro Machado, a coligação colocou um outdoor de campanha, caso a malta não tivesse reparado que, após muita espera, a obra lá deu o ar da sua graça mesmo a tempo das eleições.

O segundo exemplo é a intervenção em marcha na Rua Padrão, um importante acesso que liga a EN104 ao Mercado. Trata-se uma vez mais de um acesso de importância nuclear, em particular nos dias de feira, e que esteve igualmente num estado lastimoso durante anos, incluindo a quase totalidade do actual mandato. Uma vez mais, a poucos meses das Autárquicas, foi dado início a uma obra que já podia e devia ter sido executada há muito tempo e, na ponta da rua que termina na EN104, mesmo em frente, do outro lado da estrada, o que surge? Um cartaz da coligação. Muda o local, mantém-se a estratégia de usar obras públicas para influenciar a opinião dos trofenses em favor da coligação PSD/CDS-PP.

O terceiro e último exemplo, e hoje ficamos por aqui, está na Alameda da Estação. Já aqui tive a oportunidade de, por várias vezes, saudar e salientar a importância desta obra. Não perderei tempo a fazê-lo de novo. Mas se o timing já era eleitoralista, com uma inauguração feita antes da obra estar concluída para não condicionar o calendário da campanha da coligação, que arrancou oficialmente poucos dias depois, isto para não falar naquele cartaz da mais básica propaganda alusiva ao estudo da Marktest (regressarei a esse e a outros cartazes em breve), percebo agora ainda melhor a pressa com que a Alameda ficou concluída. A sede do PSD, actualmente sede de campanha da coligação, beneficia, e de que maneira, daquela obra.

Curiosamente, ou talvez não, a sede do PSD, a ter sido sede de campanha para umas eleições autárquicas, só o terá sido em 2001 e 2005. Em 2009 foi na Rua D. Pedro V, em 2013 na Rua Camilo Castelo Branco, no tal número 222 onde depois se instalou (se é que alguma vez dali saiu) o Correio da Trofa, pouco após o acto eleitoral. Agora, com a obra da Alameda concluída mesmo a tempo das eleições, a sede do PSD, um dos edifícios mais beneficiados e valorizados pela obra, passa de uma situação em que se situava em frente aos escombros da antiga linha férrea para uma situação em que integra uma zona nobre acabada de renovar, onde a população de Bougado passeia com frequência, algo que não acontecia antes da obra, podendo desta forma contemplar a empena com a cara do autarca e candidato da coligação. Sem aquela obra, o mais certo seria a coligação nem considerar aquele local, pela fraca visibilidade e péssimo enquadramento que tinha. Com ela feita, mais conveniente seria impossível: uma bela obra, concluída no início do Verão, repleta de trofenses em passeio, serve de sala de visitas para a campanha da coligação Unidos pela Trofa. 

Três exemplos, mais poderiam ser dados, que revelam como este executivo está a usar o exercício das suas funções autárquicas para promover a sua estratégia eleitoral. O dinheiro é dos nossos impostos, o proveito de meia-dúzia de políticos e dos seus partidos. Ganhar eleições com os recursos dos outros torna-se mais fácil. E por muito menos, em 2013, estariam já os socialistas numa panela a ferver. Tivessem eles hoje um décimo da falta de escrúpulos demonstrada em 2013 por alguns ideólogos da coligação, e o orgulho trofense de alguns já se teria transformado em vergonha de sair de casa.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.